O volume investido em fundos imobiliários (FIIs) pelo varejo tradicional cresceu 56% no primeiro semestre deste ano, segundo estatísticas divulgadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em setembro.
O avanço foi o maior entre as diferentes categorias de fundos acompanhadas pela entidade, superando produtos como ETFs, multimercados e fundos de ações.
O crescimento também ficou acima do registrado pelos fundos de renda fixa. Mesmo em um cenário de juros elevados, com a Selic em patamar alto, o volume aplicado nessa classe avançou 11,3% no período.

Para Lucas Araújo, sócio e gestor da AF Real Estate, a maior procura pelos FIIs está relacionada principalmente à combinação entre os preços das cotas e o nível de renda oferecido pelos fundos.
“Na nossa visão, esse crescimento vem principalmente de uma combinação de preço e renda. Muitos fundos imobiliários iniciaram o ano negociando abaixo do valor patrimonial e com dividend yields elevados.”
Segundo o gestor, esse cenário abriu espaço para que investidores pessoa física encontrassem nos FIIs uma alternativa de geração de renda recorrente.
“Para a pessoa física, isso representou a possibilidade de comprar uma renda mensal recorrente, isenta de imposto de renda nos casos elegíveis, a preços ainda descontados. Com a expectativa de queda dos juros ao longo do tempo, esse nível de renda ficou ainda mais atrativo”, acrescenta Araújo.
Leia Mais: FIIs no vermelho? Veja quando manter, comprar mais ou vender
Fundos de recebíveis também impulsionam demanda
Os fundos imobiliários de recebíveis também contribuíram para o avanço dos investimentos no segmento. Com carteiras expostas a indicadores como inflação e CDI, além de spreads de crédito, esses veículos mantiveram uma distribuição mensal de rendimentos em um período de juros elevados.
Na avaliação de Araújo, essa característica ajudou a sustentar o interesse dos investidores de varejo pelos FIIs, especialmente diante da busca por alternativas capazes de oferecer carrego em um ambiente de Selic alta.
“Os fundos de recebíveis também tiveram papel importante nesse movimento. Com carteiras indexadas à inflação e ao CDI, spreads relevantes e distribuição mensal, esses fundos continuaram oferecendo um carrego interessante em um ambiente de juros elevados.”
Além dos fatores de preço e renda, o gestor destaca que o próprio conhecimento do investidor pessoa física sobre os fundos imobiliários aumentou nos últimos anos. A expansão da base de cotistas também acompanha esse processo de maior disseminação do produto entre o público de varejo.
Ainda assim, Araújo ressalta que o nível de dividendos não deve ser analisado isoladamente na escolha de um FII. Para ele, fatores como a qualidade dos créditos, as garantias das operações, a concentração da carteira e a atuação da gestão são determinantes para avaliar se a renda distribuída pelo fundo pode se manter de forma consistente ao longo do tempo.
“De toda forma, é importante não olhar apenas para o dividendo. Qualidade de crédito, garantias, concentração da carteira e atuação da gestão seguem sendo fundamentais para avaliar a consistência dessa renda ao longo do tempo”, conclui.
Leia Mais: O boom dos FIIs: quais os acertos da indústria — e os erros no caminho?
The post Selic alta não segurou os FIIs: investimento do varejo cresce 56% no semestre appeared first on InfoMoney.

