A corrida eleitoral brasileira entrou oficialmente em sua fase mais intensa, e os mercados financeiros devem acompanhar de perto a evolução das pesquisas e do desempenho dos candidatos nos próximos meses. Em relatório, o JPMorgan avalia que o resultado da disputa terá papel importante na definição da trajetória dos ativos locais nos próximos meses, especialmente do câmbio e dos juros.
Segundo o banco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com vantagem média de cerca de 3,5 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro nas pesquisas de segundo turno. Para os estrategistas, o desempenho dos candidatos será um dos principais determinantes para a direção dos mercados até a votação.
Apesar do aumento das incertezas políticas, o real tem demonstrado maior resistência ao ruído eleitoral neste ano do que em ciclos anteriores. O JPMorgan atribui esse comportamento ao forte interesse de investidores por operações de carry trade, favorecidas pelo elevado diferencial de juros do Brasil em relação a outras economias.
Ainda assim, o banco alerta que a moeda brasileira não está imune aos riscos da disputa presidencial. Na avaliação dos analistas, o posicionamento já bastante carregado em reais por parte dos investidores e a falta de um prêmio de risco mais elevado deixam o câmbio vulnerável a mudanças de percepção sobre o cenário eleitoral.
O mercado de opções também reflete essa cautela. De acordo com a casa, a precificação da volatilidade do evento eleitoral equivale a cerca de 6% de variação implícita no mercado à vista (spot) considerando os dois turnos de votação em conjunto, o que consideramos uma expectativa razoável
Para o banco americano, essa expectativa parece razoável diante do grau de incerteza associado ao processo eleitoral. A instituição entende que os agentes financeiros já começam a incorporar possíveis cenários para os resultados das urnas.
Dois cenários para dólar
Em sua análise, o JPMorgan trabalha com dois cenários principais para o comportamento do câmbio. No cenário considerado negativo para os ativos brasileiros (que o banco chama de “bearish”), a taxa de câmbio poderia alcançar R$ 5,50 por dólar. Já em um cenário mais favorável (chamado de “bullish“), o dólar recuaria para R$ 4,90.
Os estrategistas destacam que, a partir dos níveis atuais, os retornos potenciais dos dois cenários são relativamente simétricos. Isso significa que tanto uma valorização quanto uma desvalorização relevante do real permanecem possibilidades concretas até a definição do pleito.
“Enxergamos os dois principais cenários eleitorais com retornos potenciais amplamente simétricos a partir dos níveis atuais”, escrevem os analistas.
Juros devem incorporar riscos
No mercado de juros, a dinâmica tem sido diferente. De acordo com o relatório, as taxas brasileiras estiveram mais ligadas a fatores globais ao longo deste ano do que a questões políticas ou macroeconômicas domésticas.
O JPMorgan, porém, acredita que essa relação pode mudar nos próximos três meses. À medida que a disputa eleitoral avance e as pesquisas ganhem relevância, os investidores tendem a incorporar com maior intensidade os riscos políticos nas curvas de juros locais.
Embora a precificação atual dos riscos eleitorais no mercado de renda fixa pareça adequada, o banco ressalta que diferentes resultados podem provocar movimentos expressivos. Em um cenário negativo, a projeção é de abertura da curva de juros, com alta de cerca de 90 pontos-base nos rendimentos do índice GBI-EM.
Por outro lado, um desfecho considerado positivo poderia favorecer um movimento de fechamento da curva, com recuo médio de aproximadamente 160 pontos-base nos rendimentos. O JPMorgan observa ainda que o posicionamento dos investidores em juros está moderadamente aplicado, mas gera menos preocupação do que o observado no mercado cambial.
Probabilidade
De forma geral, o banco avalia que o mercado de câmbio embute uma probabilidade maior de um resultado eleitoral favorável do que o mercado de juros. Enquanto o comportamento do real sugere uma percepção próxima de 50% para cada cenário, a precificação dos juros estaria mais próxima de uma divisão de 35% para o cenário positivo e 65% para o negativo.
Na visão dos estrategistas, essa diferença não necessariamente indica uma distorção, dadas as vantagens de carry oferecidas pelo real, mas pode abrir espaço para oportunidades de negociação conforme a eleição se aproxima.
The post Eleições podem levar dólar a R$ 5,50 em cenário negativo para mercado, diz JPMorgan appeared first on InfoMoney.


