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Morgan Stanley vê oportunidades após correção do petróleo e eleva PRIO para compra

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Morgan Stanley vê oportunidades após correção do petróleo e eleva PRIO para compra

A forte correção recente do petróleo abriu uma janela atrativa para investidores em ações de óleo e gás da América Latina, na visão dos analistas do Morgan Stanley. Em relatório divulgado neste fim de semana, o banco americano afirma que a queda de cerca de 40% do Brent em relação ao pico recente provocou uma retração de aproximadamente 20% nas ações do setor, criando pontos de entrada interessantes em companhias com fundamentos sólidos.

Entre as empresas brasileiras, a principal aposta continua sendo a Petrobras (PETR3;PETR4), enquanto a PRIO (PRIO3) passou a integrar o grupo de recomendações overweight (equivalente à compra), após uma revisão positiva do banco. O Morgan Stanley também mantém visão neutra para Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3).

A revisão ocorre em meio a uma redução das projeções para o petróleo. O banco atualizou seu cenário para incorporar a nova expectativa de seus estrategistas de commodities, que agora trabalham com Brent a US$ 75 por barril no curto prazo e US$ 70 no longo prazo. Com isso, as estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para as empresas do setor foram reduzidas em média em 8% para 2026 e em 10% para 2027.

Apesar do corte nas estimativas, os analistas argumentam que as ações latino-americanas estão precificando um cenário excessivamente pessimista, equivalente a um Brent entre US$ 58 e US$ 65 por barril no longo prazo, abaixo da visão do banco para a commodity.

Petrobras segue entre as favoritas

A Petrobras permanece como uma das principais recomendações do Morgan Stanley. O banco destaca que os papéis embutem um petróleo próximo de US$ 60 por barril, patamar considerado excessivamente conservador diante da capacidade da companhia de gerar caixa mesmo em cenários menos favoráveis.

A instituição projeta rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) de 14,5% em 2026 e de 15,2% em 2027, além de dividend yield de 12% e 13,3%, respectivamente. O preço-alvo foi fixado em US$ 26 por ADR (recibo de ações negociado nos EUA), o que representa potencial de valorização de cerca de 61%, mas uma redução frente os US$ 28,50 anteriores.

Segundo o banco, a estatal continua apresentando forte execução operacional e deve encerrar 2026 com produção acima do topo da faixa indicada pela administração. A avaliação também é sustentada pelo crescimento do pré-sal e pelos múltiplos considerados atrativos em comparação com pares globais.

PRIO é elevada para compra

Já para a elevação da recomendação de PRIO para overweight (exposição acima da média, equivalente à compra), a recente queda das ações melhorou significativamente a relação risco-retorno, tornando o papel mais atrativo.

O Morgan Stanley cita como fatores positivos o avanço do projeto Wahoo, que vem ocorrendo em linha com as metas da companhia, e a expectativa de anúncio de uma política formal de dividendos no segundo semestre de 2026, apontada como um potencial catalisador para as ações.

O preço-alvo foi elevado de R$ 66 para R$ 71 por ação, indicando potencial de valorização de aproximadamente 35%. Além disso, a empresa deve apresentar FCF yield de 25,9% em 2026 e de 32,7% em 2027, um dos mais elevados da cobertura do banco.

Para a Brava Energia, o Morgan Stanley continua vendo uma proposta de valor atraente, apoiada pela melhora operacional observada nos últimos meses, especialmente após o início da produção do FPSO Atlanta e a retomada das operações em Papa-Terra.

Mesmo assim, a recomendação permanece equal-weight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra), com preço-alvo de R$ 23 por ação. Na avaliação do banco, fatores técnicos ainda limitam um potencial maior de valorização no curto prazo.

Já a PetroReconcavo segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12,50. Os analistas destacam o potencial de geração de dividendos e o posicionamento da companhia no segmento de revitalização de campos maduros no Brasil, mas ponderam que a menor escala operacional e a liquidez mais reduzida das ações limitam o apetite pelo papel neste momento.

Petróleo deve enfrentar mercado mais frouxo

A visão mais cautelosa para o Brent está ligada à expectativa de um mercado global com maior oferta. O Morgan Stanley avalia que a normalização mais rápida dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, combinada à manutenção das exportações elevadas dos Estados Unidos e à demanda mais fraca da China, deve resultar em excedentes no mercado físico de petróleo nos próximos anos.

Ainda assim, o banco considera que a recente correção das ações já incorporou boa parte desse cenário, razão pela qual vê oportunidades especialmente em Petrobras e PRIO entre os nomes brasileiros.

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