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De mãe solo e desempregada a trader: a transformação de Ana Tavares

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
De mãe solo e desempregada a trader: a transformação de Ana Tavares
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Ser demitida, enfrentar uma separação e criar uma filha sozinha foram alguns dos desafios que marcaram uma das fases mais difíceis da vida de uma trader.

Antes de encontrar no day trade uma nova profissão, ela enfrentou uma crise marcada por falta de propósito, dificuldades emocionais e a sensação de estar apenas sobrevivendo para pagar as contas.

Convidada do episódio 79 do programa GainDelas, no canal GainCast, Ana Tavares contou que sua principal virada não aconteceu quando conheceu o mercado financeiro.

Segundo ela, a transformação começou antes mesmo do primeiro trade, quando percebeu que a mudança que buscava dependia muito mais das próprias atitudes do que das circunstâncias ao seu redor.

Quando tudo desabou

Durante anos, Ana Tavares construiu sua carreira no mercado tradicional. Após passar por diferentes cargos, chegou a posições de gestão em uma grande empresa. No entanto, a demissão mudou completamente seus planos.

Pouco tempo depois, ela também enfrentou o fim do casamento e precisou lidar sozinha com a responsabilidade de criar a filha.

“Quando eu fui demitida, foi naquele momento da vida que você fica: ‘meu, e agora? Para onde eu vou? Só sei fazer isso, não sei fazer mais nenhuma outra coisa'”, relata.

Na tentativa de recomeçar, Ana encontrou uma nova oportunidade profissional. Entretanto, a rotina de trabalho se tornou cada vez mais desgastante.

Trabalhando em horários extensos e frequentemente aos fins de semana, ela sentia que estava perdendo momentos importantes da infância da filha. “Eu trabalhava de domingo a domingo. Aquilo começou tipo a me fazer muito mal”, recorda.

Além disso, o desgaste emocional passou a afetar sua motivação e sua perspectiva sobre o futuro. Mesmo buscando recolocação na área em que atuava, ela não conseguia enxergar um caminho que a tirasse daquela situação.

“Estava numa fase em que eu não tinha propósito de nada. Sabe quando você fica desgostosa da vida?”, relembra.

Com o passar do tempo, a sensação de apenas sobreviver para pagar contas se tornou cada vez mais intensa.

Sem conseguir visualizar uma saída clara, Ana afirma que entrou em um dos períodos mais difíceis da sua trajetória.

“Eu entrei realmente numa fase muito difícil, de literalmente sobreviver para pagar as contas, e as coisas não iam, as coisas não andavam”, afirma.

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A decisão que mudou tudo

A mudança começou quando uma amiga lhe presenteou com o livro O Milagre da Manhã.

Embora o mercado financeiro ainda nem fizesse parte dos seus planos, a leitura despertou reflexões que mudariam completamente sua forma de enxergar a própria realidade. “Esse livro ele me tirou do fundo do poço”, declara.

Segundo Ana, a grande virada aconteceu quando deixou de atribuir seus problemas exclusivamente às circunstâncias e passou a assumir responsabilidade pelos próprios resultados.

Até então, ela acreditava que os acontecimentos ao seu redor eram os principais responsáveis pela situação que vivia. “Você acha que você é vítima de tudo. E eu sempre reclamava da vida”, relata.

Contudo, esse pensamento começou a mudar conforme Ana aprofundava o processo de desenvolvimento pessoal.

Pela primeira vez, ela passou a enxergar que também precisava assumir um papel ativo na transformação que desejava construir.

“Só que quando você percebe que a sua vida está uma ‘m’ por culpa sua, você criou esses resultados, você não fez o que tinha que ser feito, vamos, vamos lá, vamos sair desse papel de coitada e vamos assumir a responsabilidade de tudo”, conta.

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Em busca de liberdade

Embora considere essa percepção desconfortável, Ana acredita que ela também foi libertadora. Afinal, se os resultados negativos não estavam nas mãos de terceiros, as mudanças positivas também dependiam dela.

“Cara, minha vida não está na mão de ninguém. Eu posso. Se a minha vida está esse lixo que está hoje, ela também pode mudar”, ressalta.

Foi justamente nesse momento que ela começou a definir com mais clareza o que queria para o futuro.

Seu objetivo era encontrar uma atividade que permitisse acompanhar mais de perto o crescimento da filha e ter maior autonomia sobre o próprio tempo.

“Eu vou trabalhar com algo que me traga a liberdade, onde eu vou poder acompanhar o crescimento da minha filha”, recorda.

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O mercado veio depois

Para Ana, a transformação aconteceu antes mesmo de conhecer o mercado financeiro.

Na sua visão, o day trade não foi o responsável pela mudança de vida, mas uma consequência de um processo que já estava em andamento.

“O meu processo de transformação de mentalidade, ele aconteceu antes do mercado”, destaca.

Nesse período, ela passou a mudar hábitos que carregava havia anos. Exercícios físicos, leitura, desenvolvimento pessoal e uma rotina mais disciplinada começaram a fazer parte do seu dia a dia.

Aos poucos, a mudança interna passou a refletir também nos resultados externos. “Eu fui mudando todo o meu estilo de vida”, relata.

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Consistência sobre repetição

Além disso, Ana aprendeu uma lição que mais tarde levaria para o trading: grandes transformações não acontecem de forma imediata.

Pelo contrário, elas são resultado da repetição consistente de pequenas ações ao longo do tempo. “Consistência sobre repetição”, enfatiza.

Na avaliação da trader, muitas pessoas desistem cedo demais porque esperam mudanças rápidas.

Entretanto, ela acredita que a evolução surge justamente da capacidade de continuar executando o processo mesmo quando os resultados ainda não são visíveis.

“Você tem que repetir, repetir, repetir, repetir. De repente aquilo que não estava vendo começa a aparecer”, explica.

Hoje, ela acredita que o mercado financeiro foi consequência de uma mudança que já havia começado muito antes dos gráficos e das operações.

Para a trader, a verdadeira virada aconteceu quando assumiu a responsabilidade pela própria trajetória e passou a construir, diariamente, os hábitos necessários para alcançar a vida que desejava.

“Se eu não tivesse desenvolvido essa autorresponsabilidade ou o nível de resiliência muito grande, eu não estaria nem aqui hoje contando essa história”, conclui.

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