As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) registram queda nesta segunda-feira (27), com o brent abaixo de US$ 90 o barril após a pausa nos ataques do Irã.
Contudo, a baixa da commodity não abala a visão positiva de analistas e gestores para a estatal no médio e longo prazo. Depois de o mercado retirar parte do prêmio de risco geopolítico embutido nos preços durante a escalada das tensões no Oriente Médio, os papéis passaram por um movimento de realização que especialistas classificam como natural e até esperado.
Para André Matos, CEO da MA7 Capital, a correção recente reflete muito mais uma reprecificação do risco do que uma deterioração dos fundamentos da companhia. Na mesma linha, Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, e Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmam que a tese estrutural da Petrobras permanece intacta, apoiada por geração de caixa robusta, custos competitivos e dividendos elevados.
O próprio Itaú BBA segue vendo a Petrobras como sua principal escolha entre as produtoras da América Latina e destaca que a companhia continua oferecendo forte geração de caixa e dividendos atrativos. O banco estima, com base na curva futura do mercado, dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de cerca de 12% em 2027 e fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) de 18%, além de negociar a apenas 2,5 vezes EV/Ebitda.
Confira os cinco motivos apontados por analistas para continuar otimista com a estatal.
- O petróleo continua em um patamar confortável
Embora o Brent tenha recuado após a redução das tensões geopolíticas, os preços seguem em níveis considerados elevados para os padrões históricos da indústria.
Segundo os especialistas, a Petrobras continua altamente rentável mesmo com um barril abaixo dos picos recentes. Murad destaca que a companhia trabalha com níveis de equilíbrio muito inferiores aos atuais preços do petróleo, o que preserva sua capacidade de geração de caixa mesmo em cenários menos favoráveis.
A visão é semelhante à do Goldman Sachs, que observa investidores globais utilizando um petróleo próximo de US$ 70 por barril como referência de longo prazo para o setor. Ainda assim, o banco mantém recomendação de compra para Petrobras, destacando a combinação de geração de caixa e dividendos.
- Custos do pré-sal seguem entre os mais baixos do mundo
Outro argumento recorrente é a competitividade dos ativos da companhia.
Matos, Murad e Lima ressaltam que a Petrobras possui uma das estruturas de produção mais eficientes da indústria global graças ao pré-sal, com custos de extração extremamente baixos. Isso significa que a empresa consegue preservar margens mesmo em ambientes de preços mais moderados da commodity.
A competitividade operacional também ajuda a explicar por que a Petrobras segue aparecendo entre os principais temas de interesse de investidores globais do setor de energia, segundo levantamento do Goldman Sachs durante reuniões recentes com investidores na Ásia.
- Menos pressão sobre a política de preços
Paradoxalmente, a queda do petróleo pode reduzir um dos principais riscos associados à Petrobras.
Para André Matos, um barril menos pressionado diminui o debate sobre reajustes de combustíveis no mercado doméstico e reduz o potencial de interferências na política comercial da companhia. Em outras palavras, um petróleo mais baixo tende a aliviar parte do ruído político que frequentemente acompanha a tese da estatal.
Esse tema continua sendo um dos principais pontos monitorados pelos investidores, ao lado de questões relacionadas à política de dividendos e à alocação de capital.
- Dividendos continuam atrativos
Mesmo após o recuo recente das ações, a Petrobras segue sendo vista como uma das principais pagadoras de dividendos da bolsa.
O Itaú BBA calcula dividend yield de aproximadamente 12% para 2027, enquanto André Matos avalia que a combinação de geração de caixa robusta, câmbio favorável e manutenção da disciplina financeira sustenta a capacidade de distribuição de proventos.
Para Sidney Lima, o mercado tende a voltar rapidamente o foco para os pilares fundamentais da empresa — resultados operacionais, fluxo de caixa e dividendos — quando o efeito pontual da volatilidade do petróleo diminuir.
- Produção segue crescendo
Além da remuneração aos acionistas, os investidores continuam enxergando potencial de expansão operacional.
O Goldman Sachs destaca que a América Latina vem ganhando relevância no mercado global de petróleo graças ao crescimento da produção, e continua recomendando compra para Petrobras justamente pela combinação de expansão produtiva, forte geração de caixa livre e distribuição de dividendos.
Segundo o banco, Petrobras e PRIO (PRIO3) permanecem entre as preferidas no segmento de exploração e produção na região.
Queda das ações: correção ou mudança de tese?
Na visão geral dos analistas, a recente realização representa uma correção de curto prazo após a retirada do prêmio geopolítico das cotações do petróleo.
“O mercado está retirando o prêmio de risco que havia sido incorporado ao preço da commodity”, afirma Sidney Lima. Produção, rentabilidade, fluxo de caixa e dividendos seguem sendo pontos positivos. Já entre os riscos, eles continuam concentrados em fatores como política, política de preços, investimentos e tributação do setor, mas a visão geral segue positiva para quem olha além das oscilações diárias do Brent.
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