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Prefixados do Tesouro Direto avançam após fala dura do presidente do Fed

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Prefixados do Tesouro Direto avançam após fala dura do presidente do Fed

As taxas do Tesouro Direto abrem em movimento dividido nesta sexta-feira (28), com os prefixados em alta e os títulos de inflação em leve queda, após o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole.

O Tesouro Prefixado 2029 e o Prefixado 2032 lideraram a abertura, ambos com alta de 6 pontos-base. O primeiro subiu de 14,10% na quinta-feira para 14,16% nesta manhã, e o segundo foi de 14,49% para 14,55%. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou de 14,51% para 14,54%.

Nos títulos de inflação, o movimento foi contrário, diante do humor ligeiramente melhor no trecho mais longo da curva americana. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 recuou de 7,69% para 7,66%, o IPCA+ 2032 caiu de 8,00% para 7,98%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 foi de 7,46% para 7,45%. O IPCA+ 2040 permaneceu em 7,46%, o IPCA+ 2050 seguiu em 7,27% e o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 ficou em 7,32%, os três sem variação.

Em seu primeiro discurso desde que assumiu o comando do Fed em maio, Warsh alertou que a inflação não está desacelerando de forma significativa e afirmou que os dirigentes precisam ter confiança de que ela está convergindo para a meta. Caso contrário, disse, a instituição ainda terá trabalho a fazer. O presidente do Fed classificou o objetivo de 2% como uma meta firme e inalterável.

“Embora os dados de PCE e CPI deste verão tenham vindo melhores do que o esperado, eles não me mostram que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa”, afirmou, segundo a Bloomberg. Warsh acrescentou que as condições financeiras atualmente não são restritivas e que os juros seguem como a principal ferramenta do Fed para cumprir seu mandato.

A reação nos Estados Unidos foi imediata e concentrada nos vencimentos curtos. O rendimento do Treasury de dois anos, que costuma responder às expectativas para as decisões de juros de curto prazo do Fed, subiu até 8 pontos-base, alcançando 4,314%, maior patamar desde julho. Na ponta longa, o movimento foi oposto: o papel de 30 anos recuou 1 ponto-base, para 5,179%, enquanto o de dez anos subiu 2 pontos-base, para 4,692%.

Andressa Durão, economista do ASA, avalia que o discurso foi hawkish (pró alta de juros) e mais completo do que o esperado. Segundo ela, Warsh deu claramente mais peso ao mandato da inflação do que ao do emprego, classificou a economia como forte e resiliente e atribuiu a fraqueza do mercado de trabalho a uma questão de oferta, avaliando que o emprego se encontra em patamar compatível com o pleno emprego.

Durante o discurso, os investidores ampliaram as apostas em alta de juros nos Estados Unidos já em setembro. A probabilidade de elevação de 25 pontos-base subiu para 43,5% por volta das 11h25, ante 35,7% registrados antes da fala, segundo a ferramenta CME FedWatch. O movimento reverte parte da forte redução observada ao longo do mês, já que no fim de julho essa probabilidade superava 70%.

No câmbio, o dólar à vista voltou a superar os R$ 5,20 ao longo da manhã. Com a Selic em 14% ao ano, o diferencial de juros vinha sendo apontado como fator favorável à atração de dólares para o país, quadro que agora se altera diante da possibilidade de alta nos EUA e da perspectiva de novos cortes no Brasil.

No cenário doméstico, o IGP-M caiu 0,22% em agosto, ante recuo de 1,16% em julho, próximo da expectativa de queda de 0,25% em pesquisa da Reuters. Em 12 meses, o índice acumula alta de 2,16%. O IBGE informou ainda que os preços ao produtor recuaram 0,83% em julho, levando o acumulado em 12 meses a uma alta de 1,94%.

A precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava, na última quarta-feira, 88,5% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em setembro, contra 10,9% de probabilidade de manutenção. Ainda nesta sexta, às 14h30, o dado do Caged mostrará as aberturas formais de vagas de trabalho em julho.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 11h58 desta sexta-feira (28):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,073%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202914,16%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,55%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,54%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,98%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,66%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,46%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,45%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,27%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,32%15/08/2060

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