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US$ 3 bi: CEO da Citadel anuncia maior doação da história do ensino superior dos EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
US$ 3 bi: CEO da Citadel anuncia maior doação da história do ensino superior dos EUA

MIAMI — A maior doação individual da história do ensino superior americano, de US$ 3 bilhões, será destinada à Universidade Carnegie Mellon.

Embora a universidade tenha sede em Pittsburgh, a doação do executivo de hedge fund Kenneth Griffin será direcionada principalmente ao desenvolvimento de um campus em Miami.

“Isso vai promover uma mudança realmente importante na capacidade da Carnegie Mellon de impactar mais vidas, alcançar mais pessoas e fazer a diferença para o nosso país”, disse Griffin em entrevista em um arranha-céu de Miami.

A contribuição, divulgada pela universidade na quarta-feira após mais de dois anos de negociações e planejamento mantidos em sigilo, supera a doação recorde de US$ 2 bilhões anunciada no ano passado pelo cofundador da Nike, Phil Knight, e sua esposa, para a Universidade de Saúde e Ciência do Oregon.

Cerca de US$ 2 bilhões da contribuição de Griffin serão destinados a um novo campus de 14,2 hectares, equivalente a cerca de 20 campos de futebol, no bairro de Wynwood, em Miami, conhecido por sua cena artística, onde os estudantes deverão começar a se matricular a partir de 2028. A universidade, que já mantém unidades no Catar e em Ruanda, projeta que o campus de Miami acomodará mais de 3.500 alunos no futuro.

O campus é o mais recente projeto de uma universidade de elite no sul da Flórida, onde moradores de alta renda há muito defendem a ampliação do número de graduados qualificados para atrair e reter empresas. A Universidade Vanderbilt, por exemplo, planeja um campus em West Palm Beach, enquanto a Universidade Northwestern mantém um programa de pós-graduação em negócios em Coral Gables.

Griffin não é ex-aluno da Carnegie Mellon — ele estudou em Harvard — e transferiu a sede de sua empresa de Chicago para Miami há cerca de quatro anos.

Mas ele sugeriu que a Carnegie Mellon tem uma ambição que talvez falte a seus pares, destacando o histórico da universidade em áreas como ciência da computação, inteligência artificial e até artes dramáticas, além de sua disposição de investir em uma operação em Miami.

“Uma das críticas feitas a muitas de nossas instituições de ensino superior é que elas não ampliaram de forma significativa seu impacto ou escala ao longo dos últimos 50 anos”, afirmou Griffin, embora muitos dirigentes universitários apontem seus esforços para expandir bolsas de estudo e aumentar o número de matrículas, especialmente na pós-graduação.

O restante do dinheiro foi reservado para o campus de Pittsburgh, que já havia recebido doações anteriores da Citadel, empresa de Griffin. Segundo a Carnegie Mellon, metade desses recursos será destinada à Escola de Ciência da Computação, enquanto o restante ficará disponível como “apoio flexível para as maiores prioridades da universidade”.

Griffin, que dará nome à escola de ciência da computação, terá influência significativa sobre essas prioridades, já que passará a integrar o conselho da universidade.

O nome de Griffin também está associado à Escola de Pós-Graduação em Artes e Ciências de Harvard, assim como ao escritório de auxílio financeiro da graduação. Mas, apesar de ter doado mais de US$ 500 milhões à instituição, ele rompeu publicamente com Harvard após os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e os desdobramentos nos campi universitários.

Durante uma conferência em 2024, Griffin afirmou que, até que Harvard voltasse a ensinar as pessoas “a serem líderes, solucionadoras de problemas e a enfrentar questões difíceis”, ele não teria interesse em apoiar a instituição.

Griffin disse nesta semana que voltou a fazer algumas doações modestas para Harvard e que a universidade vem “tomando medidas para enfrentar questões que são realmente importantes” para ele, como o antissemitismo.

“Isso é uma rejeição a Harvard?”, perguntou Griffin ao comentar a contribuição à Carnegie Mellon. “Acho que isso perde o ponto principal. Trata-se de como garantir que uma das maiores universidades do país tenha um impacto ainda maior sobre mais estudantes.”

Ele acrescentou que espera “apoiar Harvard nas próximas décadas, mas, para mim, a Carnegie Mellon tem o DNA de que precisamos aqui e agora em Miami”.

Doações individuais de US$ 1 bilhão ou mais são raras no ensino superior.

Em 2018, a Universidade Johns Hopkins anunciou que Michael Bloomberg havia destinado US$ 1,8 bilhão à instituição. Seis anos depois, a universidade informou que Bloomberg faria outra doação de US$ 1 bilhão, elevando sua contribuição vitalícia para mais de US$ 4 bilhões.

Uma doação de US$ 1,1 bilhão feita por John e Ann Doerr em 2022 financiou a criação de uma escola na Universidade Stanford. Em 2024, Ruth Gottesman doou US$ 1 bilhão para custear permanentemente as mensalidades da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York.

Na semana passada, a Universidade do Oregon anunciou uma contribuição de US$ 1 bilhão da família Knight para a criação de uma nova faculdade de engenharia.

A Carnegie Mellon tem origem na riqueza privada. Em 1900, o industrial Andrew Carnegie investiu US$ 1 milhão no que viria a se tornar a universidade. Na época, esse valor equivalia aproximadamente à renda anual de 1.300 famílias médias.

Apesar dessa vantagem inicial, a Carnegie Mellon possui um patrimônio financeiro menor do que o de muitas instituições de elite. No fim de junho de 2025, segundo os dados mais recentes disponíveis, seu fundo patrimonial somava cerca de US$ 3,5 bilhões. O de Harvard, em comparação, era avaliado em cerca de US$ 57 bilhões.

Farnam Jahanian, presidente da Carnegie Mellon, afirmou que o campus de Miami não será organizado segundo as divisões acadêmicas tradicionais, como cursos e departamentos. Em vez disso, o projeto será estruturado em torno de quatro “grandes áreas de desafio”: saúde humana e descoberta biológica; segurança nacional e competitividade econômica; energia e resiliência climática; e manufatura e indústria.

Jahanian sinalizou que a universidade, cujas mensalidades se aproximam de US$ 70 mil por ano, pretende usar parte da doação para tornar a instituição mais acessível aos estudantes, mas não detalhou os planos.

Enquanto tomava uma Coca-Cola comprada no McDonald’s, Griffin insistiu que não sabia qual era o valor necessário para estabelecer o recorde da maior doação da história do ensino superior americano quando iniciou as conversas com a Carnegie Mellon.

“O marco era: o que será necessário para apoiar a Carnegie Mellon como uma das maiores universidades dos Estados Unidos?”, disse. “E o que será necessário para criar as condições para trazê-la para Miami?”

c.2026 The New York Times Company

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