SÃO PAULO, 29 Jun (Reuters) – Produtos de crédito consignado concedidos sob regras atualizadas pelo governo devem ter rentabilidade ‘significativamente menor’ em relação ao modelo anterior, estimam os analistas do UBS BB Thiago Batista e Beatriz Shinye.
Na última sexta-feira, o Ministério do Trabalho publicou portaria para possibilitar a utilização de garantias como verbas rescisórias e saldo do FGTS nas operações de crédito com consignação em folha de pagamento. A medida, que prevê juros limitados a 1,99% ao mês para as operações, foi anunciada em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira, em conjunto com outras iniciativas voltadas a devedores adimplentes.
As regras, na visão da equipe do UBS BB, criam uma nova categoria de crédito consignado privado que será muito mais seguro devido ao estabelecimento de garantias mais robustas, mas também com um teto de taxa de juros significativamente menor.
‘A rentabilidade do novo produto deve ficar em torno de 18% ante cerca de 40% do modelo anterior’, calculam Batista e Shinye.
No exercício para chegar a tal estimativa, eles assumiram uma duração de 25 meses, custo sobre receita de 50%, alíquota marginal de 45%, índice de capital Tier 1, que mede a saúde financeira do banco, de 15% e fator de ponderação de risco de 75%.
Para o novo modelo, os analistas consideraram uma taxa de juros mensal de 1,99%, com índice de inadimplência/perdas de 2,0%, enquanto, para o modelo anterior, assumiram uma taxa de juros mensal de 3,8%, com índice de inadimplência/perdas de 15%.
Na visão da equipe do UBS BB, a nova regulamentação deve melhorar a qualidade das garantias, reduzindo assim as perdas dos produtos. No entanto, avaliam que o nível final de perdas e o índice de inadimplência para o novo produto permanecem incertos.

Desenrola Brasil: renegociação de dívidas com o programa chega a R$ 15,9 bilhões
Governo federal anuncia nesta segunda a modalidade para adimplentes

Desenrola 2.0: quem poderá trocar empréstimos caros por crédito mais barato
Nova etapa do programa deixa de focar inadimplentes e mira consumidores que mantêm as contas em dia; veja quem pode participar e como deve funcionar
‘Esperamos que essas métricas gradualmente convirjam para os níveis de inadimplência observados em outros segmentos de crédito consignado, de aproximadamente 2,5% para servidores públicos e 2,0% para aposentados’, avaliam.
Eles destacaram que será importante monitorar tanto o cronograma de implementação quanto a eficácia dos mecanismos de portabilidade para esse tipo de crédito.
‘O incentivo relevante para o uso da plataforma do governo (CTPS) deve aumentar a competitividade do produto; por meio dessa ferramenta, o cliente poderá comparar as ofertas recebidas de diversos players — não temos certeza, porém, se todos os participantes irão focar na CTPS.’
Os analistas avaliam que novo modelo de crédito consignado privado deve reduzir a taxa média de juros para clientes de melhor perfil, pressionando as taxas de juros do mercado como um todo nesse segmento.
‘Como o Nu (BDR: ROXO34) e a maioria dos bancos incumbentes adotaram uma abordagem mais conservadora do que outros novos entrantes, acreditamos que essas mudanças devem ser relativamente positivas para eles’, afirmaram no relatório.
Entre os bancos brasileiros, o UBS BB tem recomendações de compra para Nu, Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Inter (BDR: INBR32) e neutra para Itaú Unibanco (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11).
The post Desenrola Adimplentes: UBS BB vê rentabilidade bem menor, mas garantias para bancos appeared first on InfoMoney.



