A XP Investimentos revisou suas projeções macroeconômicas após a queda mais forte do petróleo no mercado internacional, com a expectativa de que o Brent encerre o segundo semestre de 2026 em US$ 75 por barril, ante estimativa anterior de US$ 85.
Segundo os economistas da casa, o movimento reduz receitas de exportação e arrecadação no Brasil, mas também diminui a pressão inflacionária global e reduz a chance de o Federal Reserve (Fed, banc central dos EUA) elevar juros no curto prazo.
No cenário doméstico, a XP manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,0% em 2026, com viés de alta diante do acúmulo de medidas expansionistas. Para 2027, porém, reduziu a estimativa de expansão de 1,2% para 1,0%, refletindo o fim dos estímulos de curto prazo e uma possível desaceleração do crédito.
No campo fiscal, a menor arrecadação relacionada ao petróleo deve ser parcialmente compensada pela redução da subvenção aos combustíveis. A XP projeta déficit primário de 0,3% do PIB em 2026, mas destaca que despesas financeiras maiores ampliam o impulso fiscal e pressionam a trajetória da dívida pública.
A casa também elevou a previsão de déficit em conta corrente para 2,5% do PIB em 2026, contra 2,1% anteriormente, diante da queda das exportações de petróleo e do aumento dos gastos com serviços. O Investimento Direto no País (IDP) deve permanecer robusto, alcançando 3,1% do PIB.
Câmbio e inflação
A XP aponta que a incerteza política, a queda nos preços das commodities e a valorização global do dólar podem pressionar o câmbio. Apesar disso, o balanço de pagamentos segue favorável, mantendo a projeção de dólar a R$ 5,00 no fim de 2026 e R$ 5,30 ao final de 2027.
Com o petróleo mais barato, a instituição reduziu a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de 5,5% para 5,2%. Para 2027, a projeção permanece em 4,2%, embora os riscos continuem concentrados para cima.
Juros
A XP avalia que uma inflação menos pressionada no curto prazo reforça a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em agosto. No entanto, fundamentos ainda desfavoráveis devem levar o Banco Central a adotar cautela posteriormente.
A projeção para a Selic ao fim de 2026 foi mantida em 14,0%. Para 2027, a XP espera retomada do ciclo de cortes, com a taxa básica encerrando o ano em 11,5%, diante de uma desaceleração da atividade e da hipótese de algum avanço no ajuste fiscal.
Eleições presidenciais
Analistas da XP destacam que as eleições começam a ganhar espaço nos debates de mercado, com pesquisas recentes indicando uma recuperação da popularidade do Presidente Lula, à medida que os consumidores sentem o impacto dos estímulos econômicos recentes.
Por outro lado, a XP comenta que o principal candidato de oposição, Flavio Bolsonaro, perdeu algum terreno após eventos que o associaram a Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Mas ele continua sendo um candidato competitivo, de acordo com a maioria das pesquisas”, pontua. “Por ora, as notícias relacionadas às eleições criaram volatilidade de curto prazo, mas não uma tendência para os preços dos ativos, já que as incertezas permanecem elevadas.”
The post XP reduz projeção do Brent e vê IPCA mais baixo, mas mantém Selic em 14% em 2026 appeared first on InfoMoney.



