A Receita Federal informou nesta terça-feira (30) que as stablecoins, criptoativos atrelados a moedas como o dólar e o real, já respondem por cerca de 80% de todo o volume declarado de criptoativos negociados no Brasil. O levantamento, divulgado às vésperas da primeira entrega da DeCripto, mostra que essa participação saltou de apenas 3,5% em 2019 para patamares acima de 90% em determinados períodos.
A partir de julho de 2026, as transações com criptoativos passam a ser informadas obrigatoriamente ao Fisco por meio da DeCripto, instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291, de 14 de novembro de 2025. A norma alinha o Brasil ao padrão internacional da OCDE, conhecido como Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), e reforça o papel da Receita Federal no combate à evasão de divisas, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades criminosas.
Segundo as declarações recebidas pelo órgão até dezembro de 2025, o mercado brasileiro de criptoativos movimentou cerca de R$ 1,58 trilhão entre agosto de 2019 e o fim do ano passado. Desse total, R$ 1,13 trilhão, ou 71,7%, correspondeu a operações com stablecoins, que buscam manter paridade próxima de 1 para 1 com uma moeda de referência.
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O crescimento do segmento se acelerou a partir de 2020, depois de um período em que as stablecoins representavam fatia marginal do mercado. A participação passou de 3,5% do volume total em 2019 para 79,7% em 2022 e chegou a 91,5% em 2023, ano em que atingiu o pico mensal de 94,3% do total declarado, em julho. Nos anos seguintes, com a valorização de outros criptoativos, a dominância das stablecoins se estabilizou em uma faixa entre 76% e 80%. Em termos absolutos, o volume mensal negociado nesses ativos chegou a R$ 39,7 bilhões em novembro de 2025, maior marca da série histórica.
Entre as stablecoins, a Tether (USDT), atrelada ao dólar, concentra a maior fatia das transações, com 88,7% de todo o volume declarado nesse segmento entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, o equivalente a cerca de R$ 1,0 trilhão. Na sequência aparecem a USD Coin (USDC), também referenciada em dólar, com 7,1% do total, e a Brazilian Digital Token (BRZ), com 3,4%, a principal stablecoin lastreada em real do levantamento.
O avanço também aparece no número de operações. Foram 185,7 milhões de transações de compra e venda de stablecoins declaradas no período analisado, ante número de operações praticamente nulo em 2019. A alta se intensificou a partir de 2024, quando o mercado registrou recorde de 18,2 milhões de operações com stablecoins em um único mês, novembro daquele ano, período em que o total de operações com criptoativos somou 31,9 milhões.
A Receita Federal também destacou que parte relevante do volume em stablecoins é negociada por meio de prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior. A DeCripto torna obrigatória a entrega de informações também por essas empresas estrangeiras, desde que direcionem suas atividades ao mercado brasileiro, conforme o artigo 5º da instrução normativa. A exigência determina que empresas que operam no país com criptoativos, independentemente do domicílio, prestem informações sobre suas atividades e seus clientes ao Fisco.
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