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Petrobras: “combinação rara” traz oportunidade de compra após queda, diz JPMorgan

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Petrobras: “combinação rara” traz oportunidade de compra após queda, diz JPMorgan

Mesmo em meio à queda recente seguindo os preços do petróleo, a Petrobras (PETR3; PETR4) segue sendo vista como atrativa por vários analistas. Em relatório, os analistas de petróleo e gás do JPMorgan apontaram que, à medida que o sentimento dos investidores oscila em relação à exposição ao petróleo, mantém uma visão construtiva sobre o segmento na América Latina, com uma clara preferência por produtores de baixo custo capazes de aumentar os volumes compostos, mantendo uma geração de caixa disciplinada.

Neste cenário, Milene Carvalho Henrique Cunha e Rodolfo Angele, analistas que assinam o relatório, apontam que a petroleira estatal desponta como uma das histórias mais robustas entre as grandes globais do setor, combinando crescimento consistente, forte geração de caixa e elevada distribuição de dividendos.

O banco reiterou recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para a estatal, destacando um potencial de valorização de cerca de 35% para os papéis, apoiado em um perfil financeiro resiliente e em ativos de alta qualidade no segmento de exploração e produção (E&P). Para as ações PETR3, o preço-alvo é de R$ 60 (potencial de alta de 38,5% em relação ao fechamento de terça), enquanto para PETR4 o preço-alvo é de R$ 56 (potencial de alta de 45,30%).

Na comparação com pares globais como Exxon, Chevron, Shell e BP, a Petrobras se destaca pela combinação de alto fluxo de caixa livre (FCF) e retorno ao acionista, com yields (rendimentos) estimados de 12,8% em 2026 e 13,8% em 2027, níveis superiores ou comparáveis aos concorrentes.

Para os analistas, frente as principais empresas globais, a principal tensão do ciclo é a relação entre expansão de volume e retorno de capital. Contudo, “a Petrobras se diferencia, entregando ambos por meio de escala orgânica no pré-sal, em vez de reestruturações impulsionadas por fusões e aquisições”, aponta.

Em um contexto de pares, a visibilidade de crescimento orgânico da empresa está bem à frente do grupo, enquanto as ações continuam a ser precificadas com um desconto de governança que, na visão do JPMorgan, já está incorporado em seu valor justo para o ativo.

“Reiteramos nossa recomendação de compra e vemos a recente fraqueza do preço das ações como uma oportunidade para aumentar a exposição a uma rara combinação de crescimento e rendimento”, apontam os analistas.

Crescimento ancorado no pré-sal

Um dos principais pilares da tese do JPMorgan é a qualidade dos ativos da companhia, especialmente no pré-sal. Campos como Búzios — considerado um ativo “de classe própria” — concentram reservas de alta qualidade e baixo teor de enxofre, garantindo elevada produtividade e custos competitivos.

Essa base sustenta uma trajetória clara de expansão: a produção da Petrobras deve atingir cerca de 3,6 milhões de barris equivalentes por dia (boed) até 2030, impulsionada pela entrada de novos sistemas, principalmente em Búzios.

Atualmente, a empresa já apresenta escala relevante, com produção média próxima de 3,2 milhões de boed no primeiro trimestre de 2026, reforçando sua posição como a maior companhia de óleo e gás da América Latina.

O JPMorgan destaca ainda que mais de 80% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Petrobras vem do segmento de E&P, tornando a companhia altamente alavancada a preços do petróleo.

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Essa exposição favorece a geração de caixa em cenários de petróleo elevado — o banco trabalha com premissa de Brent a US$ 85 por barril em 2026, abaixo, inclusive, de estimativas mais otimistas da equipe de commodities da própria instituição.

Com isso, a estatal deve continuar ampliando o fluxo de caixa livre e sustentando uma política relevante de remuneração ao acionista, reforçando sua posição como uma das principais pagadoras de dividendos do setor.

Disciplina de capital e investimentos

O plano estratégico da Petrobras prevê cerca de US$ 91 bilhões em investimentos, com 76% destinados ao upstream, evidenciando a estratégia de foco em ativos de maior retorno.

Segundo o JPMorgan, a combinação entre expansão de produção, disciplina na alocação de capital e redução de alavancagem deve sustentar ganhos consistentes de rentabilidade ao longo dos próximos anos.

Reservas acima dos pares

Outro diferencial relevante da Petrobras é sua base de reservas. A companhia possui cerca de 12,1 bilhões de barris equivalentes (boe), o que representa aproximadamente 11,2 anos de vida de reservas, a maior entre as principais petroleiras globais, segundo o relatório.

Esse fator garante maior visibilidade de longo prazo para a produção e reforça o posicionamento estratégico da estatal frente aos concorrentes internacionais.

O JPMorgan também alerta para riscos que podem afetar a tese de investimento, como: eventual venda de combustíveis no mercado doméstico abaixo da paridade internacional;
aumento de investimentos acima do esperado; preços de petróleo abaixo das projeções;
atraso no ramp-up de novas plataformas.

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