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Dividendos de 33 FIIs superam CDI após nova queda da Selic, mas cotas decepcionam

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Dividendos de 33 FIIs superam CDI após nova queda da Selic, mas cotas decepcionam

O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16), em mais um corte do ciclo iniciado em março. Com o CDI em torno de 13,60%, o número de fundos imobiliários do Ifix que superam a renda fixa em dividend yield (retorno apenas de dividendos) chega a 33, segundo dados da Economatica. Em abril, quando a Selic ainda estava em 14,50%, eram vinte e três.

O crescimento do grupo se dá de forma mecânica porque, à medida que a Selic recua, a régua desce e mais fundos passam por cima dela sem precisar melhorar a distribuição. Os dados mostram também que, em 28 dos 33 fundos, a cota se desvalorizou nos últimos 12 meses. Na prática, o rendimento mensal fez todo o trabalho de manter o investidor no azul, e em dez casos nem isso foi suficiente.

O levantamento considera o dividend yield calculado sobre a cotação de um ano atrás, o que superestima o retorno de quem compra hoje nos fundos cuja cota caiu. E a projeção só vale se a política de distribuição se mantiver, algo que merece atenção em fundos que receberam indenizações ou venderam ativos no período.

O Ourinvest JPP lidera o ranking. É um fundo de papel com carteira concentrada em certificados de recebíveis imobiliários, gerido pela JPP Capital, que foi o FII de melhor desempenho entre janeiro e maio antes de devolver boa parte do ganho. A cota negocia bem abaixo do valor patrimonial e recuou ao longo do ano, o que responde por parte do yield elevado.

O Life Capital Partners aparece em segundo com retorno total ligeiramente negativo. O fundo atua em crédito para loteamentos e projetos de primeira residência, com forte exposição à região Sul, e tem carteira bastante concentrada, já que poucos ativos respondem por praticamente todo o patrimônio. A distribuição mensal recuou em relação ao ano passado e a cota também cedeu.

O Tellus Rio Bravo Renda Logística é o caso que mais exige atenção do investidor. O yield acima de 16% não vem da operação, e sim de indenizações recebidas depois que os Correios rescindiram unilateralmente o contrato atípico de um galpão em Contagem, em Minas Gerais. O fundo cobra na Justiça o valor remanescente do contrato. Os proventos distribuídos neste ano superam com folga os do ano passado por causa desses recebimentos pontuais, mas o rendimento mensal mais recente equivale a um yield bem abaixo do CDI. Quem comprar agora esperando a distribuição histórica tende a se frustrar.

O Valora CRI CDI é o retrato do dilema dos fundos pós-fixados. Com carteira quase integralmente atrelada ao CDI, ele entregou retorno acima da média da lista e preservou a cota, mas é justamente o perfil que mais perde com a continuidade do ciclo de cortes. Cada nova redução da Selic comprime diretamente o rendimento distribuído.

Entre os maiores rendimentos, que superam 15% ao ano, o Manatí Capital é o único que combinou dividendo elevado com valorização real da cota. O fundo opera com crédito estruturado, modalidade em que entra em operações de retorno mais alto do que os CRIs tradicionais, e encerrou o ano passado como o maior pagador de proventos entre os hedge funds imobiliários. A estratégia, no entanto, carrega risco de crédito superior ao da média da indústria.

FundoDY 12mRetorno totalVariação da cota
Ourinvest JPP (OUJP11)17,90%+3,43%-13,52%
Life Capital Partners (LIFE11)17,02%-0,57%-16,67%
Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11)16,13%-3,52%-16,99%
Valora CRI CDI (VGIR11)15,70%+15,91%-0,94%
Manatí Capital (MANA11)15,49%+21,63%+4,77%
Iridium (IRIM11)15,44%+6,95%-8,04%
Gazit Malls (GZIT11)15,13%-5,80%-19,06%
Polo Crédito Imobiliário (PORD11)15,03%+20,22%+4,04%
Banestes Recebíveis (BCRI11)14,99%-1,93%-15,65%
Mauá Capital Real Estate (MCRE11)14,89%+4,81%-9,20%
Habitat Recebíveis (HABT11)14,84%-2,08%-16,09%
Devant Recebíveis (DEVA11)14,81%-24,38%-36,72%
Hectare CE (HCTR11)14,78%-31,23%-42,20%
Cyrela Crédito (CYCR11)14,71%+10,74%-4,16%
Riza Akin (RZAK11)14,64%+11,42%-3,47%
Vectis Juros Real (VCJR11)14,57%-1,11%-14,84%
HSI Ativos Financeiros (HSAF11)14,52%+12,59%-2,55%
Tellus Properties (TEPP11)14,43%+5,43%-8,17%
Riza Arctium (RZAT11)14,40%+13,13%-1,78%
Suno Fundo de Fundos (SNFF11)14,39%+15,39%+0,42%
Pátria Top Offices (TOPP11)14,38%+7,09%-7,18%
Suno Recebíveis (SNCI11)14,18%+11,66%-2,85%
Green Towers (GTWR11)14,13%+16,01%+1,57%
BTG Pactual Shoppings (BPML11)14,10%+24,51%+9,57%
SPX Real Estate (SPXS11)14,03%+0,40%-13,08%
Kinea Oportunidades (KORE11)14,01%+7,45%-6,50%
Pátria Crédito Estruturado, ex-RBR (RBRY11)13,99%-0,65%-13,97%
Suno Energias Limpas (SNEL11)13,94%+7,27%-6,85%
Kinea Unique HY CDI (KNUQ11)13,92%+12,58%-2,05%
BTG Real Estate Hedge Fund (BTHF11)13,82%+13,60%-0,46%
Tivio Renda Imobiliária (TVRI11)13,73%+8,09%-5,28%
RBR Premium Recebíveis (RPRI11)13,71%-1,30%-14,10%
Clave Índice de Preços (CLIN11)13,63%+10,13%-3,67%
Fonte: Economatica. Levantamento considera fundos do Ifix com fechamento de 15/09/2026. O DY foi calculado sobre a cotação de 12 meses atrás. O retorno total inclui proventos e variação da cota; a última coluna mostra apenas a variação da cota. Ficaram de fora os fundos cujo yield praticamente empata com o CDI

Olhe além do yield

O rendimento mensal diz respeito ao passado. Antes de comprar pensando em renda, vale checar se a distribuição vem do resultado recorrente da carteira ou de eventos isolados, como venda de imóvel ou indenização judicial, e qual a exposição do fundo ao CDI, já que fundos pós-fixados tendem a distribuir menos conforme a Selic cai. Um yield muito acima da média costuma indicar que a cota caiu por algum motivo, e esse motivo raramente desaparece sozinho.

Dois fundos da lista, por exemplo, acumulam perdas superiores a 20% mesmo somando os proventos. Devant e Hectare aparecem com dividend yield acima de 14% porque as cotas derreteram, não porque estejam distribuindo bem.

Um dos exemplos ficou até fora do levantamento: o Cartesia Recebíveis liderava o ranking de abril, quando já surgiam dúvidas sobre o risco de concentração da carteira em ativos de incorporação após a reprecificação de CRIs do portfólio. O fundo perdeu mais de 70% do valor nos últimos 12 meses, mesmo considerando os rendimentos pagos, e hoje nem sequer bate o CDI. Os fundos Mérito, TG Ativo Real e Urca Prime seguem trajetória parecida.

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