“Estou convencido de que a chance de o Milei se reeleger é de 60%, 70% ou mais”. A frase de Paolo Di Sora, da RPS Capital, sustenta a tese de que a Argentina irá recuperar seu selo de bom pagador e o grau de investimento ainda nesta década.
O otimismo do especialista desafia as previsões atuais do mercado internacional. Enquanto plataformas de apostas apontam menos de 50% de chance para o atual presidente, o gestor acredita que o país vizinho se tornou hoje o “aluno mais disciplinado do mundo”.
As declarações foram dadas ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. Para Di Sora, quem faz a lição de casa passa de ano, e a Argentina está no caminho certo para atingir sua meta econômica antes de 2030.
O fundo gerido por ele focado no país vizinho rendeu 30% em apenas um ano, superando com folga os principais indicadores brasileiros. Segundo o investidor, o ajuste econômico é profundo e o melhor momento para quem aplica dinheiro na região ainda está por vir.
Bilhões em energia e mineração
O entusiasmo se baseia em números sólidos: a dívida argentina em relação à sua riqueza caiu dez pontos e o país acumulou US$ 11 bilhões em reservas. Agências globais de risco já elevaram a nota de crédito da nação.
O setor de energia é o grande motor dessa transformação. A petroleira YPF planeja construir, via consórcio, uma usina de gás de US$ 25 bilhões, projeto que é considerado o maior investimento da história da América Latina.
Gigantes da mineração como BHP e Lundin Mining também miram o cobre argentino, com projetos que somam US$ 13 bilhões. O mundo busca agora alternativas de energia e minerais fora de zonas de conflito.
Até o banco JP Morgan está movendo parte de suas operações de apoio da Ásia para a Argentina. Ao todo, o governo prevê atrair cerca de US$ 140 bilhões em investimentos para agricultura, minas e infraestrutura.
Ajuste duro e foco no longo prazo
O risco-país, que mede a confiança dos investidores estrangeiros, despencou de 1.300 para 450 pontos sob a gestão atual. Contudo, Di Sora observa que os preços das ações nas bolsas ainda não subiram tudo o que deveriam.
Apesar da queda na popularidade do presidente devido aos cortes severos nos gastos públicos, o governo não dá sinais de recuo. Enquanto a capital Buenos Aires sente a economia mais fraca, o interior do país cresce com o petróleo.
O governo argentino tem priorizado investidores interessados em projetos de dez anos em vez de dinheiro que entra e sai rápido. O ministro da Economia, Luis Caputo, tem focado em atrair quem aposta na transformação real do país.
Para abrir as portas desse mercado aos brasileiros, a gestora lançou o fundo RPS Long Bias Argentina, que já captou R$ 100 milhões. O investimento busca dar acesso a uma economia que tenta deixar para trás décadas de crises.
- Dividendos da Caixa Seguridade: distribuição de 90% do lucro vai continuar?
- Mercado de crédito está mais arriscado, mas há oportunidades, observa gestor da XP
The post Gestor aposta em reeleição de Milei e diz que Argentina terá grau de investimento appeared first on InfoMoney.


