A Petrobras (PETR4; PETR3) anunciou na última sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos em um poço exploratório atualmente em perfuração no bloco FZA-M-59, localizado no Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
O Bradesco BBI avalia que o anúncio é relevante por abrir uma nova fronteira potencial de exploração no Brasil, que poderia complementar o pré-sal e ajudar a mitigar uma eventual queda da produção nacional de petróleo após 2035.
No entanto, os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do BBI, destacam que o intervalo entre encontrar hidrocarbonetos e comprovar um campo economicamente viável é longo, especialmente em uma fronteira exploratória de alta complexidade, custo elevado e incerteza geológica relevante.
Segundo o relatório, os próximos anos devem ser dedicados à conclusão do poço atual, análises laboratoriais, interpretação petrofísica, licenciamento ambiental, perfuração de avaliação, testes de formação e delimitação dos recursos.
“Em um cenário positivo, a declaração de comercialidade poderia ocorrer apenas entre 2029 e 2031, seguida pela elaboração do plano de desenvolvimento, engenharia, decisão final de investimento, contratação de FPSO, sistemas submarinos e poços de produção”, comenta o BBI. “Assim, o primeiro óleo provavelmente seria um evento entre 2032 e 2036.”
Já a XP Investimentos, em relatório assinado pelos analistas Regis Cardoso e Enzo Sozzi, ressalta que a descoberta faz parte dos esforços da Petrobras para sustentar a produção de longo prazo.
A dupla ainda destaca que o plano de negócios da companhia prevê US$ 2,5 bilhões, cerca de R$ 13 bilhões no câmbio atual, de investimentos (capex) para a Margem Equatorial, com planos de perfurar 15 poços exploratórios na região.
Na visão do Itaú BBA, a identificação de hidrocarbonetos em Margem Equatorial representa um passo importante, mas inicial, na tentativa de confirmar uma nova fronteira de produção de petróleo no Brasil, o que pode ajudar a Petrobras a aumentar suas reservas.
“Ainda assim, esta é apenas uma fase inicial do processo. Serão necessárias novas atividades de avaliação para determinar o tamanho da descoberta, as características do reservatório e se a área poderá ser explorada comercialmente. Como referência, no campo de Búzios foram necessários cerca de três anos entre a descoberta inicial e a declaração de comercialidade, além de mais cinco anos até o início da produção na plataforma Búzios-1 (P-74)”, aponta.
Além disso, o conhecimento sobre o potencial geológico da região ainda é limitado, o que impede uma avaliação mais precisa sobre a relevância da descoberta para a tese de investimento de longo prazo da Petrobras.
A Margem Equatorial é uma região marítima localizada ao longo das costas Norte e Nordeste do Brasil e reúne quatro bacias sedimentares: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas e Potiguar. Descobertas bem-sucedidas em áreas geologicamente semelhantes, especialmente na costa da Guiana e do Suriname, aumentaram o interesse exploratório na região.
Segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Bacia da Foz do Amazonas pode conter aproximadamente 5,7 bilhões de barris de petróleo recuperáveis.
“Caso esse potencial seja confirmado, as reservas provadas do Brasil poderiam aumentar em 33%, enquanto as reservas da Petrobras poderiam crescer 55%. Em um exercício ilustrativo, se a Petrobras adicionasse cerca de 6 bilhões de barris equivalentes de óleo às suas reservas, o múltiplo valor da empresa em relação às reservas de petróleo (EV/Reserva) cairia de US$ 12,7 por barril equivalente para US$ 8,5 por barril equivalente, abaixo dos níveis observados em empresas globais do setor”, finaliza o BBA.
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