Com o Tesouro IPCA+ pagando juros reais no maior patamar desde 2008, a discussão sobre onde alocar ganhou força entre investidores. Mas há uma variável que costuma ficar em segundo plano na hora da decisão: o prazo. Escolher um título mais longo do que o horizonte de investimento pode transformar uma janela de alocação em perda, caso o investidor precise vender antes do vencimento.
O mecanismo funciona assim. Quando as taxas de mercado sobem, o preço dos títulos já emitidos cai, porque o papel antigo passa a competir com novos títulos que pagam mais. Esse efeito, chamado de marcação a mercado, é proporcional ao prazo do título: quanto mais distante o vencimento, maior a oscilação do preço a cada movimento dos juros.
Qual o risco de perda em cada cenário
Uma simulação da XP considera um choque de alta nas taxas e calcula a perda potencial para quem vender antes do vencimento. No cenário em que os juros reais chegam a 9% ao ano, partindo do nível de cerca de 7% da NTN-B 2040, os resultados seriam:
| Título | Perda potencial (taxa a 9%) |
|---|---|
| Tesouro IPCA+ 2032 | -11% |
| Tesouro IPCA+ 2040 | -23% |
| Tesouro IPCA+ 2050 | -36% |
| Tesouro IPCA+ 2060 | -47% |
O inverso também é verdadeiro. Se as taxas recuarem para 5% ao ano, os mesmos títulos registrariam ganhos via marcação a mercado, chegando a 91% no caso do IPCA+ 2060. Mas a assimetria exige clareza sobre o horizonte de investimento: quem não tem certeza de que consegue carregar o título até o vencimento assume um risco que vai além do que a taxa contratada sugere.
Leia também: Tesouro Direto: taxas estendem queda após IPCA-15 abaixo do esperado
É importante lembrar que nada disso se aplica para quem leva o título até o vencimento. O retorno contratado na compra é garantido independentemente das oscilações no meio do caminho, desde que o Tesouro Nacional mantenha sua capacidade de pagamento. O ponto, portanto, não é evitar os títulos longos, mas saber com honestidade se o horizonte de investimento é compatível com o prazo escolhido.
Como escolher o prazo certo
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney recomendam concentrar posições nos vencimentos intermediários, entre 2031 e 2035, que oferecem taxas próximas às máximas com menor volatilidade do que os papéis mais longos.
“Voltamos a observar juros reais próximos de 9%, quando consideramos as NTN-Bs com vencimento entre 2029 e 2035”, diz Rodrigo Abreu, gestor dos fundos ASA Alpha. “Estamos diante de uma importante janela de oportunidade para a alocação em ativos indexados à inflação”, afirmou.
Entre os títulos disponíveis atualmente no Tesouro Direto, o IPCA+ 2032 tende a ser o mais adequado para quem tem horizonte mais curto.
Os vencimentos mais longos, de 2050 a 2060, fazem mais sentido para objetivos de aposentadoria.
Em todos os casos, a orientação dos especialistas é a mesma: um eventual recuo das taxas, que valorizaria os papéis antes do vencimento, deve ser encarado como bônus, não como o motivo da compra.
Leia também: Investidores quase triplicam compras de Tesouro IPCA+ em meio a juro recorde de 8%
The post Comprar título IPCA+ “errado” com plano de sair antes pode custar metade do capital appeared first on InfoMoney.

