As taxas do Tesouro Direto caem com força nesta quinta-feira (17), no dia seguinte à decisão dupla de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, quinto corte consecutivo e decisão unânime que já era esperada pelo mercado.
O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 recuou de 14,30% no fechamento de quarta-feira para 14,19% nesta manhã, queda de 11 pontos-base. O Prefixado 2032 caiu de 14,24% para 14,15%, e o Prefixado 2029 foi de 13,89% para 13,81%.
Nos títulos de inflação, o IPCA+ 2032 teve a maior queda, recuando de 7,68% para 7,61%. O IPCA+ 2050 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 caíram 5 pontos-base cada, para 7,19% e 7,18%, respectivamente, e o IPCA+ 2040 foi de 7,31% para 7,26%.
Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, destaca que persiste a preocupação do Copom com a desancoragem das expectativas de inflação, e que o balanço de riscos manteve assimetria para cima. Ele avalia que a continuidade da desaceleração da atividade e uma inflação mais favorável ainda permitem um corte na próxima reunião, embora ela ocorra logo após o segundo turno eleitoral, o que aumenta a incerteza.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, interpreta que a mensagem mais provável é que o ciclo de cortes chegou ao fim, ou está muito perto disso, devido à projeção de inflação do BC, ao cenário externo e por causa do cenário eleitoral. Trevisan pondera que a Selic segue alta, e recomenda cautela na renda fixa, com prazos curtos e disciplina no crédito privado, e reforça a importância de manter parcela do patrimônio fora do país.

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Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde julho de 2023, e o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a estabilidade de preços é a base do crescimento econômico e que a decisão representa “um passo importante” nessa direção, chegando a dizer que ela beneficia especialmente os americanos “menos favorecidos”, já que a inflação mais baixa preserva o poder de compra dos salários.
Apesar da alta, os rendimentos dos Treasuries recuaram logo depois do anúncio, em ajuste de preços que já refletiam a decisão na véspera da reunião. Agentes avaliam que a postura firme de Warsh no combate à inflação tranquilizou os investidores quanto ao compromisso do banco central com a convergência ao redor da meta de longo prazo.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h22 desta quinta-feira (17):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | 01/01/2036 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0735% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,81% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,15% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,19% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,61% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,46% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,26% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,31% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,19% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,18% | 15/08/2060 |
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