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“É hora de escolher”: UBS elege dois investimentos para se proteger antes da eleição

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
“É hora de escolher”: UBS elege dois investimentos para se proteger antes da eleição

Diante do risco fiscal e da incerteza eleitoral na reta final da corrida presidencial, o UBS busca proteção para a carteira do investidor brasileiro. Na ponta negativa, os fundos multimercados têm a pior recomendação, ao passo que pós-fixados, prefixados, ações, fundos imobiliários e ativos alternativos ganham avaliação neutra. A essa altura, o banco suíço afirma que “é hora de escolher” e aponta preferência para apenas duas classes nos portfolios.

Para o braço de gestão de fortunas do UBS, os títulos indexados à inflação são muito atrativos e devem ser peça central das carteiras de longo prazo. “Os juros reais continuam a oferecer compensação substancial em relação aos padrões históricos, ao mesmo tempo em que dão proteção contra o risco de a incerteza fiscal manter as expectativas de inflação elevadas”, afirma em novo relatório.

O UBS coloca a diversificação internacional no mesmo patamar de atratividade. Para o banco, a combinação de incerteza eleitoral, risco fiscal e prêmios de risco domésticos elevados justifica uma exposição relevante a ações globais e a renda fixa internacional de alta qualidade. “A diversificação internacional continua sendo uma das ferramentas mais eficazes à disposição dos investidores brasileiros para melhorar a resiliência das carteiras”, explica o relatório.

O banco espera que a alta das bolsas globais continue nos próximos seis a 12 meses e vê oportunidades em renda fixa internacional de grau de investimento com prazos intermediários. Entre as commodities, a preferência é pelo cobre, enquanto a prata aparece como menos atrativa.

O que explica a cautela

A recomendação neutra para prefixados se mantém mesmo depois de o Banco Central cortar a Selic mais uma vez, para 13,75% ao ano. O banco reconhece que esses títulos pagam taxas atrativas e podem se beneficiar da desaceleração da economia, mas vê limites para o ciclo de cortes. “A comunicação cautelosa do Copom desaconselha supor um ciclo agressivo de cortes, enquanto a incerteza fiscal, a volatilidade cambial e as expectativas de inflação resistentes podem manter a Selic terminal elevada”, aponta o relatório.

Segundo o UBS, os preços atuais embutem um prêmio fiscal relevante. Esse prêmio abre espaço para ganhos caso a trajetória da dívida melhore de forma crível, mas uma piora nas contas públicas pode anular o efeito positivo da queda dos juros. Por isso, o banco recomenda exposição seletiva e disciplinada a prazos mais longos.

Nos pós-fixados, a remuneração segue atrativa. A trajetória de queda da Selic, porém, reduz aos poucos a vantagem desses títulos em relação às estratégias de prazo mais longo, embora eles continuem úteis para a gestão de liquidez.

A trajetória da dívida pública é, na visão do UBS, o principal desafio macroeconômico do país. A dívida bruta chega a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, de janeiro a julho as despesas federais crescem acima das receitas, apesar do bom desempenho da arrecadação.

“Continuamos a acreditar que a credibilidade fiscal, e não os desdobramentos cíclicos, determinará, em última instância, a direção dos prêmios de risco nos ativos brasileiros”, ressalta o banco.

No cenário eleitoral, o UBS chama atenção para o reajuste de 15% do Bolsa Família a partir de outubro, com custo estimado em cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Como a medida passa a valer entre o primeiro turno e um possível segundo turno, o banco avalia que ela pode atrair atenção da Justiça Eleitoral, embora o governo a classifique como correção pela inflação.

Para o banco, eleição e fiscal devem seguir como fontes de volatilidade para o real e para a curva de juros. O cenário central é de depreciação gradual da moeda, sem ajuste desordenado.

Na bolsa brasileira, a recomendação segue neutra. As ações estão baratas na comparação histórica e com outros mercados, mas os juros reais elevados, a incerteza fiscal e a volatilidade eleitoral limitam uma valorização mais expressiva. Os setores ligados a commodities aparecem em posição relativamente melhor.

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