O mercado segue dividido entre Brasil e exterior. O Ibovespa voltou a perder força após interromper a sequência histórica de oito semanas consecutivas de queda e continua negociando dentro de uma estrutura de baixa no curto prazo. Enquanto isso, o dólar futuro mantém a recuperação iniciada nas últimas semanas e volta a mirar resistências importantes.
Nos Estados Unidos, o ambiente segue mais favorável. Nasdaq e S&P 500 estenderam o movimento de recuperação e se aproximam novamente das máximas históricas, sustentados por fluxo comprador e pela retomada acima das médias móveis. Já o Bitcoin continua sendo o elo mais fraco entre os principais ativos, permanecendo abaixo dos US$ 70 mil e ainda sem sinais consistentes de reversão.
Com isso, segue-se vendo um cenário em que o mercado brasileiro ainda inspira cautela, enquanto os ativos americanos mostram maior resiliência. O foco agora está na defesa dos suportes do Ibovespa, na continuidade da recuperação do dólar e na capacidade das bolsas americanas de renovarem máximas, enquanto o Bitcoin tenta evitar uma retomada do movimento de baixa.
Análise técnica do Ibovespa
Pelo gráfico diário, sigo observando o Ibovespa em tendência de baixa desde a máxima histórica em 199.354 pontos, registrada em abril. Após a reação da semana anterior, o índice voltou a fechar no negativo, recuando 1,64% no período. Em 2026, ainda acumula alta de 4,47%, mas continua perdendo força.
Na última sessão, o índice encerrou praticamente estável, com leve alta de 0,03%, aos 168.333 pontos. O IFR (14) em 33,84 se aproxima da região de sobrevenda, o que pode favorecer repiques técnicos, embora o fluxo principal ainda seja vendedor.
A região da média de 200 períodos, em 167.600 pontos, segue como um suporte importante. Caso seja perdido, vejo espaço para uma aceleração da correção em direção a 164.780/161.745 pontos, com alvos mais longos em 157.000/153.570 pontos.
Para que o índice volte a ganhar força, será necessário superar as resistências em 174.230/178.340/181.560 pontos. Acima dessas faixas, os próximos objetivos passam por 187.780/192.890 pontos, com alvo mais longo na máxima histórica em 199.354 pontos.

Análise técnica do Dólar
No dólar futuro, sigo vendo uma melhora gradual da estrutura técnica. O contrato avançou 1,62% na semana e continua negociando acima das médias móveis de 9 e 21 períodos. A recuperação ganhou força após o rompimento da linha de tendência de baixa (LTB), e o movimento recente de pullback reforça a possibilidade de continuidade das altas.
Na última sessão, o contrato recuou 0,19%, encerrando aos 5.165,5 pontos. O IFR (14) em 57,68 permanece em região neutra.
O principal obstáculo agora é a média de 200 períodos, em 5.272 pontos. Caso consiga superar essa faixa e a resistência em 5.232,5 pontos, vejo espaço para avanços em direção a 5.383,5/5.446 pontos, com alvo mais longo em 5.614 pontos.
Na ponta contrária, a perda de 5.046/4.992/4.910 pontos recolocaria o ativo em trajetória de baixa, com suportes em 4.842/4.798,5 pontos e, posteriormente, em 4.752,5/4.697 pontos.

Análise técnica da Nasdaq
A Nasdaq voltou a ganhar força e registrou a segunda semana consecutiva de alta. Apesar da correção iniciada após a máxima histórica em 27.190 pontos, o índice voltou a negociar acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, sinalizando melhora da estrutura de curto prazo.
Na última sessão, avançou 1,91%, aos 26.517 pontos. Ainda assim, acumula queda de 1,69% em junho.
Para que o movimento de recuperação ganhe continuidade, será importante superar 26.685 pontos e, posteriormente, a máxima histórica em 27.190 pontos. Acima dessas regiões, os alvos passam a ser 27.545/27.895 pontos e depois 28.330/29.000 pontos.
Por outro lado, a perda dos suportes em 26.010/24.980 pontos pode recolocar o índice em trajetória corretiva, com objetivos em 24.200/23.165 pontos e, em um cenário mais amplo, em 22.500/22.020 pontos.

Confira nossas análises:
- Dólar abaixo de R$ 5? Super Quarta pode definir tendência da moeda
- Após queda forte da Bolsa, 34 ações se aproximam da média de 200 dias; veja lista
Análise técnica do S&P 500
O S&P 500 também mantém o viés positivo e segue acima das médias móveis, sustentando o movimento de recuperação das últimas semanas. O índice é negociado aos 7.489 pontos e acumula baixa de 1,10% em junho.
A máxima histórica em 7.618 pontos continua sendo o principal objetivo dos compradores. Um rompimento dessa faixa abriria espaço para 7.675/7.740 pontos e, posteriormente, para 7.810/7.935 pontos.
Na ponta negativa, a perda de 7.400/7.222 pontos pode provocar uma retomada da correção, com suportes em 7.045/6.890 pontos e alvo mais longo em 6.727 pontos.

Análise do Bitcoin
O Bitcoin continua sendo o ativo mais fragilizado entre os principais mercados. Apesar de ter apresentado uma recuperação pontual nas últimas semanas, sigo vendo uma estrutura predominantemente baixista. O ativo permanece abaixo dos US$ 70.000 e abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos.
A região dos US$ 59.130 continua sendo o principal suporte. Uma perda dessa faixa pode destravar um movimento mais intenso de baixa, com objetivos em US$ 52.550/US$ 49.000 e, em um cenário mais amplo, em US$ 43.880.
Para uma recuperação mais consistente, será necessário superar as resistências em US$ 67.292/US$ 70.465/US$ 74.450. Acima dessas regiões, os próximos alvos passam por US$ 78.200/US$ 82.850, com projeção mais longa em US$ 84.650.

IFR (14) – Ibovespa
O IFR (Índice de Força Relativa), é um dos indicadores mais populares da análise técnica. Medido de 0 a 100, costuma-se usar o período de 14. Leitura abaixo ou próxima de 30 indica sobrevenda e possíveis oportunidades de compra, enquanto acima ou próxima de 70 sugere sobrecompra e chance de correção.
Além disso, o IFR permite a aplicação de técnicas como suportes, resistências, divergências e figuras gráficas. A partir disso, segue as cinco ações mais sobrecomprados e sobrevendidos do Ibovespa:

(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T)
Guias de análise técnica:
- O que é uma linha de tendência na análise gráfica?
- O que são médias móveis e como usá-la para estratégia de Trade
- Bandas de Bollinger: como usar e interpretar?
Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice.
The post Ibovespa perde força, dólar sobe e Nasdaq mira máximas; o que esperar? appeared first on InfoMoney.



