Últimas

“Prévia do PIB” de maio comprova perda de potência da atividade econômica

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
“Prévia do PIB” de maio comprova perda de potência da atividade econômica

Embora o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em maio, de +0,1%, ter sido um pouco melhor que o estimado pelos economistas, o dado foi considerado mais uma prova de que a atividade econômica vem perdendo força de forma gradual.

O indicador do Banco Central que é considerado uma espécie de prévia do PIB acompanhou os dados setoriais divulgados pelo IBGE na semana, com maior perda de potência em serviços e no comércio varejista.

Como esperado pelo fator da sazonalidade, a contribuição do agronegócio também foi negativa no mês.

A XP destacou em sua análise as revisões pelo BC nos resultados de meses anteriores. Por exemplo, o IBC-Br de abril cresceu 1,1% na comparação anual, de acordo com a série de dados atualizada, acima dos 0,9% da primeira divulgação. O efeito estatístico de carregamento para o 2° trimestre ficou em 0,5%, na margem.

Também foi comentado que a abertura setorial mostrou sinais mistos em maio. Pelo lado positivo, a indústria permaneceu em uma trajetória sólida de recuperação (+0,4% na comparação mensal). Já serviços e impostos registraram ganhos tímidos no mês (ambos com + 0,1%. Por outro lado, agricultura e pecuária recuaram 1,0% no mês, compensando parcialmente o melhor desempenho observado nos demais setores.

Leia também: Indústria no Brasil cai 0,2% em maio, interrompe 4 meses de alta e frustra projeções

Leia também: Vendas no varejo do Brasil avançam 0,1% em maio e frustram projeções do mercado

Leia também: Setor de serviços recua 0,4% em maio e frustra projeções de leve alta

Sobre o que o dado pode representar em relação ao crescimento do PIB, a XP manteve sua projeção em 2,0% para 2026, com riscos inclinados para cima. Os motivos são a renda real ainda crescendo em ritmo sólido, sustentada por um mercado de trabalho apertado e pelo aumento das transferências fiscais.

“Além disso, um conjunto amplo de medidas de estímulo do governo continuará dando suporte à demanda doméstica no curto prazo. Na nossa visão, esses fatores devem compensar o efeito negativo das condições monetárias restritivas e da maior incerteza ao longo dos próximos trimestres”, disse a XP

Matheus Pizzani, economista do PicPay, também reforçou que excluindo o setor agropecuário da base de cálculo, o indicador do BC registrou avanço de 0,2% em sua base de comparação mensal. Ele destacou que o desempenho do setor primário no período, embora significativamente negativo, é condizente com seu comportamento sazonal, que tende a perder força nos meses relativos ao segundo trimestre.

“No que diz respeito aos demais setores, o comportamento foi relativamente semelhante ao observado nas pesquisas setoriais divulgadas pelo IBGE, com a indústria registrando alta de 0,4% e o setor de serviços com variação positiva de 0,1%, comparou.

Pizzani detalhou que a indústria segue colhendo benefícios do ambiente externo mais positivo para setores do segmento extrativo, enquanto segmentos mais alinhados ao ciclo econômico doméstico seguem com resultados majoritariamente lateralizados ou até mesmo em queda, reflexo do impacto de elementos conjunturais importantes, como a inflação e a taxa de juros.

O dado de serviços, por sua vez, demanda uma segmentação mais acurada segundo o economista dado que a metodologia de cálculo do IBC-Br incorpora segmentos tradicionais do setor de serviços abarcados pela PMS ao comércio varejista.

Para ele, é razoável afirmar que o varejo foi o principal responsável por evitar um desempenho melhor do setor de serviços e do indicador como um todo, uma vez que a inflação se mostrou um impasse expressivo ao longo do período. Além disso, a ausência de elementos sazonais benignos fez com que as demais categorias de serviços, cuja demanda depende tanto das condições macroeconômicas correntes quanto do nível de confiança de famílias e empresas, não apresentassem avanço significativo.

Pizzani disse que este último elemento é condição central para compreender a trajetória da atividade econômica entre o primeiro e segundo trimestre. “O crescimento acelerado verificado no início do ano, puxado tanto pelo excelente desempenho da agropecuária quanto pela maior pujança da economia doméstica, que contou com amplo suporte do consumo das famílias, se deve em grande medida à fatores sazonais e estímulos pontuais característicos do período, que costumam exercer maior impacto sobre a renda e consumo destes agentes econômicos”, analisou.

Ele disse ainda que o cenário observado até aqui no segundo trimestre deve ditar a tônica do ritmo de expansão da atividade no decorrer dos próximos períodos, com ganho de tração apenas gradual após o crescimento mais tímido entre abril e junho, estimado em 0,4%.

“Fatores exógenos, como eventuais choques de oferta resultantes da instabilidade geopolítica global ou em função de condições climáticas adversas, bem como a implementação de medidas fiscais de dinamização da demanda agregada no curto prazo, seguem como riscos de cauda com probabilidade incerta de materialização, fazendo com que a participação relativa dos elementos estruturais da economia sejam centrais do ponto de vista das projeções.”

O PicPay mantém a perspectiva de crescimento do PIB em 1,70% para 2026.

Para Leonardo Costa, economista do ASA os dados de atividade divulgados até maio seguem compatíveis com um cenário de desaceleração gradual do crescimento ao longo de 2026. “O avanço de apenas 0,1% do IBC-Br no mês, somado aos resultados mais moderados observados no comércio e nos serviços, reforça a percepção de perda de fôlego da economia após o desempenho mais forte registrado no início do ano. Projetamos PIB de +0,5% no 2° trimestre de 2026.”

The post “Prévia do PIB” de maio comprova perda de potência da atividade econômica appeared first on InfoMoney.

“Prévia do PIB” de maio comprova perda de potência da atividade econômica — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado