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Petrobras: Goldman vê dividendo de US$ 2,7 bi no 3º tri e reforça preferência na AL

Radar Olhar Aguçado(há 38 minutos)
Petrobras: Goldman vê dividendo de US$ 2,7 bi no 3º tri e reforça preferência na AL

O cenário de petróleo mais caro melhorou as perspectivas para as petroleiras latino-americanas, mas o forte aumento dos custos de transporte marítimo pode impedir que produtoras brasileiras capturem integralmente esse benefício, segundo avalia o Goldman Sachs em relatório sobre as perspectivas do setor para o terceiro trimestre de 2026. O banco mantém preferência relativa pela Petrobras (PETR3; PETR4) entre as empresas de óleo e gás da América Latina.

A instituição revisou para cima as estimativas para o Brent e elevou os preços-alvo das ações da estatal. Para PETR3, o alvo passou para R$ 62,60, enquanto para PETR4 subiu para R$ 58,50. O Goldman mantém recomendação de compra para os dois papéis.

Saiba mais:

A mudança ocorre após o banco elevar sua estimativa para o Brent em 2027 de US$ 72 para US$ 75 por barril. Para 2026, a projeção média passou de US$ 85,69 para US$ 91,34. Com petróleo mais caro, maior produção e melhora das perspectivas para as margens de refino no próximo ano, o Goldman aumentou sua projeção de Ebitda ajustado da Petrobras em 5% para 2026 e em 10% para 2027.

Petróleo sobe, mas frete também

Há, contudo, uma importante força contrária a esse cenário. O custo do frete marítimo de petróleo do Brasil para a China disparou para US$ 24 por barril em setembro, ante média de US$ 7 no segundo trimestre e apenas US$ 3 em 2025. Como parcela relevante do petróleo produzido na América Latina é exportada para a Ásia, a alta do transporte pode pressionar os preços efetivamente recebidos pelas empresas.

O movimento é especialmente relevante porque o Brent físico para entrega imediata, conhecido como “dated Brent”, chegou a US$ 119 por barril, enquanto o contrato com vencimento em um mês estava em US$ 104. Em princípio, essa diferença poderia melhorar os preços realizados pelas produtoras. Dados de alta frequência citados pelo Goldman, porém, indicam que a Petrobras não conseguiu aproveitar totalmente essa diferença recentemente, possivelmente devido ao salto do frete.

Por isso, o banco espera alguma deterioração sequencial dos diferenciais das exportações marítimas de petróleo tanto da Petrobras quanto da PRIO (PRIO3) no terceiro trimestre em relação ao segundo.

Outro ponto é o momento em que a alta do petróleo aparece nos balanços. Segundo o Goldman, a Petrobras já explicou que a maior parte das exportações para a Ásia tem os preços definidos com cerca de um mês de defasagem. Como a valorização mais recente do Brent ocorreu apenas no fim do terceiro trimestre, parte do impacto positivo pode aparecer somente nos números do quarto trimestre.

Petrobras: mais produção – e investimentos

O Goldman também elevou significativamente sua expectativa de investimentos para a Petrobras. O banco projeta capex em caixa de aproximadamente US$ 20,5 bilhões em 2026, nível que espera ver praticamente mantido em 2027.

A estimativa de cerca de US$ 20 bilhões anuais para 2026 e 2027 fica aproximadamente 20% acima do ponto médio da orientação original da companhia para os dois anos. O aumento está relacionado, entre outros fatores, à expectativa de que a Petrobras conecte três novas plataformas no campo de Búzios no primeiro semestre de 2027, exigindo aceleração dos investimentos já no segundo semestre deste ano.

O capex maior pode reduzir o espaço para distribuição de dividendos. Por outro lado, os analistas ressaltam que a aceleração dos investimentos está associada ao esforço para antecipar novas unidades e reduzir riscos para a trajetória futura de produção. O Goldman está 9% acima do guidance da Petrobras para produção de petróleo em 2026 e 14% acima para 2027.

Para o terceiro trimestre, a previsão do banco é de produção total de 3,471 milhões de barris de óleo equivalente por dia, aumento de 10% em relação ao mesmo trimestre de 2025. O Ebitda ajustado é estimado em R$ 85,1 bilhões, crescimento de 33% na comparação anual, enquanto o lucro líquido atribuível aos acionistas é projetado em R$ 38,2 bilhões, alta de 17% em um ano.

O Goldman também espera que a Petrobras anuncie US$ 2,7 bilhões em dividendos junto com o resultado do terceiro trimestre, equivalentes a um dividend yield estimado de cerca de 2%.

Diesel pode ser outro suporte

Além da produção, o refino aparece como potencial suporte. Os spreads de diesel na Costa do Golfo dos Estados Unidos superaram US$ 100 por barril no terceiro trimestre, e a equipe de commodities do Goldman avalia que as margens de refino podem permanecer elevadas por mais tempo.

Para a Petrobras, porém, o benefício no terceiro trimestre tende a ser limitado pela diferença entre os preços domésticos e internacionais do diesel. O Goldman calcula que os preços da estatal estejam cerca de 21% abaixo da paridade internacional, mesmo considerando o aumento recente dos subsídios aos combustíveis.

Ainda assim, a combinação de exposição a petróleo e diesel, crescimento da produção e valuation é justamente o que sustenta a preferência do Goldman pela estatal. Considerando Brent médio de US$ 75 por barril e spreads do diesel de US$ 50, o banco calcula um rendimento de fluxo de caixa livre de 16% para 2027, mesmo incorporando capex cerca de 20% superior ao guidance.

PRIO no radar

Para a PRIO (PRIO3), o Goldman também mantém recomendação de compra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 68,60 para R$ 66,40. Embora tenha aumentado as estimativas de Ebitda ajustado em 6% para 2026 e 2027, refletindo o petróleo mais caro, o banco diminuiu suas projeções de dividendos para 2027 a 2029 diante da maior volatilidade do petróleo, que pode exigir maior disciplina na alocação de capital.

Para o terceiro trimestre, a expectativa é de Ebitda ajustado de US$ 930 milhões, 17% acima do consenso compilado pela Bloomberg. A produção bruta deve chegar a 191,5 mil barris de óleo equivalente por dia, avanço de 11% ante o segundo trimestre e mais que o dobro do registrado um ano antes.

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