⚡ Últimas

JPMorgan: investidores preferem ações do mercado de capitais em meio às eleições

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
JPMorgan: investidores preferem ações do mercado de capitais em meio às eleições

Os investidores estão concentrando suas apostas em empresas financeiras ligadas ao mercado de capitais, como XP (BDR: XPBR31), BTG (BPAC11) e B3 (B3SA3), enquanto mantêm posições mais leves em bancos tradicionais e digitais.

O movimento foi identificado pelo JPMorgan após conversas com cerca de 50 investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Por trás dessa preferência está o temor de um ciclo de crédito mais difícil e de pressão sobre os lucros dos bancos.

O próprio JPMorgan mantém, desde junho, uma visão favorável às empresas de mercado de capitais, após elevar a recomendação para compra do BTG.

Mas a forte alta recente mudou parte do jogo. No caso da XP, por exemplo, investidores que há um mês viam pouco risco de queda passaram a considerar um recuo de mais de 30% se o resultado das eleições não for bem recebido pelo mercado. A ação, que negociava a cerca de sete vezes o lucro estimado para 2027, passou a exigir uma avaliação mais cuidadosa sobre a relação entre risco e retorno.

Nesse sentido, o JPMorgan foi questionado se não seria o momento de transferir parte das posições para nomes menos consensuais, como Inter (BDR: INBR32), Bradesco (BBDC4) e, em menor medida, empresas de pagamentos. Quase nenhum investidor defendia o Banco do Brasil (BBAS3), embora a maioria tenha reduzido as posições vendidas nos últimos meses. Concordamos que a assimetria já não é evidente.

Embora ainda prefira as empresas ligadas ao mercado de capitais até que o resultado eleitoral esteja definido, nomes como Inter apresentam, na visão do banco, uma assimetria de múltiplos muito elevada, apesar dos desafios operacionais.

Entre os bancos, quase todos os investidores ouvidos demonstraram preocupação com os riscos relacionados ao ciclo de crédito. A maioria também avaliou que 2027 será um ano desafiador, independentemente do resultado eleitoral, visão compartilhada pelos analistas do JPMorgan.

Bancos tradicionais

A equipe de JPMorgan detaca que sua preferência relativa continua sendo Itaú (ITUB4), por considerar uma companhia de qualidade para um cenário de maior volatilidade nas perspectivas para o crédito. A principal ressalva, novamente, está relacionada à assimetria de valuation.

No Bradesco, há preocupação disseminada com a qualidade dos ativos e a trajetória do patrimônio líquido tangível. Considerando a avaliação atual, de 1,1 vez o patrimônio líquido por ação, o JPMorgan recebeu, porém, questionamentos sobre se o banco poderia ser uma boa alternativa para capturar o movimento eleitoral. Alguns investidores acreditam que o recente aumento de capital pode ter tido impacto técnico sobre as ações na última semana.

No Banco do Brasil, as preocupações com qualidade dos ativos e capital são ainda maiores, e o JPMorgan não identificou apetite entre investidores locais para usar o banco como aposta eleitoral. O banco aponta três principais desafios: cerca de R$ 180 bilhões em operações potencialmente problemáticas, pressão sobre o capital e dificuldade para competir em custos com os bancos digitais.

No Santander, foram poucos os investidores interessados em uma arbitragem entre as ações locais e os recibos no exterior em um eventual rali eleitoral.

Nubank (BDR: ROXO34)

Os investidores locais estão agora bem menos animados com Inter e Nubank. No início do ano, havia grande entusiasmo com as teses de investimento das duas instituições, mas essa percepção mudou.

No Inter, o JPMorgan disse perceber menor entusiasmo com a evolução do crédito consignado privado, diante da piora da inadimplência, do teto para as taxas de juros e do modelo de garantias. Também recebeu questionamentos sobre o motivo de o produto apresentar rentabilidade aparentemente inferior à dos pares e sobre as taxas de juros cobradas pelo Inter, atualmente mais baixas.

No caso do Nubank, analistas consideram a avaliação pouco exigente, em cerca de 12 vezes o lucro projetado para 2027. Eles observam, porém, que os investidores locais estão menos posicionados no papel, embora alguns investidores estrangeiros estejam aprofundando as análises sobre a operação nos Estados Unidos e haja discussões sobre o crescimento do crédito consignado privado.

Embora a maioria concorde com nossa visão de que o Nubank é um vencedor estrutural no segmento de menor renda, a principal preocupação dos investidores é o risco de queda do lucro por ação em 2027 e o impacto que medidas macroprudenciais poderiam ter sobre a companhia. Os investidores otimistas, por outro lado, acreditam que as vantagens competitivas do Nubank poderiam se tornar ainda mais fortes nesse cenário.

Stone e PagBank

A demanda por empresas de pagamentos está extremamente baixa, segundo o levantamento. Os investidores estão preocupados com o risco estrutural do negócio diante da deterioração dos indicadores operacionais e, apesar da sensibilidade às taxas de juros, seguem evitando o setor. Stone (STNE) e PagBank (PAGS), por exemplo, praticamente não acompanharam o recente rali de ativos de maior risco.

Diante desse cenário, o banco disse ter recebido questionamentos sobre se a Stone poderia ser uma alternativa para uma estratégia eleitoral de curto prazo. O banco considera uma discussão válida, embora ainda prefira empresas grandes e líquidas do mercado de capitais até que o cenário eleitoral esteja definido.

Seguradoras

O entusiasmo com o setor de seguros também diminuiu, e a BB Seguridade (BBSE) aparece como uma fonte clara de recursos para financiar posições ligadas à estratégia eleitoral.

Entre os nomes do setor, a BB Seguridade se destaca como a preferida para expressar essa visão negativa, principalmente devido aos desafios operacionais no agronegócio e aos riscos relacionados à renovação de contratos.

Embora a avaliação de Porto (PSSA3) seja razoável, o JPMorgan disse evitar o nome no curto prazo diante do desempenho operacional fraco na maioria das verticais e do impacto negativo da renda financeira proveniente de ações neste trimestre.

Especificamente em São Paulo, o banco notou aumento da demanda por IRB Brasil (IRBR3), impulsionada pela PL 3.540. O papel continua sendo o nome preferido do JPMorgan dentro do setor.

The post JPMorgan: investidores preferem ações do mercado de capitais em meio às eleições appeared first on InfoMoney.

JPMorgan: investidores preferem ações do mercado de capitais em meio às eleições — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado