Trocar uma carreira já estabelecida por uma profissão nova envolve mais do que disposição para começar de novo. É preciso entender o mercado, desenvolver novas habilidades e, principalmente, aceitar que os primeiros resultados podem vir de caminhos diferentes do planejado.
Foi assim com Gustavo Denerval Sanches, de 29 anos. Formado em Engenharia Mecânica pela UTFPR e morador de São José do Rio Preto (SP), ele trabalhava com Sales Operations e Enablement antes de entrar no mercado financeiro. Hoje, atua como assessor de investimentos e soma cerca de R$ 21 milhões sob gestão.
O número chama a atenção, mas a trajetória até ele é menos linear do que pode parecer.
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O desafio de começar do zero
A formação em engenharia ajudava no lado analítico, mas não resolvia uma das principais dificuldades de quem entra na assessoria: conquistar a confiança dos clientes.
“Muita gente associa o mercado financeiro apenas ao conhecimento técnico, mas a construção de confiança e a captação de clientes são tão desafiadoras quanto”, afirma.
Antes de começar a atuar, Gustavo se preparou para a certificação da ANCORD. Levou cerca de dois meses para se preparar e foi aprovado na segunda tentativa.
Os simulados tiveram papel importante no processo, segundo ele. Além de testar os conhecimentos, ajudaram a entender o formato da prova e identificar os pontos que precisavam ser reforçados.
O processo, entretanto, não terminou na primeira tentativa. Gustavo foi reprovado na primeira prova e conseguiu a aprovação na segunda. Ao todo, levou cerca de dois meses de preparação.
O episódio também mudou a forma como ele enxerga a preparação para a certificação.
“Eu começaria estruturando melhor a base teórica logo no início e depois focaria ainda mais em simulados.” Para ele, a combinação entre conhecimento teórico e treino de prova foi o que fez diferença na aprovação.
Mas a certificação era apenas o primeiro passo.
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O primeiro cliente veio antes de uma grande estratégia comercial

Depois da certificação, surgiu outra questão: como conquistar os primeiros clientes?
Gustavo poderia ter começado pela prospecção fria, tentando abordar pessoas e empresas com as quais não tinha relacionamento.
Não foi o que aconteceu.
Os primeiros clientes vieram da própria rede de relacionamentos.
Eram pessoas que já conheciam Gustavo, sabiam de seu interesse pelo mercado financeiro e tinham confiança suficiente para conversar com ele sobre investimentos.
A estratégia trouxe resultado rápido. No primeiro mês, ele conquistou seus primeiros clientes e chegou ao primeiro R$ 1 milhão sob gestão.
O dado, porém, precisa ser entendido dentro do contexto da trajetória.
Não se tratava de alguém começando sem qualquer relacionamento ou experiência profissional. Gustavo utilizou uma rede de confiança que já existia antes da entrada na profissão.
Além de gerar os primeiros negócios, essa rede teve outra função: permitiu que ele testasse seu discurso, entendesse melhor as necessidades dos clientes e aprimorasse seu modelo de atendimento.
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O que não funcionou no começo?
Nem toda estratégia deu certo. Uma das tentativas que Gustavo abandonou foi a prospecção de empresas e pessoas que não tinham nenhum relacionamento prévio com ele.
No início da carreira, ainda sem muita bagagem, confiança ou um processo comercial estruturado, a abordagem consumia tempo e energia sem trazer o mesmo resultado obtido por meio da rede de contatos.
A experiência ajudou a entender uma característica importante da profissão: construir uma carreira como assessor não depende apenas de encontrar potenciais clientes, mas de desenvolver um processo capaz de transformar relacionamento em confiança e confiança em negócios.
Com o tempo, as recomendações dos próprios clientes passaram a ter um papel cada vez maior.
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Das primeiras indicações aos R$ 21 milhões sob gestão

A rede de relacionamentos abriu as primeiras portas. As indicações ajudaram a ampliar a carteira.
Segundo Gustavo, as recomendações dos clientes foram o principal fator de aceleração de seu crescimento.
A lógica é simples: um cliente satisfeito apresenta o assessor a alguém de seu próprio círculo, criando uma nova oportunidade de relacionamento.
Esse movimento contribuiu para que a carteira crescesse ao longo do tempo.
Hoje, Gustavo soma aproximadamente R$ 21 milhões sob gestão.
O número representa uma mudança significativa em relação ao início da carreira, mas ele não encara o resultado como uma linha de chegada.
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O que a carreira de assessor mudou na vida dele?
Para Gustavo, a mudança profissional foi maior do que uma troca de área.
Ele destaca a autonomia para trabalhar com uma estratégia própria, o contato com profissionais qualificados e a possibilidade de continuar aprendendo como alguns dos principais impactos da nova carreira.
“É uma carreira onde o esforço tende a ser recompensado de forma direta, e isso traz muita motivação.”
Mas a experiência também trouxe uma visão mais realista sobre o que é trabalhar como assessor de investimentos.
A profissão exige conhecimento técnico, mas também relacionamento, capacidade comercial, resiliência e consistência. A certificação é uma etapa importante, mas está longe de representar o fim da preparação.
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Afinal, vale a pena ser assessor de investimentos?
Para quem considera entrar no mercado financeiro, Gustavo recomenda entender primeiro como funciona a profissão e avaliar se o modelo de carreira combina com os próprios objetivos.
“É uma carreira exigente, que pede resiliência e consistência, mas ainda com enorme potencial no Brasil.”
A recomendação dele é estudar o mercado, conhecer o modelo de crescimento e entender que os resultados não acontecem necessariamente de forma imediata.
No seu caso, a trajetória começou com uma mudança de carreira, passou por uma reprovação na certificação, ganhou tração a partir dos relacionamentos e chegou, até aqui, aos R$ 21 milhões sob gestão.
O próximo capítulo ainda está sendo escrito.
E, se hoje Gustavo tivesse que resumir o que significa ser assessor de investimentos, escolheria uma frase que também explica por que decidiu seguir esse caminho:
“Ser assessor é ajudar pessoas a tomarem decisões melhores hoje para viverem com mais liberdade amanhã.”
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