Quem manteve até agora o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) que venceu no último sábado e será depositado nesta segunda-feira (17) acumulou um ganho 52% maior do que o de quem deixou o mesmo dinheiro rendendo 100% do CDI desde 2016.
Segundo cálculos do Inter, o retorno acumulado desde 2016 até a primeira semana de agosto chegou a 255,9% no papel que devolve o investimento apenas no vencimento e a 234,3% no título com cupons semestrais, contra 164,2% do CDI no mesmo intervalo.
A vantagem a favor do título público vale ao comparar o papel sem cupons semestrais com a aplicação em um CDB a 100% do CDI no mesmo período, aplicando o Imposto de Renda devido. Tanto o Tesouro Direto quanto o CDB seguem a mesma tabela regressiva de IR, que incide apenas sobre os rendimentos e cai conforme o tempo de aplicação, chegando à alíquota mínima de 15% para prazos acima de 720 dias.
A comparação a seguir considera apenas a NTN-B Principal, o título que não paga cupons semestrais e devolve tudo de uma vez no vencimento. Também usa o CDI como referência de um CDB que rendesse exatamente 100% do índice, o que serve de parâmetro mas não corresponde a um produto específico acompanhado ao longo do período.
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Nas contas do InfoMoney a partir dos retornos calculados pelo Inter, um capital hipotético de R$ 10 mil aplicados no Tesouro IPCA+ 2026 teria se transformado em R$ 35.590 antes dos impostos, caindo para R$ 31.151 após a retenção do IR e da taxa de custódia da B3. Em um CDB a 100% do CDI, o mesmo montante chegaria a R$ 26.420 no bruto e a R$ 23.957 no líquido.

A diferença entre as duas aplicações fica em R$ 7.194,88, o que significa um ganho 51,6% maior para quem escolheu o título público. Em ganho líquido sobre o capital aplicado, são 211,5% no papel público contra 139,6% no título bancário pós-fixado.
Atenção às taxas
Quem investe pela plataforma do Tesouro Direto paga à B3 uma taxa de 0,20% ao ano sobre o valor da posição, provisionada diariamente e descontada no vencimento. O CDB não tem cobrança equivalente, o que estreita um pouco a distância entre as duas aplicações. Sobre os R$ 10 mil, a custódia consome cerca de R$ 705 ao longo do período.
A taxa não foi a mesma durante todos esses anos, tendo sido de 0,30% ao ano até 2019, quando caiu para 0,25%, e chegando aos 0,20% atuais apenas em janeiro de 2022. Aplicar a alíquota vigente hoje a todo o período subestima ligeiramente o custo real, embora a diferença seja de pouco mais de R$ 100 sobre os R$ 10 mil simulados.
Há ainda quem tenha ficado inteiramente fora dessa cobrança. Investidores que compraram o papel no mercado secundário, e não pela plataforma do Tesouro Direto, não pagam a taxa, porque nesse caso os títulos ficam custodiados no Selic e não na B3. Para esse investidor, o valor final seria de R$ 31.751,50, com ganho 55,9% superior ao do CDI.
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