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“Não é sobre fama, é sobre relevância”: como a marca pessoal virou ativo das empresas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
“Não é sobre fama, é sobre relevância”: como a marca pessoal virou ativo das empresas

A construção da marca pessoal deixou de ser uma estratégia voltada à exposição nas redes sociais para se tornar um ativo capaz de gerar valor para as empresas. Essa foi uma das principais conclusões do painel “Transformando influência em negócio”, realizado neste sábado (25), durante a Expert XP 2026.

Entre os participantes — Joel Jota, Alfredo Soares, Theo Braga e Tay Dantas —, a conclusão foi unânime: a reputação do fundador passou a influenciar diretamente a capacidade de uma companhia de vender, contratar profissionais, atrair investidores e conquistar novos parceiros.

Ao longo da conversa, os participantes defenderam que a presença pública do empreendedor deve estar subordinada aos objetivos do negócio. Em vez de buscar fama ou volume de seguidores, a estratégia precisa fortalecer a confiança na empresa e ampliar sua capacidade de gerar resultados.

Para Tay Dantas, fundadora da Vinci Society e especialista em posicionamento de marcas, a principal função da marca pessoal do fundador é reforçar a credibilidade da companhia.

“A marca pessoal do fundador está a serviço da empresa. Ela precisa, primeiro de tudo, garantir que as pessoas acreditem naquilo que a empresa promete”, afirmou.

Segundo ela, a atuação do empreendedor deve estar ligada a metas concretas, como ampliar o conhecimento sobre a empresa, gerar oportunidades comerciais, abrir portas para investidores e fortalecer a reputação do negócio.

A especialista também afirmou que construir marca pessoal não significa criar um personagem. Na avaliação dela, o processo consiste em destacar atributos reais que aumentem a confiança do mercado na empresa.

“Você vai estrategicamente editar os seus atributos pessoais, que você verdadeiramente possui, que mais contribuem para as pessoas acreditarem em sua empresa”, disse.

Na mesma linha, Alfredo Soares, fundador da G4 Educação, argumentou que a comunicação do empresário deve ser tratada como patrimônio corporativo, e não apenas como produção de conteúdo para redes sociais. “Não é sobre ser famoso, é sobre ser relevante para o seu negócio”, afirmou.

Segundo ele, a presença pública do empreendedor contribui para atrair talentos, fornecedores, investidores e parceiros, ampliando o valor da companhia em diferentes frentes. “É muito mais do que Instagram. É muito mais do que conteúdo em si. A gente está falando de um ativo da companhia que traz benefícios para a empresa inteira.”

Alfredo Soares resumiu a estratégia em três perguntas que, segundo ele, devem orientar toda comunicação do fundador: “Quem eu sou, o que eu faço e o que eu vendo”. Na avaliação do empresário, essa clareza permite construir uma identidade consistente e conduzir clientes ao longo da jornada de compra.

Joel Jota, cofundador da Mentoring League Society, destacou que reputação não depende apenas da competência, mas da capacidade de fazer com que o mercado reconheça essa competência. Segundo ele, consumidores escolhem profissionais e empresas com base na percepção de autoridade construída ao longo do tempo.

“O cliente vai escolher quem ele enxerga dessa forma. E essa forma de enxergar é uma percepção”, afirmou.

Para isso, disse, é necessário investir em comunicação contínua, repetição, frequência e distribuição de conteúdo. “Se você não repetir isso múltiplas vezes na cabeça da pessoa, ela não vai entender.”

Os participantes também procuraram afastar a ideia de que a construção de marca pessoal depende exclusivamente das redes sociais.

Tay Dantas afirmou que palestras, reuniões, eventos e entrevistas cumprem o mesmo papel de fortalecer a reputação do fundador quando estão alinhados aos objetivos estratégicos da empresa. Alfredo Soares acrescentou que cada canal deve cumprir uma função específica dentro da estratégia de comunicação e trabalhar de forma integrada com os demais.

Para os painelistas, essa mudança reflete uma transformação mais ampla na forma como as empresas se relacionam com clientes e parceiros. Nesse contexto, a reputação do fundador deixa de ser um atributo individual e passa a funcionar como um ativo que contribui para aumentar o valor e a competitividade do próprio negócio.

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