Às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, o mercado parece mais ajustado às probabilidades de desfecho do pleito, mas ainda há “assimetrias” no radar, conforme apontou recentemente a a área de trading do Goldman Sachs.
Osmin Rivera, corresponsável global pela área de trading de mercados emergentes do Goldman, destacou três cenários olhando no curto prazo para os ativos brasileiros. O foco ficaria principalmente no resultado do primeiro turno, cujo resultado deve ser conhecido na noite de domingo (3), com repercussões mais fortes na próxima segunda (4).
A mesa de trading do banco apontou três cenários para o resultado do primeiro turno e a possível reação do mercado.
i) Lula à frente por mais de quatro pontos percentuais: o que levaria a um risco de correção nos ativos;
ii) Lula à frente por dois a quatro pontos, cenário atualmente precificado pelo mercado e
iii) Empate ou liderança de Flávio Bolsonaro, com potencial para forte rali dos ativos locais, similar ao ocorrido na Colômbia.
Esse movimento ocorre uma vez que o mercado vê maiores chances do governo de Flávio Bolsonaro (PL) fazer um ajuste fiscal mais profundo em comparação ao cenário de continuidade do governo Lula (PT).
Rivera lembrou que o cenário mudou desde julho e agosto. Nas pesquisas, a vantagem do presidente Lula sobre Flávio Bolsonaro, que passava de dez pontos, caiu para menos de três. Nos mercados de previsão (como Polymarket), as chances, antes de cerca de 65% a 35% em favor de Lula, agora estão em torno de 55% a 45% para Flávio. No segundo turno, a diferença de cerca de cinco pontos a favor de Lula no fim de julho deu lugar a um empate técnico.
No câmbio, o banco está de olho em estruturas de opções de perda limitada para capturar a queda do dólar abaixo de R$ 5,00 nos próximos três meses, porém com barreira de desativação em R$ 4,70 ou abaixo. A trava ocorre em meio à visão de que, mesmo em caso de vitória da oposição, haja dificuldades de implementação da agenda fiscal. Isso poderia impedir uma desvalorização mais pronunciada do real.
Já em ações, o Goldman Sachs monitora a compra de call spreads do ETF (fundo de índice) EWZ (trava de alta) para novembro, estratégia esta que tem ganhado força dos investidores globais. As call spreads combinam a compra e a venda de opções de compra em diferentes níveis de preço. A estratégia reduz o custo da aposta em comparação à compra simples de calls.
Além disso, também favorece posições compradas em uma cesta de ações sensíveis aos ciclos de juros.
Na curva de juros, a mesa apoia posições aplicadas “no miolo da curva de DIs”, apostando no fechamento das taxas intermediárias. Mas, pela natureza potencialmente binária do resultado eleitoral, a prioridade da instituição é operar por meio de derivativos com estruturas de perda limitada.
Colômbia também no radar
Fora do Brasil, Rivera observou que os ativos latino-americanos têm se movido de forma própria nas últimas semanas, apesar da alta nos juros globais e da elevação de juros pelo Fed.
A Colômbia é foco de clientes: o mercado aguarda, para outubro, o pacote de consolidação fiscal do orçamento de 2027, e o banco é otimista quanto às perspectivas. Na semana que vem há reunião do banco central, decisão que ele considera apertada, com leve preferência pela manutenção da taxa. O banco está construtivo com os títulos locais, com preferência pelo trecho de três a cinco anos da curva.
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