A XP Investimentos avalia que o cenário para as construtoras de média e alta renda se deteriorou, diante dos estoques ainda elevados em São Paulo, da piora na velocidade de vendas e da manutenção dos juros em patamares altos.
Em relatório assinado pelos analistas Ygor Altero e João Rodrigues, a casa reiterou sua preferência por Cyrela (CYRE3), seguida por Lavvi (LAVV3) e Moura Dubeux (MDNE3).
Segundo a XP, os estoques em São Paulo não apresentaram melhora relevante desde o início do ano, enquanto a velocidade de vendas sobre oferta (SoS) vem se deteriorando.
O ambiente também segue pressionado pelos juros elevados e pelas incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e à política fiscal.
Diante desse quadro, a XP reduziu suas projeções para 2026. Excluindo a Moura Dubeux, as estimativas agregadas para lançamentos e vendas líquidas foram reduzidas em 4% e 12%, respectivamente.
Cyrela (CYRE3)
Apesar da preferência pelo papel, a XP cortou o preço-alvo de R$ 42 para R$ 37,00, mantendo recomendação de compra.
Segundo a corretora, a companhia continua apresentando forte desempenho operacional, apesar de um primeiro semestre difícil no segmento de alta renda, ao mesmo tempo em que melhora sua performance no segmento de baixa renda, embora os resultados tenham sido parcialmente afetados pelo desempenho das joint ventures (JVs), que ficou abaixo do esperado.
Após o forte crescimento dos lançamentos nos últimos anos, com a Cyrela praticamente dobrando o volume lançado nos últimos dois anos, a XP espera que a companhia entre em uma fase de forte crescimento da receita até 2027, quando deverá atingir um nível mais estabilizado.
As margens brutas esperadas mais elevadas, após o desempenho apresentado no primeiro semestre, e uma dinâmica de geração de caixa mais favorável justificam a preferência pela Cyrela entre as empresas de alta renda.
A XP vê a companhia sendo negociada a 4,6 vezes o preço sobre o lucro (P/L) estimado para 2027, com ROE de 19% em 2027.
Lavvi (LAVV3)
A XP reduziu o preço-alvo da Lavvi de R$ 26 para R$ 19, mas manteve recomendação de compra, destacando a diversificação dos negócios sem comprometimento dos retornos. A empresa ficou abaixo das estimativas da casa em 2026 devido ao ritmo mais lento de lançamentos no primeiro semestre, o que levou à redução da projeção de receita líquida.
A XP espera que a operação de alta renda continue concentrada em produtos de maior destaque, desenvolvidos em parceria com sócios estratégicos, com foco em rentabilidade e giro dos ativos. A partir de 2027, a expectativa é de que a Lavvi alcance um ritmo operacional mais maduro, favorecendo a geração de caixa e potencialmente uma maior distribuição de dividendos.
A casa estima potencial de valorização de 80% para a ação, que é negociada a 3,9 vezes o lucro estimado para 2027, e mantém a Lavvi entre suas preferências no segmento de média e alta renda.
Moura Dubeux (MDNE3)
A XP manteve o preço-alvo da Moura Dubeux em R$ 38 e a recomendação de compra, destacando a forte execução operacional. A companhia superou significativamente as estimativas no primeiro semestre, impulsionada por vendas 8% acima do esperado pela XP, reconhecimento de receita 13% superior à projeção e margens brutas mais fortes.
A casa revisou suas estimativas para incorporar o desempenho do período e atualizou o custo de capital após a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, próximos de 5%.
A XP vê a ação negociada a 3,9 vezes o lucro estimado para 2027, enquanto o preço-alvo implica potencial de valorização de 57%. A recomendação de compra é sustentada pela execução sólida, parcerias estratégicas, ambiente competitivo saudável e valuation considerado atrativo. A casa também aponta o segmento de baixa renda como uma possível nova frente de crescimento.
Eztec (EZTC3)
A XP mantém recomendação neutra para a Eztec e reduziu o preço-alvo de R$ 19 para R$ 16, após incorporar os resultados do primeiro semestre e um custo de capital mais elevado. A companhia superou as estimativas da casa em margem bruta e geração de caixa, mas ficou abaixo das projeções em receita líquida e lucro, devido ao reconhecimento de projetos ainda em estágio inicial.
Segundo a XP, a estratégia comercial da Eztec tem apresentado bons resultados, apoiada na concentração das operações na região metropolitana de São Paulo e no segmento de média renda. A velocidade de vendas vem melhorando e o perfil de estoque está mais saudável. Apesar disso, a casa mantém visão neutra devido ao ROE inferior ao de pares, ao limitado crescimento esperado dos resultados no curto prazo e à preferência relativa por empresas com maior potencial de valorização e rentabilidade.
Even (EVEN3)
A XP reduziu o preço-alvo da Even de R$ 10 para R$ 6 para o fim de 2026, mas manteve recomendação de compra, após um primeiro semestre mais fraco que o esperado e a revisão das projeções de lançamentos.
A companhia continua focada no público de maior poder aquisitivo, por meio da própria marca e da joint venture com a RFM. O desempenho do primeiro semestre foi prejudicado pela menor velocidade de vendas, menor reconhecimento de receita e margens brutas mais baixas, além do impacto do aumento do custo de capital.
Mesmo assim, a XP considera a avaliação atrativa. A Even é negociada a 2,7 vezes o lucro estimado para 2027 e 0,4 vez o valor patrimonial projetado para 2026. O novo preço-alvo representa potencial de valorização de 46%. Para a XP, uma eventual recuperação da avaliação da companhia dependeria de melhora do ambiente macroeconômico e de condições mais favoráveis de estoque e competição em São Paulo.
Trisul (TRIS3)
A XP reduziu o preço-alvo da Trisul de R$ 8 para R$ 6 para o fim de 2026. A companhia pretende aumentar a participação de projetos voltados à média renda, segmento que é considerado seu mercado principal.
Segundo a XP, essa faixa de renda ficou com oferta insuficiente nos últimos anos, enquanto as incorporadoras concentraram seus produtos nos segmentos de baixa e alta renda. A Trisul também tem destacado dificuldades crescentes no segmento de alta renda, que apresenta sinais de excesso de oferta, favorecendo uma maior participação da média renda.
A ação é negociada a 4,1 vezes o lucro estimado para 2027, nível considerado atrativo pela XP. Apesar disso, a casa mantém cautela diante do aumento da exposição da companhia à média renda e continua preferindo outros nomes em sua cobertura de empresas de alta renda.
Melnick (MELK3)
A XP manteve o preço-alvo da Melnick em R$ 5 para o fim de 2026 e a recomendação de compra, destacando a diversificação e a operação considerada saudável.
A companhia vem ampliando a diversificação entre seu negócio principal, a operação Open e a unidade Partners, que busca novas oportunidades imobiliárias em parceria com outras empresas e em diferentes regiões. A XP avalia que Santa Catarina pode se tornar um mercado relevante para a companhia nos próximos anos.
Apesar de uma dinâmica de capital de giro mais fraca em 2026, o desempenho operacional ficou praticamente em linha com as expectativas da casa. A Melnick é negociada a 3,3 vezes o lucro estimado para 2027 e 0,5 vez o valor patrimonial projetado para 2026. O preço-alvo implica potencial de valorização de 72%.
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