Últimas

Passaporte brasileiro sobe em ranking e já é o segundo mais forte na América Latina

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Passaporte brasileiro sobe em ranking e já é o segundo mais forte na América Latina

O passaporte brasileiro ganhou força no cenário internacional e alcançou, em 2026, a segunda posição entre os países da América Latina, perdendo apenas para o Chile. No ranking global, o País ficou na 49ª colocação do Global Passport Index (GPI), elaborado pela consultoria internacional Global Citizen Solutions Global Citizen Solutions.

O avanço, entretanto, foi limitado por uma questão recorrente da inserção internacional do Brasil: a economia. Enquanto a diplomacia e a a mobilidade internacional permanecem como ativos importantes e consolidados, o desempenho econômico continua sendo o principal freio para uma ascensão mais robusta no cenário global, segundo a consultoria.

“O Brasil é o exemplo de uma potência média estável, mas sua fraqueza persistente reside nos investimentos, o que serve de lembrete de que a abertura econômica não acompanhou o alcance diplomático do país”, afirma Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions.

Com pontuação geral de 82,4 em uma escala de 100 pontos, o Brasil ficou atrás apenas do Chile na América Latina. O resultado reflete um equilíbrio entre forte capacidade de circulação internacional e indicadores relativamente favoráveis de qualidade de vida, mas também evidencia fragilidades estruturais ligadas à renda, tributação e ambiente de negócios.

“O diferencial do Global Passport Index é justamente avaliar o passaporte como um ativo completo, e não apenas como um documento de viagem. Mobilidade é fundamental, mas oportunidades econômicas, investimentos e qualidade de vida também fazem parte da equação”, acrescenta Casaburi.

Índice Global de Passaportes 2026

Top 10 passaportes mais poderosos do mundo

  1. Suécia
  2. Suíça
  3. Finlândia
  4. Alemanha
  5. Holanda
  6. Dinamarca
  7. Irlanda
  8. Reino Unido
  9. Noruega
  10. Singapura

Diplomacia é principal ativo

Com uma larga tradição diplomática, o Brasil tem como principal motor de sua posição no ranking a mobilidade internacional. O país obteve nota 90,7 nesse quesito, o que lhe rendeu a 43ª posição mundial, liderando a América Latina nesse indicador.

Em 2026, o país ampliou acordos de mobilidade internacional, incluindo a isenção recíproca de vistos de curta duração com a China e a entrada sem visto para cidadãos de diversos países europeus e caribenhos.

“O Brasil também vem adotando uma postura de reciprocidade, restabelecendo a exigência de vistos para viajantes dos EUA, do Canadá e da Austrália, após anos concedendo acesso sem ser retribuído. Esse movimento sinaliza o fim da era das isenções unilaterais de visto e indica que as potências emergentes esperam, cada vez mais, que a mobilidade seja uma via de mão dupla”, afirma.

Na prática, o ranking sugere que o Brasil já se aproxima de um teto de expansão em termos de mobilidade internacional. A partir deste ponto, avanços adicionais dependerão menos da diplomacia tradicional e mais da celebração de novos acordos estratégicos.

O relatório alerta, porém, para novos desafios regulatórios. A implementação do sistema europeu ETIAS, prevista para os próximos anos, deverá introduzir novos custos e procedimentos para brasileiros que viajam ao continente, principal destino internacional dos turistas nacionais.

Leia Mais: ETIAS para brasileiros: como funcionará a autorização para entrar na Europa

Economia é o elo mais fraco

Se a diplomacia impulsiona o desempenho brasileiro, os indicadores econômicos seguem limitando sua ascensão global. No pilar de investimentos e oportunidades econômicas, o Brasil aparece apenas na 81ª colocação mundial, com nota 43,9, apesar de manter a segunda melhor posição da América Latina.

O estudo aponta que o país apresenta desempenho intermediário em acesso a mercados e inovação, mas enfrenta limitações estruturais relacionadas à elevada carga tributária e à renda média da população.

A tributação sobre a pessoa física, cuja alíquota máxima permanece em 27,5%, aparece entre os principais fatores que reduzem a atratividade brasileira para investidores e indivíduos de alta renda. Ao mesmo tempo, a renda nacional bruta per capita continua distante dos padrões observados nas economias mais bem posicionadas do ranking.

“O avanço do Brasil nas próximas edições dependerá diretamente de melhorias econômicas e ajustes tributários, uma vez que o componente de mobilidade já se encontra próximo do limite de expansão”, afirma a executiva.

Qualidade de vida

Outro fator que contribui para a posição brasileira é o desempenho relativamente positivo nos indicadores de qualidade de vida. O país ocupa a 37ª posição global nesse quesito, impulsionado principalmente pelo custo de vida e pelos índices de satisfação pessoal. Os indicadores ambientais e relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ainda apresentam desempenho moderado, embora superior à média latino-americana.

O levantamento também destaca uma evolução gradual dos fundamentos econômicos brasileiros ao longo dos últimos cinco anos. A renda nacional bruta per capita considerada pelo índice avançou de US$ 14,9 mil para US$ 18,9 mil no período, reforçando uma trajetória de melhora estrutural, ainda que insuficiente para aproximar o país das economias líderes.

Resultado regional

O desempenho brasileiro reflete uma característica mais ampla observada em praticamente toda a América Latina. A região apresenta bons níveis de mobilidade internacional, mas continua enfrentando dificuldades para competir globalmente em indicadores ligados à riqueza, produtividade e ambiente de negócios.

Mesmo superando a média regional em todos os critérios analisados, o Brasil permanece inserido em um bloco de países cuja competitividade internacional ainda é limitada pelo desempenho econômico. A metodologia do Global Passport Index reforça justamente essa dinâmica comparativa. Isso significa que não basta melhorar indicadores internos: é necessário evoluir mais rapidamente do que os demais países para subir posições.

Em outras palavras, o passaporte brasileiro continua sendo um dos mais fortes do continente para circular pelo mundo. O desafio para os próximos anos será transformar essa capacidade diplomática em maior competitividade econômica e capacidade de atração de investimentos.

Segundo a consultoria, a América Latina divide-se em dois grupos distintos. Um bloco de liderança composto por cinco países: Chile, Brasil, Argentina, Uruguai e Costa Rica, situados entre as posições 46 e 57 no ranking global. Os demais países ficam para trás, com pontuações mais baixas, prejudicadas em grande medida pela menor mobilidade internacional.

Como é feita a avaliação dos países:

  • 50%: mobilidade internacional e acordos de vistos
  • 25%: ambiente econômico e oportunidades de investimento
  • 25%: qualidade de vida, segurança e indicadores sociais
  • 199 países analisados
  • 5º ano de publicação do ranking
  • Brasil: 49º lugar global e 2º da América Latina

The post Passaporte brasileiro sobe em ranking e já é o segundo mais forte na América Latina appeared first on InfoMoney.

Passaporte brasileiro sobe em ranking e já é o segundo mais forte na América Latina — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado