O avanço do endividamento das famílias no Brasil é um tema de discussão interna no Banco Central, mas boa parte dele está relacionado a dívidas que não tem nenhuma garantia. Ou seja, é uma dívida bem pouco sensível às decisões de política monetária. A argumentação foi feita por Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em painel na Expert XP 2026.
Galípolo explicou que a pandemia de covid-19 foi um momento catalisador de mudanças no perfil de consumo global que explica em parte a expansão da evolução do endividamento das famílias: o aumento da utilização dos cartões de crédito. No Brasil, isso foi potencializado pela inclusão financeira que o Pix proporcionou.
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Isso somado à bancarização trazida pelas fintechs fez com que o cidadão brasileiro migrasse aos poucos para um crédito de pior qualidade e o volume de dívida aliado ao juro alto foi gerando uma bola de neve. “Vários entrantes tiveram como estratégia dar cartão de crédito”, lembrou.
Para reforçar a pouca sensibilidade desse momento às decisões de juros pelo BC, ele lembrou que o juro do cartão de crédito rotativo está atualmente, em 15% ao mês (por volta de 400% ao ano), enquanto a taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, está em 14,25% ao ano. A cultura de hiperinflação pode ser responsável por isso.
Esse modelo, segundo Galípolo, gera uma cadeia de crédito envolvendo 100 milhões de pessoas, pela qual 60 milhões usaram o cartão de crédito à vista, para pagar no mês seguinte, ou parcelaram a operação . Ou seja, quitando mensalmente, sem juros.
Porém, as demais 40 milhões de pessoas não quitam integralmente o crédito contratado e passam apagar esses juros de 15% ao mês, “sustentando” os que parcelam as compras.
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