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Data centers podem trazer US$ 1 tri para o Brasil em 5 anos, projeta AZ Quest

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Data centers podem trazer US$ 1 tri para o Brasil em 5 anos, projeta AZ Quest

A inteligência artificial encontrou seu gargalo: não é capital, não é mão-de-obra, não são semicondutores. É energia. E o Brasil, com 92% de matriz energética renovável, tem aquilo de que o mundo mais precisa para implantar os novos data centers.

“O país aparece como a grande solução global”, afirma Walter Maciel, economista e CEO da AZ Quest Investimentos, no episódio 190 do podcast Outliers InfoMoney. “Esse mercado deve crescer cinco vezes nos próximos cinco ou seis anos. Se a gente fizer tudo certo, pode crescer cinquenta vezes em dez anos.”

Um relatório da Coatue Management, hedge fund americano com mais de US$ 50 bilhões investidos no setor de tecnologia, estima um ciclo global de US$ 5 trilhões em investimentos em infraestrutura digital nos próximos cinco anos. “Um trilhão desse pode vir para o Brasil”, afirma Maciel aos apresentadores do podcast: Clara Sodré, analista de fundos da XP, e Fabiano Cintra, head de Seleção de Fundos da XP.

O gargalo que o Brasil pode resolver

Meta, Microsoft, Google, Amazon e Oracle investirão, juntas, cerca de US$ 730 bilhões em despesas de capital (capex) em 2026 – o dobro do ano anterior. Grande parte desse investimento vai para energia e infraestrutura de processamento. O problema é que, nos lugares onde essa demanda é maior, a energia já acabou.

Os principais mercados não têm capacidade para atender à expansão da inteligência artificial. Cinco estados americanos decretaram moratória contra a implantação de novos data centers em dezenas de cidades. Em Singapura, o prazo de entrega de nova capacidade é de dez anos. Em Frankfurt, sete. No maior hub de data centers do mundo, em Virgínia do Norte, uma solicitação feita hoje tem previsão de entrega para daqui a oito anos.

A oferta de energia elétrica se tornou um gargalo. Na Coreia do Sul, uma economia altamente industrializada, o preço da eletricidade cresceu 70% em quatro anos. “O índice de preços ao produtor (PPI) na Coreia, em junho, foi de 8,5%”, afirma Maciel. “Isso é um choque de custos no fígado das empresas”. 

O mercado brasileiro tem energia disponível e, mais do que isso, sustentável. “Nos Estados Unidos, a energia renovável representa 25% da matriz. No mundo, 30%. No Brasil, 92%”, afirma Maciel. “Temos uma condição única”. Com leilões de armazenamento por bateria em andamento, o país se prepara para estocar energia fora do horário de pico e vender quando a demanda for maior, além de compensar variações inerentes à geração solar e eólica.

‘O maior ciclo de investimento da nossa história

Para Maciel, a infraestrutura digital pode mudar o país. “O Brasil tem a oportunidade de ter o maior ciclo de investimento da história”, afirma. “Lá fora já é, sem disputa, o maior ciclo de investimento da história. Já ultrapassou, a preço presente, os ciclos de investimento em trens, na internet, o processo de industrialização do final do século XIX.”

O exemplo mais concreto é a Scala Data Centers, maior operadora de data centers da América Latina, com 40% da capacidade nacional. Nos últimos cinco anos, a empresa registrou crescimento anual composto de 52% com margem de 72%. Seu maior campus em Tamboré, na Grande São Paulo, abriga num único prédio a capacidade que correspondia ao mercado brasileiro inteiro de cinco anos atrás. Um projeto em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, prevê um campus quase 40 vezes maior – do lado da usina de Itaipu, com grid de transmissão já instalado.

Paraguai 1 x 0 Brasil

O Paraguai já entendeu essa lógica. Com a energia excedente de Itaipu que o Brasil não quis pagar para reter, o país vizinho está atraindo empresas que poderiam se instalar aqui. “Ver o Paraguai dar banho na gente, em estratégia e em visão de longo prazo, me incomoda”, diz Maciel. No entanto, o Paraguai não tem escala para atender à demanda. “Uma hora esse negócio vai ficar totalmente ocupado, e o radar vai voltar para cá”, afirma.

Investimento privado

A infraestrutura da inteligência artificial é uma oportunidade histórica – mas encontra o governo brasileiro sem capacidade de investir. “Esse ano, tínhamos previsão de R$ 3 trilhões de gastos e R$ 40 bilhões de investimento. Entre 2027 e 2028, as despesas obrigatórias deverão ultrapassar as receitas – o governo nem poderá decidir no que gastar”, diz Maciel. “Não existe economia capaz de se desenvolver sem infraestrutura. O setor privado vai ter que arcar com isso tudo.”

Os fundos de infraestrutura digital ganham relevância, diante de um Estado que tende a se afastar dos investimentos. Sua tese alia demanda e oportunidade de diversificação. Afinal, os inquilinos dos data centers estão entre as big techs mais capitalizadas do mundo, com faturamento que independe do mercado interno. “Você tem uma diversificação de risco para empresas que não estão impactadas diretamente pelos problemas econômicos brasileiros”, afirma Maciel.

Apostar na pista, não nos carros

Para o investidor, a lógica de Maciel é simples: ninguém sabe qual modelo de inteligência artificial vai vencer a corrida. Mas sabe-se que a corrida vai acontecer – e que vai precisar de infraestrutura. “Você pode apostar nos carros ou apostar na pista. A pista não vai dar o mesmo retorno, mas é um investimento mais seguro”, diz.

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