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Taxas dos DIs têm baixas firmes após Tesouro cancelar leilão de NTN-B

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Taxas dos DIs têm baixas firmes após Tesouro cancelar leilão de NTN-B

SÃO PAULO, 22 Jun (Reuters) – Após a escalada recente, ⁠as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira com baixas firmes, em especial ⁠entre os contratos de longo prazo, após o Tesouro anunciar o cancelamento do leilão de títulos indexados à ‌inflação programado para terça-feira.

O movimento ocorreu na contramão do exterior, onde a expectativa de alta de juros pelo Federal Reserve voltou a impulsionar os rendimentos dos Treasuries.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em ‌14,22%, com baixa de 4 pontos-base ante o ajuste de 14,256% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,54%, com queda de 19 pontos-base ante o ajuste de 14,729%. O recuo das taxas futuras no Brasil interrompeu uma sequência de quatro sessões de ganhos.

No início do dia o Tesouro Nacional informou por meio de comunicado o cancelamento do leilão de Notas do Tesouro Nacional — Série B programado para a terça-feira, dia 23. Ao mesmo tempo, manteve o leilão ⁠de ‌Letras Financeiras do Tesouro (LFT), título indexado à taxa Selic, previsto também para a terça-feira.

Ao cancelar a operação de venda de NTN-B, ⁠o Tesouro retira parte da pressão de alta na curva a termo brasileira, vista principalmente entre os vencimentos mais longos nas últimas três sessões, quando investidores reagiram à decisão de política monetária do Banco Central da última quarta-feira.

Operador ouvido pela Reuters avaliou pela manhã que o mercado estava um pouco ‘disfuncional’ e que o cancelamento do leilão de NTN-B busca reequilibrá-lo.

Em reação, após atingir a máxima de 14,715% (-1 ponto-base) às 9h09, logo depois da abertura, a taxa ​do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 14,470% (-26 pontos-base) às 12h50, na esteira do anúncio do cancelamento da operação com NTN-B.

Em outros momentos este ano o Tesouro havia feito ajustes na oferta semanal de NTN-B ​justamente para reduzir a pressão de alta no trecho longo da curva a termo. Há duas semanas, o órgão vendeu apenas 133.400 títulos desse tipo no leilão da terça-feira, contra um montante de 900.000 títulos negociados um mês antes. Em março, na esteira dos impactos trazidos pela guerra no Oriente Médio, o Tesouro promoveu recompra de títulos, também desinflando a curva.

O cancelamento antecipado do leilão semanal de NTN-B ocorre um dia antes de um evento-chave para o mercado: a divulgação da ‌ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, na manhã de ​terça-feira.

Na semana passada, além de cortar a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, o Copom adotou um discurso ‘dovish’ (brando no combate à inflação) em seu comunicado, o que gerou forte reação negativa dos investidores. A leitura foi de que o BC preparou o terreno para novo corte de ⁠25 pontos-base em agosto, ainda que as expectativas ​de inflação estejam piorando.

Parte do mercado ​espera que o Copom corrija sua comunicação na manhã de terça-feira, por meio da ata, mas há dúvidas sobre se o documento permitirá de fato uma ⁠redução de prêmios de risco na curva ou se ele renovará ​a pressão de alta nas taxas. Antecipando-se a isso, o Tesouro já cancelou o leilão de NTN-B da terça-feira.

Mais cedo, o boletim Focus publicado pelo BC mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação subiu de 5,30% para 5,33% em 2026, ​de 4,10% para 4,15% em 2027 e de 3,68% para 3,70% em 2028. Já a projeção para a taxa Selic no fim deste ano foi de 13,75% para 14,00% e no final de 2027 ​seguiu em 12,00%.

O efeito do anúncio do ⁠Tesouro nesta segunda-feira se sobrepôs ao cenário externo, onde os rendimentos dos Treasuries sustentaram ganhos firmes, em meio às negociações de paz entre EUA e Irã e ⁠à expectativa de que o Fed eleve os juros ainda este ano.

Os EUA e o Irã concordaram, conforme os mediadores Catar e Paquistão, com um roteiro para um acordo final que ponha fim ao conflito em até 60 dias. Ainda assim, investidores se mostravam preocupados com as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de retomada da guerra e com o anúncio de que Teerã havia fechado novamente o Estreito de Ormuz.

Às 16h38, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 6 pontos-base, a ​4,509%.

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