O sindicato que representa servidores do Banco Central firmou um contrato de R$ 300 mil com a atriz Luana Piovani para a gravação de um vídeo contra a PEC que amplia a autonomia da autarquia. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo.
Segundo o jornal, o pagamento foi autorizado pela direção do conselho regional do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal-DF).
A Folha teve acesso à ata de uma reunião realizada em 9 de junho, mesmo dia em que a atriz publicou o vídeo em sua conta no Instagram, com legenda indicando se tratar de publicidade e marcando os perfis do sindicato.
De acordo com o documento, a presidente do Sinal-DF, Edna Velho, abriu a reunião reforçando a importância de uma atuação mais incisiva da entidade nas redes sociais para alertar sobre os riscos da PEC, diante do avanço da proposta no Senado.
Na ata, consta que a contratação de Luana Piovani foi sugerida por ela ser uma figura reconhecida por sua atuação pública em manifestações sobre temas de interesse social. O texto também deixa claro que houve uma reunião prévia entre as partes, na qual foram discutidos tanto a possibilidade de contratação quanto o valor da remuneração.
O jornal também teve acesso a outras atas de reuniões em que foram aprovados recursos para campanhas contrárias à PEC. Somados, os gastos com publicidade contra a proposta no Senado já chegam a R$ 800 mil.
Entenda a PEC
Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 10 de junho, a proposta de emenda à Constituição pretende alterar a classificação legal do Banco Central, que deixaria de ser uma autarquia para se tornar uma entidade pública de natureza especial, com autonomia orçamentária, financeira e administrativa.
O texto também prevê que o Banco Central seja organizado como uma empresa pública com poder de polícia, incluindo atribuições de regulação, supervisão e resolução, além de estabelecer a supervisão do Congresso Nacional sobre suas atividades.
Se a PEC for aprovada, os servidores do Banco Central deixarão de ser considerados funcionários públicos. A eles será dada a opção de migrar para carreiras do Poder Executivo federal ou permanecer no quadro de pessoal do BC — uma mudança que pode afetar trajetórias profissionais e tem gerado preocupação entre os sindicatos da categoria.
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