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Guerra, geada e dólar: por que o café é o “trade perfeito” de Martha Matsumura

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Guerra, geada e dólar: por que o café é o “trade perfeito” de Martha Matsumura
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De um lado, um consumo que atravessa guerras, grandes eventos e diferentes momentos econômicos. Do outro, uma oferta vulnerável à chuva, geada e qualidade da safra.

Quando essas forças se desencontram, o café pode percorrer grandes distâncias no gráfico em pouco tempo, exatamente o tipo de movimento que chama a atenção de quem opera volatilidade.

Martha Matsumura foi a convidada do episódio 85 do GainDelas, programa do canal GainCast.

A analista explicou por que o café ganhou espaço em suas análises e como demanda, oferta, clima, posicionamento dos fundos e dólar ajudam a criar algumas das características que mais procura na commodities.

Demanda que resiste

Entre as commodities que passaram por suas análises, o café conquistou um espaço particular.

Além de ter ajudado Matsumura a aprofundar sua compreensão sobre a economia mundial, o ativo também aparece com destaque quando ela revisita seu próprio histórico. “Sempre soube que a minha melhor performance foi em café”, revela.

Parte dessa relação está na resistência da demanda. A analista cita a pandemia como uma exceção observada em seus estudos sobre elasticidade, mas ressalta que, normalmente, o consumo atravessa cenários muito diferentes.

“O café não tem redução de consumo em época de guerra, em época de paz”, destaca.

Além disso, na leitura da analista, o produto não possui um substituto direto. Dessa forma, qualquer ameaça à quantidade disponível pode ganhar rapidamente importância para o mercado.

“Quando eu olho o café em relação às outras commodities, é justamente porque não tem substituto”, explica.

O tamanho desse mercado ajuda a dimensionar porque mudanças na oferta podem ter tanto peso sobre os preços. Matsumura resume essa relevância pela presença da bebida no cotidiano mundial.

“Depois da água, a bebida mais consumida é o café. Então você sabe que tem uma relevância mundial. Ele tem um público fiél”, afirma.

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Quando a oferta aperta

É justamente o encontro entre essa demanda e eventuais restrições na produção que podem provocar alguns dos movimentos mais fortes do café. Para ela, o resultado pode aparecer rapidamente no gráfico.

“Então, em deslocamento de preço muito grande num curto espaço de tempo, aí tem muito dinheiro”, explica.

Por isso, chuva, geada, temperatura e umidade deixam de ser apenas assuntos do campo. Uma piora na qualidade do grão pode reduzir o volume disponível dentro dos padrões exigidos pelos compradores e mudar a percepção sobre a oferta.

“Isso já é redução de oferta, justifica preço para cima também”, observa.

Esse potencial de deslocamento é justamente o que torna a commoditie tão atraente para Matsumura. A possibilidade de capturar um movimento expressivo sem permanecer tanto tempo exposto reúne duas características importantes para seu operacional.

“Para mim, esse é o trade perfeito. Você fica pouco tempo no risco”, define.

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Câmbio muda o jogo

Mesmo quando não surge uma grande novidade relacionada à produção ou ao consumo, outra força pode entrar no preço. O comportamento da moeda americana também participa da dinâmica da commoditie negociada no Brasil.

“O café mexe quando a gente não tem novidade de fundamento, ele mexe com câmbio”, explica.

A analista também acompanha o posicionamento dos grandes fundos no exterior.

Uma concentração de investidores apostando na mesma direção pode ampliar a movimentação caso a expectativa não se confirme e essas posições precisem ser desmontadas.

Justamente por reunir tantas variáveis e apresentar movimentos rápidos, o café exige mais cautela na hora de transformar uma análise em recomendação. Matsumura afirma ser mais seletiva com as chamadas que faz no ativo.

“É que, justamente por ser um ativo mais nervoso, eu não chamo tanta boleta”, explica.

Em vez de buscar participar de cada oscilação, a analista prefere esperar estruturas que justifiquem a exposição e trabalhem com projeções mais longas. A seleção pode reduzir bastante o número de recomendações ao longo do ano.

“Eu quero pegar três, quatro operações no ano que eu falo: ‘É isso aqui, ó. Até o ano que vem. Beijo, tchau’”, sentencia.

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