O Ibovespa fechou o pregão desta terça-feira (1) com alta de 1,30%, aos 179.722,48 pontos, mas na máxima da sessão rompeu os 181 mil pontos, patamar que não era visto há quase quatro meses.
O desempenho da bolsa ignorou a revelação do jornal O Estado de S. Paulo de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes analisou um contrato de R$ 131 milhões firmado entre sua esposa e o banqueiro do caso Master, Daniel Vorcaro.
Segundo o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, não houve uma mudança no ritmo de alta de alta da bolsa, assim que as notícias sobre o caso Moraes-Vorcaro veio à tona.
“É possível que o mercado aguarde um pouco para interpretar isso, para fazer cálculo político e entender: a quem isso prejudica mais? Se isso prejudica mais o Flávio (Bolsonaro) ou ao Lula. Se é que prejudica e se isso muda as chances eleitorais de alguém”, disse.
Com isso, o otimismo com as eleições voltou a dar o tom dos negócios na bolsa de valores, por meio de um movimento mais específico: a montagem de posições pelos investidores, inclusive estrangeiros, em opções de compra (calls) para dezembro do EWZ, maior ETF ligado a ações brasileiras negociado em Nova York, e Petrobras.
Essa dinâmica acaba gerando demanda no mercado à vista porque quem vende essas opções precisa se proteger de uma eventual alta dos ativos e, para isso, compra ações ou cotas do ETF. No caso do EWZ, essa busca pode chegar à Bolsa brasileira por meio das operações que mantêm o ETF alinhado ao valor das ações que compõem sua carteira.
O aumento do fluxo levou o Ibovespa a subir de forma consistente desde a abertura do pregão, consolidando o décimo pregão consecutivo de altas. No fim do dia, o índice não se sustentou nos 180 mil pontos, mas cravou uma alta de 1,30%, aos 179.722,48 pontos. Em Nova York, o EWZ sobe 1,50%.
“O que estamos identificando é uma entrada de estrangeiro no EWZ, em montagem de opções EWZ e Petrobras para dezembro. É um fluxo voltando, e o mercado está à mercê de fluxo”, afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. “As últimas pesquisas eleitorais mostram estreitamento das diferenças entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro e isso anima o mercado, que espera alternância de poder para tentar mudar algo do lado fiscal.”
Para Luiz Mendes, head de alocação da Angatu Private, o desempenho forte do Banco do Brasil mais recentemente é outro indício dos investidores mais confiantes na força da chapa à direita. A ação do banco acumula sua quarta sessão seguida de alta, de 6,4%.
“Pegando desde quinta-feira passada para cá, praticamente voltou a tônica de um mercado acreditando em uma alternância de governo, e um dos cavalos em que o mercado quer estar comprado nesse contexto é o BB, apesar do cenário para o agronegócio estar desafiador”, diz ele. “BB dá pistas do mercado querendo acreditar em novo governo, enquanto grandes hedge funds estão se posicionando em calls de EWZ ou BOVA11“, diz.
Para além desses aspectos, por mais um dia, a alta do petróleo embalou os papéis da Petrobras, ainda na esteira dos conflitos entre EUA e Irã.
O fechamento do estreito de Ormuz segue dando o ritmo do movimento da commodity, atingindo diretamente a estatal. Nesta terça, contrato Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 4,6%, a US$ 94,65 por barril – e a Petrobras avançou mais de 4%.
(Com Reuters e Estadão Conteúdo)
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