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Blue chips e bancos levam Bolsa ao maior nível em 4 meses; MGLU3 e AZZA3 disparam

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Blue chips e bancos levam Bolsa ao maior nível em 4 meses; MGLU3 e AZZA3 disparam

O Ibovespa acelerou os ganhos nesta quarta-feira (2) e voltou aos maiores níveis em cerca de quatro meses, apoiado principalmente pela valorização de ações de grande peso, como Vale (VALE3), bancos e Petrobras.

O movimento positivo era disseminado entre as principais blue chips da Bolsa brasileira e ocorria em meio à melhora recente do fluxo estrangeiro, ao desempenho de commodities e também à repercussão de uma nova pesquisa eleitoral mostrando uma disputa mais apertada pela Presidência da República.

Além das ações que mais pesam no índice, o pregão tinha movimentos expressivos em empresas específicas. Magazine Luiza (MGLU3) e Azzas 2154 (AZZA3) apareciam entre os principais destaques, impulsionadas por notícias corporativas.

Na avaliação de Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, a redução da pressão vendedora dos investidores estrangeiros no fim de agosto já representa um fator relevante para a recuperação do mercado brasileiro.

“Investidores estrangeiros pararam de vender bolsa do Brasil massivamente, como ocorreu na primeira metade do mês de agosto. Só por isso, o fluxo já melhorou e muito e deu uma impulsionada na bolsa”, afirmou.

Vale sobe mesmo com minério mais fraco e paga R$ 8,6 bilhões em proventos

Por volta das 13h20, as ações da Vale (VALE3) avançavam 2,21% e figuravam entre os principais suportes do Ibovespa na sessão. O desempenho ganha relevância pelo peso da mineradora na carteira teórica: a companhia representa mais de 11% do índice.

A alta ocorria mesmo em um pregão negativo para o minério de ferro na China. O contrato mais negociado da commodity na Bolsa de Mercadorias de Dalian recuava, mostrando um descolamento entre as ações da mineradora e a principal referência para o minério no mercado asiático.

Além do movimento da Bolsa, esta quarta-feira também marca o pagamento de R$ 8,6 bilhões em proventos pela Vale. A distribuição se refere aos resultados financeiros apurados no primeiro e no segundo trimestres de 2026 e combina dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

No total, a companhia paga R$ 2,0307 por ação, sendo R$ 0,462016 em dividendos e R$ 1,568706 em JCP. Têm direito ao pagamento os investidores que estavam posicionados em VALE3 até 11 de agosto.

O papel também se insere em um movimento recente de procura de investidores por grandes empresas brasileiras com forte geração de caixa e capacidade de distribuição de proventos, justamente em um momento de melhora do fluxo para a Bolsa.

Banco do Brasil ganha com proventos e cenário eleitoral

O Banco do Brasil (BBAS3) avançava 5,64% e figurava entre as maiores contribuições positivas do setor financeiro. O movimento reúne dois catalisadores: a atualização do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) complementar e a reação dos investidores ao ambiente eleitoral.

O banco informou o valor atualizado do provento, reforçando um dos atributos tradicionalmente acompanhados pelos investidores no papel: a distribuição de dividendos e JCP. Ao mesmo tempo, BBAS3 voltou a funcionar como um dos principais termômetros da percepção de risco político na Bolsa.

Para Luiz Mendes, head de alocação da Angatu Private, a valorização recente reflete uma confiança maior de investidores em uma candidatura mais alinhada à direita e na possibilidade de alternância de governo.

“Pegando desde quinta-feira passada para cá, praticamente voltou a tônica de um mercado acreditando em uma alternância de governo e um dos cavalos em que o mercado quer estar comprado nesse contexto é o BB, apesar do cenário para o agronegócio estar desafiador”, afirma Mendes.

Itaú e demais bancos reforçam avanço

O movimento comprador também alcançava os demais grandes bancos listados. Itaú Unibanco (ITUB4) subia 3,18, enquanto Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11) registravam valorização de 1,82, 1,30% e 2,72, respectivamente.

Além do ambiente mais favorável para os ativos domésticos, o mercado acompanhava novas sinalizações do Banco Central relacionadas ao crédito às famílias. A autoridade monetária informou que prepara medidas diante da elevada participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida das famílias.

Segundo o BC, as iniciativas buscam garantir o reconhecimento tempestivo dos riscos. O tema ganha importância para o setor bancário em um ambiente no qual investidores acompanham inadimplência, custo do crédito e comportamento das carteiras diante do nível ainda elevado dos juros.

O desempenho conjunto das instituições financeiras ganhava peso adicional no Ibovespa justamente pela participação relevante dos bancos na composição do índice.

Petrobras sobe com petróleo e também entra no trade eleitoral

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) avançavam 2,06% e 2,20%, respectivamente, adicionando mais um suporte relevante ao Ibovespa em uma sessão positiva para várias das maiores empresas da Bolsa.

O papel reunia dois vetores no pregão. De um lado, a Petrobras também é sensível ao chamado trade eleitoral, uma vez que o controle estatal faz com que mudanças nas expectativas para a disputa presidencial afetem a percepção dos investidores sobre governança, política de preços, investimentos e distribuição de dividendos.

De outro, a companhia encontrava suporte na alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio e às preocupações com a oferta global de energia. O barril do Brent era negociado a US$ 95,61, mantendo a commodity em patamar elevado.

A combinação entre o avanço do petróleo, o ambiente doméstico mais favorável e o elevado peso da Petrobras na composição do Ibovespa ajudava a ampliar a contribuição da companhia para o desempenho do mercado nesta quarta-feira.

B3 avança após vitória de R$ 2,2 bilhões no Carf

A B3 (B3SA3) subia 3,91, com investidores repercutindo uma decisão favorável da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O órgão cancelou definitivamente dois autos de infração da Receita Federal relacionados à venda de ações do CME Group em 2015 e 2016.

As autuações somavam R$ 2,2 bilhões, em valores atualizados até junho de 2026. Os processos questionavam a inclusão de variações cambiais positivas no custo de aquisição da participação da B3 no CME para o cálculo do ganho de capital sujeito a IRPJ e CSLL.

O Goldman Sachs classificou a decisão como positiva por eliminar um dos riscos acompanhados na tese de investimento da companhia. O banco ressaltou, contudo, que não espera impacto nas demonstrações financeiras, uma vez que os processos eram classificados como de perda possível.

Ainda assim, a instituição considera relevante a redução da exposição da B3 a disputas tributárias e judiciais. O Goldman manteve recomendação de compra para a ação e preço-alvo de R$ 21 em 12 meses.

Magazine Luiza dispara com parceria com Mercado Livre

Entre os maiores destaques individuais do pregão, o Magazine Luiza (MGLU3) disparava 20,91% após anunciar uma parceria com o Mercado Livre (MELI34) para ampliar a distribuição de seus produtos pelo marketplace da companhia de comércio eletrônico.

Pelo acordo, a Magalu listará cerca de 27 mil SKUs de seu estoque próprio na plataforma do Mercado Livre, com início das vendas previsto para setembro. A parceria também inclui produtos da KaBuM! e da Época Cosméticos, enquanto a Netshoes deverá ser adicionada posteriormente.

Os termos seguem uma lógica semelhante à parceria anunciada pela Magalu com a Amazon em junho e ao acordo que o Mercado Livre já mantém com a Casas Bahia. A iniciativa amplia os canais de venda da varejista e sua exposição aos consumidores que utilizam outros marketplaces.

A companhia também atualizou sua estratégia de quick-commerce, com uma nova aba “Magalu Delivery” dentro do aplicativo. A ferramenta dá acesso à rede de restaurantes, supermercados e farmácias operada pela Aiqfome, plataforma de entregas adquirida pelo grupo em 2020.

Em avaliação preliminar, o Citi considerou a parceria positiva para Magazine Luiza e Mercado Livre. O banco, porém, afirmou que ainda precisa de maior visibilidade sobre comissões, mix de produtos, logística e eventual sobreposição dos canais de venda antes de mensurar com maior precisão os efeitos financeiros da operação.

Azzas dispara com plano para separar Arezzo&Co e SOMA

As ações da Azzas 2154 (AZZA3) também apareciam entre as maiores altas da sessão, com valorização de 9,29%, após a companhia anunciar um acordo entre os acionistas Alexandre Birman e Roberto Jatahy para reorganizar o grupo.

A proposta prevê separar os negócios em duas companhias abertas e independentes, ambas listadas no Novo Mercado da B3. A Arezzo&Co ficará sob liderança do bloco Birman, enquanto a SOMA terá o bloco Jatahy como principal acionista de referência.

A operação será realizada em duas etapas. Primeiro, ocorrerá uma cisão parcial para distribuir marcas e operações entre as duas empresas. Depois, os blocos de acionistas realizarão uma permuta de ações para chegar à estrutura societária pretendida.

A Arezzo&Co ficará com as operações de Shoes & Bags, incluindo Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, além da Hering e suas extensões. A companhia também deterá 57,4% da FARM Rio.

A SOMA, por sua vez, reunirá Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Reserva e suas extensões, Oficina e Foxton, além dos 42,6% restantes da FARM Rio.

Depois da reorganização, o bloco Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e 6,18% da SOMA, enquanto o bloco Jatahy deterá 25,95% da SOMA. Os demais acionistas ficarão com 67,87% de cada uma das duas companhias.

Segundo a Azzas, a separação permitirá que cada empresa tenha administração e governança próprias, maior foco em seus respectivos negócios e acesso independente ao mercado de capitais e a fontes de financiamento.

A operação ainda depende de aprovações societárias, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da listagem das ações da SOMA no Novo Mercado da B3. A companhia afirmou que a cisão parcial não dará direito de retirada aos acionistas da Azzas 2154.

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