As estatais federais acumulam déficit primário de R$ 6,5 bilhões em 2026 até agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central. Nos primeiros oito meses do ano, esse é o maior rombo desde 2002, segundo a série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2001. No mesmo período de 2025, o déficit foi de R$ 5,569 bilhões.
No mês, contudo, o conjunto de empresas públicas da União registrou superávit de R$ 1,759 bilhão, com melhora das receitas auferidas este mês, algo que não é muito usual, destacou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha. Em agosto de 2025, o déficit foi de R$ 44 milhões.
Em 12 meses, o déficit é de R$ 6,085 bilhões, ou 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado primário calcula o saldo entre as despesas e receitas. A estatística do BC considera as estatais não-financeiras independentes do Tesouro Nacional, excluindo a Petrobras – ou seja, são empresas que não precisam dos recursos da União para funcionar. No entanto, um aumento do déficit pode significar dificuldades de caixa das companhias, com risco de socorro do Tesouro.
Segundo o Ministério da Gestão, porém, o déficit não é a melhor maneira de medir a saúde financeira de estatais, porque pode significar que a empresa está investindo para alcançar padrões mais elevados de crescimento no futuro. O melhor parâmetro, segundo a pasta, seria o resultado contábil, se houve lucro ou prejuízo no período, assim como ocorre com as empresas privadas.
O governo reconhece, no entanto, problemas em algumas estatais, como os Correios. Nesse caso, a empresa também tem registrado prejuízos significativos. Em 2025, o rombo foi de R$ 8,5 bilhões e a expectativa é de que seja ainda maior em 2026. Até junho, o prejuízo acumulado é de R$ 5,5 bilhões. Está em curso, por sua vez, um plano de reestruturação para tentar reerguer a estatal.
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