Em uma articulação de bastidores, que mostra o poder de influência dos donos da maior processadora de proteína animal do mundo, a JBS, sobre Washington, o empresário brasileiro Joesley Batista, um dos controladores da companhia, reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 20 de agosto, no Salão Oval da Casa Branca, segundo revelou o jornal The Wall Street Journal. O encontro teve como foco a escalada nos preços da carne bovina nos EUA e a flexibilização de tarifas de importação.
Durante a reunião confidencial, Joesley apresentou a Trump uma solução comercial para mitigar a inflação dos alimentos, que hoje representa um desafio para o presidente americano frente à população. O empresário explicou que o aumento no fornecimento de carne bovina proveniente do Brasil — maior produtor de carne bovina do mundo — poderia atuar como um freio na alta de preços para os consumidores. Não se saber como o encontro foi articulado, diz o jornal. Mas, no ano passado, Joesley Batista, já tinha se encontrado com Trump e ajudou a promover um encontro enre o presidente americano e com Lula.

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Para viabilizar essa estratégia, Joesley propôs que Trump eliminasse a tarifa de importação de 25% atualmente cobrada sobre o produto brasileiro. De acordo com fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pelo jornal, essa flexibilização permitiria à JBS expandir de forma significativa sua participação de mercado nos Estados Unidos. A JBS tem uma operação expressiva nos EUA, de onde saem cerca de 50% da receita do grupo.
As exportações de carne bovina do Brasil para o mercado americano somaram cerca de US$ 1,5 bilhão apenas nos primeiros seis meses deste ano, registrando um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o jornal, no dia seguinte ao encontro, Donald Trump utilizou suas redes sociais para anunciar um plano emergencial para permitir, em caráter temporário, a entrada de volumes adicionais de carne bovina estrangeira no país, abrindo uma cota extra de 300 mil toneladas. Trump determinou que os produtos importados sob esse plano especial sejam comercializados no mercado doméstico com um desconto de 25% em relação aos preços de mercado vigentes.
No mesmo dia em que o plano veio a público, o governo brasileiro informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma longa conversa telefônica de 80 minutos com Trump, na qual debateram tarifas, segurança pública e o cenário geopolítico global. Ontem, representantes do dois governos voltaram a conversar sobre possível flexibilização de tarifas de outros produtos brasileiros, mas não houve avanços.
Proximidade com a Casa Branca
A relação de proximidade da JBS com a Casa Branca possui raízes financeiras importantes, dioz o WSJ. Conforme reportado pelo jornal, a Pilgrim’s Pride — segunda maior processadora de carne de frango dos EUA e controlada pela JBS — foi a maior doadora individual para as celebrações de posse de Trump, com uma contribuição expressiva de US$ 5 milhões.
O lobby da JBS, diz o jornal, ocorre em paralelo a fortes pressões regulatórias e de mercado enfrentadas pela empresa. O Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA mantém uma investigação em curso contra as quatro maiores processadoras de carne do país, incluindo a JBS, por supostas práticas anticompetitivas.
Simultaneamente, as operações nos EUA têm sido afetadas pelo encarecimento do gado para processamento local. O cenário financeiro adverso levou gigantes como a Tyson Foods e a própria JBS a fecharem plantas industriais após acumularem perdas de centenas de milhões de dólares, disse o WSJ.
Diante deste gargalo, a importação de porteína brasileira surgiu como uma alternativa comercial estratégica para a JBS, que listou suas ações na Bolsa de Nova York em 2025 visando consolidar sua imagem como uma potência global do setor.
Apesar de aliviar temporariamente o bolso do consumidor de hambúrgueres, a dcisão de Trump gerou forte indignação na base de apoio tdo Partido Republicano. A National Cattlemen’s Beef Association, principal associação dos pecuaristas americanos, manifestou-se contra a medida, afirmando que a entrada subsidiada de carne estrangeira prejudica os produtores locais e ameaça a estabilidade financeira de longo prazo da pecuária doméstica.
O anúncio também causou atrito político imediato no Capitólio, diz o WSJ. Parlamentares republicanos que enfrentam disputas eleitorais acirradas em distritos predominantemente rurais nas eleições de meio de mandato manifestaram oposição ao plano de Trump, temendo o impacto negativo da concorrência direta com a carne importada sobre o agronegócio americano.
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