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“Para o Brasil não tem Desenrola”, dizem gestores preocupados com as contas públicas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
“Para o Brasil não tem Desenrola”, dizem gestores preocupados com as contas públicas

O Brasil enfrenta hoje um grave problema de confiança em suas contas públicas, sendo comparado por Bruno Garcia, da Truxt, a um indivíduo viciado em gastar que já perdeu o crédito na praça. A falta de controle sobre o dinheiro do Estado tem gerado um pessimismo crescente no mercado financeiro, pois o governo precisa pagar juros cada vez mais altos para conseguir financiamento, situação que leva Garcia a afirmar que o país “está pegando dinheiro já com agiota que está financiando ele no overnight”. Esse cenário de desconfiança impede que a economia decole, mesmo quando alguns indicadores parecem positivos à primeira vista.

Essa situação crítica faz com que o país viva em um ciclo perigoso de dependência de empréstimos caros. Na prática, diz, significa que o governo está pagando taxas altíssimas apenas para adiar o pagamento de suas contas, o que drena os recursos que deveriam ir para saúde, educação e infraestrutura.

As análises sobre esse “labirinto fiscal” foram o centro das discussões no programa Aftermarket, apresentado por Lucas Collazo. No debate, especialistas destacaram que, embora a Bolsa de Valores brasileira pareça barata, o risco de investir no país ainda é considerado muito alto. Isso ocorre porque as aplicações de renda fixa oferecem retornos tão elevados que o investidor não vê vantagem em arriscar seu capital, visão corroborada por Garcia ao notar que “o risco retorno da renda fixa, especialmente da NTNB, me parece melhor do que o da Bolsa.”

A desconfiança é tão profunda que nem mesmo a arrecadação recorde de impostos tem sido suficiente para acalmar os ânimos. O problema é que quase todo o dinheiro que entra nos cofres públicos é consumido por gastos obrigatórios e pelo pagamento de juros, que Christian Keleti, da Alpha Key, estima em cerca de “R$ 1,2 tri de juros por ano”. Para o cidadão comum, o governo criou programas de renegociação de dívidas, mas, como resumiu Garcia de forma contundente, “para o Brasil não tem Desenrola.”

A bolsa barata que esconde armadilhas

Para quem olha de fora, os preços das empresas brasileiras na Bolsa podem parecer um grande negócio, mas os gestores fazem um alerta importante. Keleti é categórico ao dizer que essa percepção pode ser enganosa: “O Brasil parece barato, mas não está.” Segundo ele, o mercado deve enfrentar muitos meses de sobe e desce enquanto o governo não apresentar um plano real e convincente para controlar os gastos e estabilizar a dívida pública.

Atualmente, o prêmio para investir em ações no Brasil é considerado baixo diante da incerteza sobre a capacidade das empresas de manterem seus lucros com juros tão elevados. Ainda assim, existem casos isolados de oportunidade, especialmente para o investidor estrangeiro. Garcia aponta que a Vale (VALE3), por exemplo, oferece um “yield perto de 8% em dólar”, o que é superior ao de suas concorrentes na Austrália ou no México.

Entretanto, esse interesse externo depende quase exclusivamente de uma aposta na estabilidade do Real. Se o governo não sinalizar um ajuste fiscal crível, Garcia alerta que os investidores exigirão prêmios maiores até que o ajuste seja “dado na moeda”, gerando desvalorização e inflação. O sentimento geral entre os gestores é de uma espera angustiante, onde qualquer erro político interno pode custar muito caro ao bolso dos brasileiros.

No cenário internacional, a situação também não ajuda. Com os juros altos nos Estados Unidos e o dólar forte, o Brasil acaba “derretendo” sem boas notícias internas. “O Brasil tende a ir meio que derretendo nesse cenário internacional ruim”, lamentou Garcia, reforçando que a falta de confiança interna impede que os investidores voltem a acreditar plenamente no potencial do país.

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