Os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) da WEG (WEGE3) estão programados para serem divulgados na próxima quarta-feira (22), mas não há muitos investidores empolgados. Analistas do mercado financeiro anunciaram, em relatórios prévios, que os resultados podem ser fracos. Por outro lado, a concorrência vai bem – o que pode trazer uma pitada de otimismo para a WEG.
Tanto o JPMorgan e como o Citi mostraram, em relatórios do início da semana, projeções de receitas estagnadas, demanda doméstica fraca e a pressão cambial do real fortalecido desenhavam o cenário de “mais um trimestre fraco” para a empresa.
Já nesta quinta-feira (16), os relatórios do Itaú BBA e do Bradesco BBI sobre a multinacional suíça ABB (uma das principais concorrentes globais da WEG) trouxeram um contrapeso importante a essa visão pessimista, sugerindo que a demanda estrutural por infraestrutura de energia e centros de processamento de dados continua robusta.
A leitura cruzada desses relatórios revela um cabo de guerra setorial: de um lado, os ventos favoráveis da transição energética e da expansão da IA (Inteligência Artificial) apontados pelo Itaú BBA e Bradesco BBI; de outro, os obstáculos macroeconômicos e os custos de expansão de capacidade estimados pelo JPMorgan e pelo Citi.
Forte desempenho da ABB: o que dizem os números?
O balanço do 2T26 da ABB mostra que a busca global por eletrificação e eficiência industrial não dá sinais de desaceleração.
De acordo com o relatório do Itaú BBA, a divisão de Motores e Geradores (Motion) da ABB, que é o segmento mais equivalente à unidade de EEIE (Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais) da WEG, registrou uma expansão firme no faturamento, impulsionada por preços melhores e maior volume físico de vendas, com destaque para o mercado norte-americano.
“Em nível consolidado, a ABB reportou recorde na entrada de pedidos no 2T26, com uma forte demanda em Motion sustentada por ventos favoráveis estruturais em expansão energética, eficiência e resiliência”, destaca o relatório do Itaú BBA.
Já os analistas do BBI destacam que o desempenho geral do grupo suíço foi tão sólido que permitiu à administração subir, pela segunda vez consecutiva, suas estimativas de receita para o ano cheio.
“A administração elevou a projeção de receita para o ano cheio pelo segundo trimestre consecutivo, prevendo agora um crescimento comparável na faixa de ‘dois dígitos baixos’ a ‘início da faixa de dois dígitos’ (acima da projeção anterior de ‘final da faixa de um dígito’ a ‘dois dígitos baixos’ feita no 1º trimestre), apoiada por uma carteira de pedidos recorde de US$ 30 bilhões (de US$ 27,5 bilhões no 1º trimestre)”, diz o relatório do Bradesco BBI.
Pressão de custos e a dinâmica de preços das commodities
Apesar da forte demanda, o balanço da ABB também registrou desafios que podem servir como um alerta para as margens da WEG.
O Bradesco BBI ressalta que a defasagem entre o aumento dos preços cobrados e a inflação de custos das matérias-primas criou pressões sobre a rentabilidade.
Dentre as matérias-primas, o destaque vai para o cobre, que representa relevante fatia do CPV (Custo dos Produtos Vendidos) da WEG e subiu cerca de 30% desde setembro de 2025.
Ainda assim, os analistas afirmam que a concorrente suíça conseguiu mitigar esse impacto por meio de reajustes de preços e ganhos de eficiência operacional, uma dinâmica que eles esperam ver replicada na fabricante brasileira.
“A administração reconheceu que os preços ainda estão defasados em relação à inflação das matérias-primas, gerando uma pressão temporária sobre as margens, embora a expectativa seja eliminar totalmente essa defasagem até o final do ano”, avalia o documento do Bradesco BBI.
Em contrapartida, no Brasil, o relatório do Bradesco BBI apontou que a ABB registrou uma queda de 26% ano a ano em suas encomendas durante o segundo trimestre (contra 41% no primeiro trimestre).
“Embora a administração não tenha fornecido detalhes adicionais sobre essa tendência, o desempenho mais fraco parece ser impulsionado, pelo menos em parte, por bases de comparação desafiadoras, dado o crescimento excepcionalmente forte registrado no primeiro semestre de 2025”, afirmam os analistas.
Por que a WEG ainda enfrenta ceticismo?
Apesar dos sinais operacionais positivos vindos do exterior, grandes instituições financeiras mantêm projeções conservadoras para o balanço trimestral da WEG. Os analistas do Itaú BBA afirmam que o principal culpado é o fator cambial.
Enquanto a suíça ABB se beneficiou de efeitos cambiais favoráveis na conversão de seus resultados, o relatório do BBA aponta que a WEG enfrentou a valorização do real frente ao dólar durante o período, o que tende a contrair as receitas obtidas no mercado externo quando convertidas para a moeda nacional.
Dentro desse cenário, o JPMorgan colocou as ações da WEG em seu Monitoramento de Catalisador Negativo (Negative Catalyst Watch) antes da divulgação dos resultados.
De acordo com o relatório, a visão pessimista para o trimestre se justifica, em primeiro lugar, pelo patamar médio do câmbio no período – próximo de R$ 5,05, o que ameaça uma redução de 3% a 5% no faturamento e no Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da WEG em relação às estimativas da instituição financeira.
Os analistas do JPMorgan apontam que, mesmo com a cotação à vista girando em R$ 5,10, o risco de queda nas projeções de 2026 persiste em uma faixa de 2% a 3%.
Em segundo lugar, os analistas do JPMorgan alertam para o risco de compressão das margens de rentabilidade da WEG. O banco de investimentos aponta que a margem operacional recorrente do primeiro trimestre de 2026 teria ficado em patamar próximo de 20% mesmo sob um cenário cambial mais favorável de R$ 5,25.
Com isso, os analistas enxergam com cautela as estimativas de consenso do mercado para o segundo trimestre de 2026, que projetam margens de 21,0% a 21,1% impulsionadas por reajustes de preços.
“Nós permanecemos abaixo do consenso para a WEG no 2T26, impulsionados principalmente por premissas de câmbio mais conservadoras e pela fraqueza nas divisões domésticas de GTD e EEIE”, diz o relatório do JPMorgan.
O Citi compartilha dessa visão mais cautelosa, projetando em seu relatório números ainda mais tímidos, com faturamento de R$ 9,99 bilhões e um Ebitda de R$ 2,1 bilhões para a WEG.
Além do câmbio e da demanda fraca no Brasil, o Citi explica que os investimentos pesados para expandir a capacidade de produção de transformadores estão causando custos iniciais mais altos, principalmente com mão de obra, o que impacta temporariamente os resultados.
“Embora a expansão de T&D da WEG continue no caminho certo, acreditamos que o impacto nos lucros ainda está a algum tempo de distância”, afirmam os analistas do Citi.
De acordo com as estimativas divulgadas pelo Citi, a WEG concluiu apenas cerca de 10% do seu plano de duplicar a capacidade de transformadores de T&D (Transmissão e Distribuição) até 2027. O banco projeta que o impacto positivo mais relevante dessa expansão no DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) só deve ser sentido a partir do segundo semestre de 2027.
O veredito
Os resultados do 2T26 da WEG não devem trazer surpresas positivas e podem registrar volatilidade nas margens. Na comparação com o principal par da companhia, os analistas concluem que os fundamentos de médio e longo prazo da companhia permanecem intactos.
O Itaú BBA avaliou a divulgação da concorrente suíça como um sinal animador para a tese de investimentos na WEG, sustentando as perspectivas construtivas para o setor de bens de capital no médio prazo.
“Avaliamos a divulgação da ABB como marginalmente positiva para a WEG, tanto em relação às tendências de demanda quanto à rentabilidade, e como mais uma evidência de uma perspectiva construtiva de médio prazo atrelada ao capex relacionado à Inteligência Artificial (IA)”, explica o relatório do BBA.
Para os investidores com horizonte de tempo mais estendido, o JPMorgan argumenta que uma eventual reação negativa do mercado aos números do segundo trimestre pode se configurar como um ponto atraente de entrada.
O banco projeta que o crescimento da WEG deve acelerar na segunda metade do ano e em 2027, impulsionado por bases de comparação cambial mais fáceis e pela maturação das novas fábricas de transformadores.
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