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BlackRock diz que é hora da renda fixa e vê Brasil como uma das estrelas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
BlackRock diz que é hora da renda fixa e vê Brasil como uma das estrelas

A América Latina e o Brasil entram no segundo semestre deste ano entre as preferências da gigante americana BlackRock para investimentos, mas não para Bolsa. Em cenário dividido entre a abundância prometida pela Inteligência Artificial e a escassez provocada pela demanda de produtos e serviços, a gestora enxerga mais oportunidade na renda fixa, favorecida por pressões inflacionárias e juros mais altos, explicou Axel Christensen, estrategista-chefe para a região, nesta quinta-feira (2).

“Brasil e Colômbia oferecem alguns dos maiores retornos reais e possibilidade de uma breve normalização monetária, apesar de os desdobramentos fiscais continuarem críticos”, disse Christensen. “Continuamos cautelosos em alocações regionais, preferindo oportunidades específicas em cada país, uma seleção ativa e exposição temática”, diz.

A gestora vê menor risco em renda fixa nos prazos mais curtos e sugere maior diversificação, citando, além dos Treasuries americanos, títulos locais de países emergentes e crédito privado securitizado, com garantias. E, sem mencionar especificamente a NTN-B brasileira, sugere especificamente títulos corrigidos pela inflação em moeda local.

A região também é favorecida por um ambiente de queda da inflação, políticas monetárias críveis e uma reformulação das forças globais de crescimento e fluxos de capitais, acredita a gestora. No entanto, o profissional prega seletividade diante da influência de fatores externos e internos.

Entre os riscos locais, ele cita a eleição presidencial no Brasil e a necessidade de demonstrar credibilidade fiscal como um diferencial importante, lembrando que um crescimento global menor, tensões geopolíticas e um aperto nas condições financeiras globais podem ser riscos externos para esses países.

“Independentemente de quem vença [a eleição], vemos desafios e oportunidades para o Brasil, entre eles como aproveitar as oportunidades criadas pela maior demanda da IA ou mesmo energia e alimentos, para aumentar o crescimento da economia, e como reduzir o custo de financiamento, para tornar possíveis os investimentos em infraestrutura, que são muito sensíveis às taxas de juros”, disse.

Ele menciona ainda que o País tem altas reservas de matérias como terras raras, e que todas essas potencialidades precisarão de investimento pesado para sair do papel. “Infraestrutura deve ter um papel importante na atração de investimentos. Acreditamos que o Brasil deve estar no foco de interesse dos investidores, especialmente em infraestrutura”, falou.

A BlackRock reduziu nesta semana a recomendação de “overweight” (equivalente a compra) para “neutra” em Mercados Emergentes. O movimento, explicou o estrategista, serviu para realizar um pouco dos lucros obtidos no ano passado e no começo deste ano, especialmente na Coréia do Sul e Taiwan por conta das fornecedoras para a IA. O aumento da volatilidade dos mercados também estimulou essa redução. “Não significa que não gostamos de mercados emergentes, e podemos revisitar essa recomendação, dependendo do cenário”, disse.   

Christensen lembra que hoje o S&P500 e índices de Mercados Emergentes, que incluem as bolsas da Coreia do Sul ou de Taiwan, têm risco muito concentrado em poucas companhias ligadas à IA. “Por isso, temos de mudar nossa abordagem, ir além do modelo tradicional de diversificação e buscar outros ativos”, explica. “E a América Latina se destaca claramente nessa abordagem, por ser menos impactada por IA, pelos conflitos geopolíticos, isso a faz ter mais sabor local”.

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