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Até 15,80% ao ano: 8 títulos para travar taxa alta na renda fixa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Até 15,80% ao ano: 8 títulos para travar taxa alta na renda fixa

Especialistas vêm recomendando cautela na alocação em renda fixa prefixada, aquela em que o retorno é conhecido no momento da aplicação. No entanto, com prefixados isentos pagando o equivalente a até 15,80% ao ano, e o Copom no quarto corte consecutivo da Selic, abrindo caminho para lucro ainda maior no mercado secundário, a tentação de travar a taxa de hoje é grande.

Segundo analistas, caso o investidor queira aproveitar esse potencial, deve fazer com cuidado para não ser pego de surpresa: esses ativos, afinal, tendem a sofrer mais numa reversão de cenário, e podem penalizar o investidor mais afoito.

Um dos riscos é levar até o final e ganhar o combinado, porém deixar retorno na mesa que poderia ser capturado por ativos atrelados à inflação. Outro é justamente na estratégia de comprar esperando valorização diante da queda da Selic, que pode não acontecer como se pensa.

“O investidor não pode ter pressa para mudar a carteira pós-fixada para ativos prefixados”, recomenda Augusto Parente, sócio-fundador da AW Capital, para quem o juro pode não cair tão rápido quanto se espera.

Dito isso, há oportunidades disponíveis no mercado para quem souber dosar a exposição. Veja as recomendações:

EmissorTipoVencimentoTaxaDurationRatingRecomendado por
Coelba (Neoenergia)Debênture isenta15/11/203213,88% (15,80% gross-up)*4,5 anosbrAAA (S&P)XP
PicPayCDB03/08/202914,78%3 anosAA-.br (Moody’s Local)XP
Banco C6 ConsignadoCDB21/07/203014,70%4 anosbrAA-XP
Banco C6 ConsignadoCDB03/08/202814,35%2 anosA+Genial
Mercado LivreCDB03/02/202814,01%1,5 anoAAAGenial
Tesouro NacionalNTN-F02/01/202913,52%2,16 anosRisco soberanoXP
MultiplanPapel isento15/01/2031Não divulgadaNão divulgadaAAAItaú BBA
Brasil TerrenosPapel isento16/08/2032Não divulgadaNão divulgadaAA+Itaú BBA
Fonte: Genial, Itaú BBA e XP. *Equivalente considerando o benefício da isenção de imposto de renda.
Os quatro CDBs contam com cobertura do FGC até R$ 250 mil por CPF e por emissor.

Leia também: Até IPCA+11%: os papéis de inflação mais recomendados para investir agora

CDBs concentram as maiores taxas

A XP indica o CDB do PicPay com vencimento em agosto de 2029, que paga 14,78% ao ano, com rating AA-.br pela Moody’s Local e duration de três anos. O outro papel bancário da casa é o CDB do Banco C6 Consignado, para julho de 2030, a 14,70% ao ano, com nota brAA- e duration de quatro anos.

A Genial também indicou dois CDBs, ambos com prazos mais curtos. O do Mercado Livre vence em fevereiro de 2028 e paga 14,01% ao ano, com rating AAA e duration de 1,5 ano. O do C6 Consignado vence em agosto de 2028, a 14,35% ao ano, com nota A+ e duration de 2 anos. A casa classifica os dois como de risco de crédito baixo e observa que, no papel do Mercado Livre, a marcação a mercado oscila com os juros, mas a perda só se materializa na venda antecipada.

Os quatro CDBs contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF e por emissor, considerada a soma de todas as aplicações no mesmo conglomerado financeiro. Todos pagam juros apenas no vencimento e são acessíveis ao público geral.

Crédito privado equivalente a 15,80%

Também pela XP, entra a debênture da Coelba com vencimento em novembro de 2032, que paga 13,88% ao ano com isenção de imposto de renda para pessoa física. O retorno equivale a 15,80% em um título tributado, a maior taxa entre os prefixados indicados nessa comparação.

O papel tem rating brAAA pela S&P, duration de 4,5 anos, juros semestrais e conta com fiança da Neoenergia, controladora da distribuidora baiana.

O Itaú BBA completa a seleção de crédito privado com dois papéis. O do Multiplan tem vencimento em janeiro de 2031, rating AAA e é indicado para o perfil conservador. Já o da Brasil Terrenos vence em agosto de 2032, tem nota AA+ e aparece na faixa de perfil arrojado da carteira.

Diferentemente dos CDBs, papéis de crédito privado como debêntures, CRIs e CRAs não contam com cobertura do FGC e estão sujeitos a riscos de crédito, de mercado e de liquidez. A XP recomenda limitar a exposição a 5% em um único emissor e a 20% em crédito privado no total da carteira.

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Título público fecha a lista

O único papel do Tesouro indicado é a NTN-F com vencimento em janeiro de 2029, escolhida pela XP, que paga 13,52% ao ano e tem duration de 2,16 anos, segundo taxa indicativa de 3 de agosto. O título distribui cupom de 10% ao ano sobre o valor de face, em duas parcelas semestrais, e não está disponível no Tesouro Direto, apenas no mercado secundário.

Não confundir com o Tesouro Prefixado 2029, negociado na plataforma. Por não pagar cupons e ter estrutura diferente, esse papel opera em outro patamar de taxa, como mostra a movimentação recente.

Cuidado com a flutuação das taxas

O comportamento do Tesouro Direto nesta semana ilustra por que a pressa cobra caro. Na quarta-feira, as taxas recuaram junto com o alívio nos juros longos americanos, depois de o Tesouro dos Estados Unidos anunciar que ao menos dobraria o tamanho de suas operações de recompra de títulos. Mas o alívio durou um dia, e as taxas voltaram a avançar nesta quinta após o mercado se mostrar cético quanto à medida dos americanos.

Para quem carrega o papel até o vencimento, essas oscilações não alteram o retorno contratado. Elas pesam sobre quem precisa vender antes do prazo, situação em que a marcação a mercado pode devolver valor diferente do combinado na compra.

O investidor precisa observar dois riscos. O primeiro é de o cenário virar, com a curva de juros deixando de embutir expectativa de cortes à frente, o que Parente descreve como “a curva de juros virar uma reta”. Nesse caso, o investidor teria trocado o carrego do pós-fixado por uma taxa travada sem o ganho de capital esperado.

O segundo é a inflação. A ARX Investimentos avalia que o prefixado pode oferecer maior convexidade em um cenário benigno, de normalização fiscal e compressão de juros, mas “é o instrumento mais vulnerável em um cenário adverso de inflação persistentemente elevada”, segundo carta mensal de crédito privado da gestora.

A XP mantém postura seletiva na classe, com recomendação de duration (prazo médio) em torno de quatro anos e preferência pelos vértices intermediários da curva, sob o argumento de que os vencimentos mais longos seguem sensíveis às incertezas fiscais e ao ambiente externo. A alocação sugerida é de 5% no perfil conservador, 10% no moderado e 7,5% no sofisticado. As indicações da Genial vão na mesma direção de prazo, com os dois papéis vencendo em 2028 e duration inferior a dois anos.

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