O Bank of America (BofA) vê espaço para um ciclo mais longo de cortes de juros no Brasil, favorecendo empresas mais sensíveis à Selic. O banco projeta reduções de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Banco Central até dezembro de 2027, levando a taxa básica a 11,25%, diante da desaceleração da atividade, inflação mais comportada e menor ritmo de expansão do crédito. A projeção anterior para o fim de 2027 era de 12,75% e foi para 11,25%; para 2026, a expectativa ao fim do período foi de 13,75% para 13,25%.
Nesse cenário, o BofA mantém preferência por empresas chamadas de “bond proxies” (com desempenho parecido com títulos), companhias com resultados mais previsíveis e que tendem a se beneficiar da queda dos juros. Entre os destaques estão Equatorial (EQTL3), Ecorodovias (ECOR3) e Allos (ALOS3).

Vale negocia com desconto menor do que parece ante concorrentes, diz XP
Corretora manteve recomendação neutra para os papéis, avaliando que a relação entre risco e retorno está equilibrada nos níveis atuais

Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai mais de 1% com exterior e Brasília em foco
Bolsas recuam com preocupações sobre IA e alta do petróleo
Equatorial é favorita entre utilities
A Equatorial é a principal escolha do BofA entre as empresas de energia para um cenário de maior apetite a risco. O banco destaca a sensibilidade da companhia aos juros de curto prazo, além de uma taxa interna de retorno (TIR) real de aproximadamente 12%.
A companhia também possui potenciais catalisadores ligados a aquisições no segmento de distribuição de energia e melhorias regulatórias.
A Axia (AXIA3), por sua vez, pode ter bom desempenho tanto em um ambiente de maior apetite a risco quanto em um cenário defensivo. O BofA destaca o maior beta da companhia dentro de sua cobertura e um dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) estimado entre 11% e 15% em 2026 e 2027.

Copom não fará pausa e deve cortar juro a 13,25% em 2026, avalia XP
Cenário econômico tem sido misto para a inflação, mas comitê deve enfatizar as evidências adicionais de desaceleração da atividade para sustentar calibração.

Copom deve cortar juros, mas eleição, El Niño e petróleo travam sinalização do BC
Atividade recuou e inflação arrefeceu, mas incertezas e pressões altistas para a inflação dividem mercado sobre próximos passos da autoridade monetária.
Para investidores mais cautelosos, a ISA Energia (ISAE4) é a principal escolha defensiva do banco, com TIR real de aproximadamente 10% e potencial de alta superior a 15% caso seja solucionada sua obrigação previdenciária.
Ecorodovias (ECOR3) tem maior maior taxa de retorno
O BofA mantém preferência por Motiva (MOTV3) e Ecorodovias em relação à Rumo (RAIL3).
A Ecorodovias se destaca com a maior TIR real entre as bond proxies, de aproximadamente 17%, e pode superar o setor caso os cortes de juros sejam maiores ou mais rápidos do que o esperado.
A Motiva é vista como uma alternativa mais defensiva, com TIR real de cerca de 11% e potenciais catalisadores relacionados a alterações contratuais e discussões sobre reequilíbrios.
Já a Rumo apresenta TIR real de 9,7%, mas seu potencial depende de uma recuperação do ciclo de grãos, cujo momento ainda é incerto.
Allos é destaque entre shoppings
Apesar de considerar as TIRs do setor de shoppings pouco atrativas em relação a outras bond proxies, o BofA mantém a Allos como principal escolha.
O banco destaca a maior previsibilidade dos resultados do setor, mas observa que os números recentes mostraram tendências operacionais mais fracas, o que limita o espaço para uma nova reprecificação das ações.
A Allos negocia a 9 vezes o P/FFO (preço sobre fluxo de caixa proveniente das operações) estimado para 2027 e apresenta dividend yield projetado de 13%.
Vivo e TIM seguem caras para o BofA
Mesmo após a correção recente das ações, o BofA mantém postura cautelosa com Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3). As TIRs implícitas são de 9,2% para a Vivo e 8,9% para a TIM, ainda abaixo do potencial oferecido por outras empresas sensíveis aos juros.
Por outro lado, o banco avalia que múltiplos próximos de 4 vezes o EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) podem representar um piso para os papéis, especialmente entre investidores estrangeiros. Uma melhora do ambiente competitivo também poderia abrir espaço para recuperação das ações.
The post BofA vê Selic a 11,25% em 2027 e aponta ações que podem ganhar com cortes appeared first on InfoMoney.

