O chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, falará para uma plateia de economistas e representantes de bancos centrais internacionais nesta sexta-feira, com investidores de todo o mundo atentos para que ele forneça mais detalhes sobre a economia, a recente volatilidade nos mercados de títulos e os riscos que pesam sobre as perspectivas para os Estados Unidos e o mundo.
O discurso de Warsh no prestigiado simpósio econômico do banco central dos EUA em Jackson Hole, no Wyoming, tornou-se um importante teste apenas três meses após o início de seu mandato como chair do Fed.
A questão é se ele conseguirá manter sua abordagem de “menos é melhor” nas comunicações sobre política monetária ou se se sentirá compelido a fornecer pelo menos um roteiro aproximado de como vê a inflação elevada e — o que é fundamental — o que poderia levá-lo a concluir que uma taxa de juros mais alta é necessária para contê-la.
É uma questão que outras autoridades do Fed têm se mostrado dispostos a discutir publicamente, muitas vezes em termos diretos. Essa abordagem mais aberta tem sido a norma em uma era de maior transparência do banco central, sendo que a relutância de Warsh em se aprofundar demais nos detalhes é vista como um elemento ausente.
Horas antes do jantar de abertura da conferência na noite de quinta-feira, alguns colegas de Warsh expuseram os argumentos que justificam por que os juros talvez precisem subir, incluindo o chair do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, anfitrião do evento de Jackson Hole.
“Não sei o que estamos restringindo atualmente com a taxa de juros que adotamos hoje”, disse ele em entrevista à CNBC, indicando que considera que a taxa atual do Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, não está contendo os gastos e os investimentos como seria necessário para desacelerar a inflação. A inflação “continua teimosa e persistente, e precisamos continuar buscando maneiras de superá-la”, disse ele.
“Agora é a hora de agir”, disse a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, em outra entrevista à CNBC, enquanto a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, mostrou-se mais cautelosa.
Em entrevista à Reuters, Collins disse que os dados recentes sobre a inflação são “contraditórios”, com a inflação permanecendo alta demais, mas os detalhes mostrando alguns sinais mais promissores, e a necessidade de um aumento da taxa de juros ainda sendo uma questão em aberto.
A discussão sobre um possível aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros pode parecer trivial em termos de influência imediata sobre a economia, cujas perspectivas de crescimento pareceram melhorar nesta semana após a divulgação de dados sólidos sobre gastos do consumidor e pedidos de bens duráveis em julho.
Mas Warsh, neste momento, precisa deixar claro que está disposto a fazer o que for necessário caso a inflação permaneça significativamente acima da meta de 2% do Fed ou comece a subir novamente, afirmou Adam Posen, presidente do Instituto Peterson de Economia Internacional e ex-membro do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra.
“O que ele deveria fazer é citar a si mesmo em discursos anteriores, coletivas de imprensa e audiências de confirmação: ‘A inflação é a prioridade número um. Vários dos meus pares no Comitê (Federal de Mercado Aberto) manifestaram preocupações. Acho que essas preocupações são legítimas, e não deixaremos de agir no curto prazo’”, disse Posen.
Warsh começará a falar às 11h (horário de Brasília) em um discurso de abertura que dará início a dois dias de discussões em um fórum que, ao longo de quase meio século, evoluiu para se tornar um dos principais espaços para debates sobre bancos centrais e pesquisa econômica.
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