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Peter Thiel: “Medo do sucesso” impede Alemanha de criar novas gigantes da tecnologia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Peter Thiel: “Medo do sucesso” impede Alemanha de criar novas gigantes da tecnologia

Pela primeira vez nos quatro anos de história do ranking Fortune 500 Europe, o Reino Unido superou a Alemanha como o país com mais empresas na lista: 76, contra 73.

Mas, para o investidor bilionário Peter Thiel, essa mudança faz parte de um problema mais amplo enfrentado por seu país de nascimento: a Alemanha tem dificuldade para criar e, mais importante ainda, expandir a próxima geração de empresas globais.

“Existe um medo do fracasso”, afirmou Thiel no podcast MDMEETS, ao comentar o empreendedorismo alemão. “As pessoas são avessas ao risco e coisas do tipo, e talvez isso seja verdade. Mas o ponto que eu gostaria de destacar é que talvez também exista um medo do sucesso.”

“Se você tem algo que funciona, não vai escalá-lo a um nível extremo como Elon Musk ou Mark Zuckerberg fizeram”, disse ao também bilionário alemão e executivo de mídia Mathias Döpfner. Em vez disso, argumentou Thiel, os empreendedores alemães tendem a vender suas empresas ou deixar o negócio antes que ele se torne uma companhia verdadeiramente global.

“O que chama muito a atenção é como poucas grandes empresas novas foram construídas na Alemanha nas últimas décadas”, acrescentou.

A Alemanha ficou para trás em inovação em relação a alguns de seus pares. O país possui apenas uma fração dos unicórnios encontrados nos Estados Unidos e na China, e seu desempenho começou a ficar atrás do de vários vizinhos europeus. No Painel Europeu de Inovação de 2026, da União Europeia, a Alemanha ocupou a 10ª posição, atrás de países como Áustria, Luxemburgo e Irlanda.

Thiel alerta para heranças bilionárias na Alemanha

Peter Thiel nasceu em Frankfurt, em 1967, mas sua família se mudou para os Estados Unidos quando ele tinha apenas um ano de idade. Depois de uma breve passagem por Cleveland, estabeleceu-se na Califórnia. Mais tarde, concluiu graduação em Filosofia e formação em Direito pela Universidade Stanford.

Ao longo da carreira, tornou-se empresário e investidor de destaque, cofundando o PayPal e a Palantir, além de ser um dos primeiros investidores externos do Facebook. Atualmente, sua fortuna é estimada em US$ 37,2 bilhões.

Figura influente e frequentemente controversa no Vale do Silício, Thiel apontou as diferenças na origem das grandes fortunas nos Estados Unidos e na Alemanha como outro exemplo do contraste entre as culturas empreendedoras dos dois países.

Segundo ele, entre as 50 pessoas mais ricas dos Estados Unidos, cerca de uma dúzia pertence à geração X ou a gerações mais jovens. Na Alemanha, seriam aproximadamente 20 indivíduos nessa faixa etária. Porém, enquanto a maioria dos americanos construiu a própria riqueza, os alemães, segundo Thiel, herdaram seu patrimônio.

“Nem uma única pessoa fez algo novo, criou uma nova fortuna ou construiu uma grande empresa escalável”, afirmou. “Claro que estou olhando para um grupo muito específico. Mas cada uma dessas pessoas [nos Estados Unidos] criou milhares de milionários dentro de suas empresas, dezenas de milhares de empregos e contribuiu para a economia de inúmeras maneiras.”

As montadoras impulsionaram a economia alemã. Agora enfrentam dificuldades

Durante décadas, a indústria automobilística foi um dos pilares do sucesso econômico da Alemanha. A Volkswagen, sediada em Berlim, figurou por muito tempo como a maior empresa da Europa em receita.

A montadora de 89 anos atingiu sua melhor colocação na lista Fortune Global 500 em 2017, quando ocupou a sexta posição, registrando receitas superiores às de empresas como Shell, Berkshire Hathaway e Apple.

Desde então, porém, a Volkswagen enfrentou grandes desafios, incluindo as consequências do escândalo de emissões de poluentes e a crescente concorrência das montadoras chinesas em meio à transição global para veículos elétricos. Atualmente, ocupa a 13ª posição no ranking Global 500.

No início deste mês, a empresa aprovou um amplo plano de reestruturação que prevê a redução de aproximadamente metade de sua linha de modelos e o corte de 50 mil empregos. A medida se soma a cerca de 50 mil demissões já acertadas nos dois anos anteriores. As ações da companhia acumulam queda superior a 35% neste ano.

A Volkswagen não está sozinha. BMW e Mercedes-Benz, que ocupam respectivamente as posições 50 e 51 do ranking Global 500, também registraram recuo superior a 20% em suas ações nos últimos 12 meses, alimentando preocupações sobre a competitividade da economia alemã.

Esta reportagem foi publicada originalmente pelo Fortune.

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