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Ainda dá tempo de pegar o “bonde” do S&P500, diz gestor do Itaú

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Ainda dá tempo de pegar o “bonde” do S&P500, diz gestor do Itaú

A atividade econômica mundial deve continuar robusta por muitos anos e beneficiar as bolsas de valores, mas com um efeito adverso: maior pressão sobre a inflação e, consequentemente, um juro alto que veio para ficar. A avaliação é de afirma Sylvio Castro, chefe da área de Soluções Globais e Fundos de Fundos do Itaú. “Estamos voltando para um quadrante de inflação mais apertada e atividade indo bem, obrigado, e, nesse ambiente, ações e commodities performam melhor que a renda fixa”, disse, durante evento em São Paulo na terça-feira (15).

Segundo ele, os investimentos em tecnologia vão puxar o crescimento global ainda por vários anos, com a inteligência artificial impulsionando a produtividade e os lucros das empresas dos mais diversos setores e beneficiando os investimentos no exterior, especialmente nas bolsas americanas, que lideram o processo.

Castro acredita que a bolsa americana não está cara apesar de o índice S&P500 ter subido quase 3.500 pontos desde o início da década. “Dá impressão de que perdemos o bonde, mas, olhando a relação preço-lucro do índice, hoje ele está levemente abaixo da média histórica, entre 19 vezes e 20 vezes o lucro”, diz. “Toda essa alta, que dá mais ou menos 50% na década, veio do lucro maior das empresas e, portanto, você investindo hoje não perdeu o bonde da história, está comprando no mesmo valuation que teria comprado há seis anos”, acrescenta.

Assim como a bolsa, o crédito também se beneficia das economias em crescimento, o que é bom especialmente para os tomadores de maior risco (high yield), incluindo empresas e países emergentes, como o Brasil. “Isso ocorre porque a inadimplência fica muito baixa e os spreads de crédito estão altos”, explica Castro.

Segundo ele, a tendência é de os juros longos subirem ainda mais, já que, se a empresa que emite papéis espera retornos de 20% a 25% em seu negócio, caso do setor de tecnologia, ela vai continuar aceitando taxas maiores, puxando o custo do capital em geral para cima e disputando os recursos do mercado com o governo. “Isso vai afetar outros setores que não têm o mesmo nível de retorno e o primeiro a ser afetado deve ser o residencial, pela subida do custo do financiamento imobiliário”, diz. Assim, o investidor deverá ficar atento para procurar setores que consigam conviver com esses custos maiores e com lucratividade maior ou crescente.

Já com relação às moedas, Castro diz que não necessariamente o fundamento macro explica o que acontece com as divisas no curto prazo. E dá o exemplo da Coreia do Sul, que está com o setor público ajustado e crescendo e a moeda se desvalorizou por conta do diferencial de juros e dos fluxos de capitais. “Em uma janela de 12 meses, com exceção do Japão, todas as moedas estão estáveis e aquelas que estão se enfraquecendo são as que têm juros mais baixos”, explica.

Mas se todos os governos dos países estão se endividando mais, pode ocorrer o chamado debasement, processo em que várias moedas perdem valor em relação a ativos reais, commodities ou bolsa, alerta Castro. “Portanto, se um governo tem excesso de endividamento, é mais uma razão para o investidor diversificar e não ficar só em renda fixa”, recomenda. “Não que a renda fixa seja ruim, mas ela não deve ser sua única saída na construção do portfólio lá fora”, defende.

Para Castro, o Federal Reserve faz a reunião que termina nesta quarta em uma situação muito desconfortável, assim como outros bancos centrais. “O setor público segue gastando bastante e isso pressiona a atividade e os preços de serviços e a inflação não volta para baixo”, explica. “Só resta ao banco central puxar o juro e o custo de capital para desacelerar o consumo”, acrescenta. Segundo ele, o que se verá no mundo todo é a política fiscal pisando no acelerador e a monetária, no freio.

Por isso, a tendência, segundo Castro, é que as taxas de juros longas sigam em alta até que produzam uma desaceleração maior da atividade. “Alguns setores devem se tornar inviáveis pelo juro muito alto, mas ainda não estamos perto disso”, afirma.

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