O governo federal anunciou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial com R$ 525,1 bilhões em crédito e redução nas taxas de juros das principais linhas de financiamento. A menor taxa será de 8% ao ano, enquanto o teto das operações destinadas aos médios produtores ficará em 9%.
O lançamento foi realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Agricultura, André de Paula, e do ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no Paraguai para a Cúpula do Mercosul e não participou da cerimônia.
Segundo o governo, a redução das taxas ocorreu mesmo em um cenário de juros elevados na economia. Durante o evento, Durigan afirmou que as principais linhas passaram de patamares próximos de 14% para cerca de 12% ao ano, enquanto outras foram reduzidas de 10% para 9%.
O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) receberá R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de 9% ao ano.
As taxas de juros também foram reajustadas para outros programas:
- RenovAgro e PCA – 9,5%;
- PCA até 12.000 ton – 8%;
- Custeio Empresarial – 12,5%
- Moderfrota – 12,5%
- Inovagro – 11,5%
- RenovAgro Ambiental – 8,5%
- Proirriga e Investimento empresarial – 11,5%
- Moderfrota Pronamp – 11,5%
O governo também anunciou incentivos para produtores que mantiverem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e adotarem práticas sustentáveis. Nesses casos, será possível obter desconto de até um ponto percentual nas operações de custeio, dividido entre a regularização ambiental da propriedade e a adoção de boas práticas agropecuárias.
O desconto contempla até 0,5 ponto percentual para produtores com o CAR em situação regular e outro 0,5 para aqueles que adotarem as práticas agropecuárias sustentáveis.
“Mesmo em um cenário de elevada taxa de juros no país, a gente conseguiu uma redução das taxas em todas as linhas, passando de um patamar de 14% para 12% ao ano na maioria das linhas, e de 10% para 9% em outras”, destacou Durigan durante o anúncio.
Além das condições de financiamento, o Plano Safra prevê volume recorde de recursos. O total de R$ 525,1 bilhões representa aumento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior, alta de 1,7%.
Desse montante, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização da produção. Outros R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos, como aquisição de máquinas, ampliação da capacidade de armazenagem e modernização das propriedades rurais.
Apesar do crescimento, o valor ficou abaixo da proposta apresentada pelos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, que defendiam um plano de R$ 652 bilhões para a safra 2026/2027.
Também foi anunciada a criação de um Grupo de Trabalho para avaliar os possíveis impactos do fenômeno El Niño, que pode impactar a produção nas lavouras neste ano. Com o grupo, a expectativa é que sejam elaboradas novas ações para mitigar os impactos no bolso dos produtores rurais.
Agricultura Familiar
Às 17h, nesta terça-feira (30), o governo também lançará o Plano Safra para a agricultura familiar. A expectativa é que o presidente Lula participe do anúncio ao lado de outros membros do governo.
A previsão é que o plano disponibilize R$ 83 bilhões, totalizando R$ 608 bilhões em investimentos na agricultura. O plano contemplará linhas de crédito, contratação de seguro agrícola e assistência técnica e extensão rural.
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