A alta de 3,47% do Ibovespa em julho interrompeu uma sequência de quatro meses de queda do índice. No entanto, ele segue distante do patamar recorde de 198 mil pontos alcançado em abril. A recuperação da Bolsa chega com a Selic em 14% ao ano e com um segundo semestre eleitoral pela frente.
Para quem monta carteira de renda passiva, isso significa buscar empresas capazes de entregar retorno competitivo com o que a renda fixa paga hoje – e com previsibilidade suficiente para atravessar a volatilidade dos próximos meses.
Leia também: Petrobras, Itaú e Weg pagam dividendos em agosto; veja a agenda completa
Nesse cenário, a Petrobras (PETR4) volta a dominar as preferências. A estatal aparece em oito das onze carteiras de dividendos analisadas pelo InfoMoney, à frente da Allos (ALOS3), com sete indicações. A lista de agosto tem seis papéis, por causa de dois empates, e reúne setores que vão de mineração e shopping centers a seguros e energia elétrica. Confira:
| Ação | Nº de recomendações | Dividend yield em 12 meses |
| Petrobras (PETR4) | 8 | 9,22% |
| Allos (ALOS3) | 7 | 13,64% |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | 6 | 9,81% |
| Vale (VALE3) | 6 | 10,19% |
| Axia (AXIA3) | 5 | 9,63% |
| Itaú (ITUB4) | 5 | 10,17% |
Petrobras (PETR4)
O BTG Pactual manteve a Petrobras com peso de 10% na carteira mesmo depois da correção nos preços do petróleo e diz que a convicção na tese aumentou. O banco cita produção na faixa superior do guidance de 2026 – ou acima dela – e a capacidade de a companhia capturar preços mais altos de combustíveis por meio de margens de refino maiores, já que cerca de 70% da produção vira insumo nas refinarias. Com dividend yield projetado em torno de 10% para 2026 e 2027, o BTG afirma que a geração de caixa e a capacidade de distribuição “poderiam melhorar ainda mais, sustentando nossa recomendação de compra”.
Allos (ALOS3)
A Ágora Investimentos descreve a Allos como “uma tese de qualidade em shoppings”, apoiada em resiliência operacional do portfólio, disciplina de custos e retorno relevante ao acionista. A corretora aponta indicadores saudáveis de vendas, aluguéis “mesmas lojas” e crescimento de receita, além da redução de SG&A (Despesas de Vendas, Gerais e Administrativas, na sigla em inglês), que “reforça o potencial de eficiência ao longo do ano”. A agenda de reciclagem de ativos – que inclui a parceria com a Kinea para criação de um novo fundo imobiliário de shoppings – pode contribuir para destravar valor e otimizar a alocação de capital, segundo a casa. Com dividend yield esperado acima de 12% nos próximos 12 meses, o papel “adiciona um componente relevante de carrego à carteira”, escreve a Ágora, que mantém ocupação, inadimplência e execução da estratégia entre os pontos de acompanhamento.
Caixa Seguridade (CXSE3)
A tese é defensiva, sustentada por “recorrência de resultados, baixa volatilidade operacional e forte capacidade de distribuição de proventos”, escreve a Ágora Investimentos. A corretora projeta para a companhia uma das melhores tendências operacionais entre as seguradoras, apoiada em crescimento de prêmios nos segmentos residencial, vida e habitacional e em contribuições de previdência mais fortes. A melhora esperada nos prêmios habitacionais e nas tendências de sinistralidade também levou a casa a revisar para cima as estimativas de 2027, movimento que, segundo os analistas, reforça a visibilidade da tese.
Vale (VALE3)
O Santander tem a Vale como principal escolha do setor de siderurgia e mineração, diante da preferência por minério de ferro em relação ao aço. O banco elevou a projeção de preço do minério em 2026 de US$ 100 para US$ 105 a tonelada e espera a commodity sustentada acima de US$ 100, com oferta limitada por elevados níveis de exaustão das minas, demanda resiliente da China e crescimento na Índia, Sudeste Asiático, Oriente Médio e Norte da África. Os riscos ligados ao setor imobiliário chinês persistem, mas são “mitigados por investimentos robustos em infraestrutura e por tendências estruturais de urbanização”. Para 2026, o Santander vê um valuation “ainda razoável”, rendimento de fluxo de caixa livre de 12% e dividend yield de 6,5%.
Axia (AXIA3)
A companhia é a principal beneficiária do cenário de preços de energia mais altos e maior volatilidade, na avaliação do BTG Pactual. O banco diz que a Axia ainda está nos estágios iniciais do que deve se tornar uma geradora de caixa e pagadora de dividendos “substancial”, movimento sinalizado pela distribuição adicional de R$ 4 bilhões e, depois, por outra de R$ 4,3 bilhões. Combinado a preços de energia potencialmente mais fortes, isso pode transformar a empresa em uma “(muito) forte pagadora de dividendos” ao longo dos próximos 5 anos, segundo o BTG.
Itaú (ITUB4)
O Santander reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo para 2026 de R$ 49 para R$ 50, mantendo o banco entre suas preferências no setor. A avaliação é de que a grande escala e a presença diversificada em serviços financeiros resultam em menor volatilidade dos lucros. Mesmo em áreas onde a volatilidade costuma pesar, o Itaú “historicamente protege sua carteira bancária, garantindo mais estabilidade do que seus pares privados”, escreve o banco. O Santander também incorporou parte da “ambição” apresentada pelo Itaú para 2030 – que inclui dobrar a carteira de crédito de varejo em cinco anos – e elevou em 5%, na média, a projeção de lucro líquido para o período de 2026 a 2030.
The post Petrobras e mais cinco: as ações de dividendos mais indicadas para agosto appeared first on InfoMoney.

