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Holanda retira 59 toneladas de ouro dos EUA e reforça posição em Londres

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Holanda retira 59 toneladas de ouro dos EUA e reforça posição em Londres

Os bancos centrais costumam distribuir suas reservas de ouro entre diferentes países, equilibrando a segurança de manter parte dos ativos em casa com a facilidade de negociar ou movimentar o metal nos principais centros financeiros do mundo.

Mas o aumento das tensões geopolíticas tem levado autoridades monetárias a reavaliar onde suas reservas estão guardadas. Um número crescente de bancos centrais considera diversificar ou trazer de volta para o país o ouro mantido no exterior, segundo uma pesquisa recente com gestores de reservas.

A decisão da Holanda ocorre poucos meses depois de o banco central francês vender as reservas de ouro que mantinha nos Estados Unidos e substituí-las por ouro armazenado em Paris. Segundo a instituição, a operação teve como objetivo adequar suas barras aos padrões internacionais.

A Alemanha, dona da segunda maior reserva de ouro do mundo, também enfrenta há anos pressões para repatriar parte do metal guardado em Nova York. Neste ano, o partido de direita AfD apresentou uma proposta no Parlamento alemão para trazer de volta todo o ouro mantido fora do país. O argumento é que o governo Trump poderia usar o controle de ativos armazenados nos EUA como instrumento de pressão sobre a Alemanha.

“Manter uma parcela maior das reservas de ouro em Londres fortalece o papel do ouro como um ativo de confiança”, afirmou o banco central holandês.

A instituição mantém 30,8% de suas 612,4 toneladas de ouro em seu centro de custódia em Zeist, cidade localizada ao sudeste de Amsterdã.

A mudança foi realizada por meio da venda de cerca de 59 toneladas de ouro em Nova York e da compra de volume equivalente em Londres. Além disso, mais de 27 toneladas foram transportadas fisicamente dos Estados Unidos e do Canadá para Zeist, enquanto quantidade semelhante foi posteriormente transferida para a capital financeira britânica.

Os preparativos da operação só foram divulgados após sua conclusão. Segundo o ministro das Finanças da Holanda, Eelco Heinen, o sigilo foi necessário por se tratar de uma questão de interesse público relevante.

Não é a primeira vez que a Holanda reduz sua exposição ao ouro armazenado nos Estados Unidos. Em 2014, o banco central holandês diminuiu a parcela mantida em Nova York, que representava 51% do total das reservas, e repatriou parte do metal. Na época, a justificativa foi alinhar a estratégia do país à de outros bancos centrais que preferem manter uma fatia maior de suas reservas em território nacional.

O gigantesco estoque de ouro de bancos centrais custodiado em Nova York é, em grande parte, herança da Segunda Guerra Mundial e do sistema de Bretton Woods. Naquele período, países europeus transferiram ouro para os Estados Unidos em busca de segurança e, posteriormente, acumularam reservas em dólares que podiam ser convertidas no metal.

Esse estoque chegou a superar 12 mil toneladas de ouro monetário em 1973, no auge do sistema, mas desde então encolheu para menos da metade.

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