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Goldman Sachs lista 7 razões para comprar ações de utilities apesar da queda na Bolsa

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Goldman Sachs lista 7 razões para comprar ações de utilities apesar da queda na Bolsa

O Goldman Sachs avalia que a recente correção das ações de utilities na Bolsa brasileira abriu uma nova janela de oportunidade para investidores.

Em relatório, o banco destaca que o setor acumula queda de cerca de 16% desde as máximas registradas em meados de abril. Segundo os analistas Bruno Amorim, Guilherme Bosso e Huama Belmonte, o movimento reflete a combinação de incertezas em torno da trajetória da Selic, do aumento da volatilidade política com a aproximação do ciclo eleitoral e da saída de investidores estrangeiros da B3, diante da realocação de recursos para mercados ligados ao petróleo e para empresas expostas ao tema da inteligência artificial.

Apesar desse cenário, o Goldman entende que o recuo tornou as avaliações mais atrativas. Segundo o banco, o setor negocia atualmente com um spread médio de aproximadamente 4 pontos percentuais entre a taxa interna de retorno (TIR) real das ações e o rendimento dos títulos públicos indexados à inflação, patamar considerado favorável do ponto de vista de risco e retorno.

O banco também ressalta que as utilities brasileiras figuram entre os investimentos de melhor desempenho da última década. Nos últimos dez anos, as empresas do setor acumularam valorização de cerca de 240% em dólares, superando o desempenho do EWZ (+90%), do MSCI Mercados Emergentes (+110%) e do MSCI World (+190%), além de praticamente igualarem o retorno do S&P 500, que avançou aproximadamente 250% no período.

Embora reconheça que parte dos fatores positivos já esteja refletida nas cotações, o Goldman Sachs acredita que o setor ainda reúne importantes vetores de crescimento, sustentados pela expansão dos investimentos em infraestrutura, ambiente regulatório favorável e capacidade de geração de caixa das companhias.

1- Proteção contra cenário adverso

O Goldman Sachs avalia que as empresas brasileiras de utilities continuam oferecendo uma combinação atrativa de características defensivas e potencial de valorização, mesmo após o forte desempenho registrado na última década.

Na visão do banco, o setor permanece bem posicionado para enfrentar um ambiente macroeconômico desafiador, funcionando como proteção contra inflação acima da meta, desaceleração da atividade econômica e um cenário de juros ainda elevados.

2 – Catalisadores ainda sustentam potencial de valorização

Apesar de reconhecer que parte dos principais fatores positivos já foi incorporada aos preços das ações, o Goldman Sachs acredita que o setor brasileiro de utilities ainda conta com diversos catalisadores capazes de impulsionar uma nova rodada de valorização nos próximos 12 meses.

Segundo o banco, esses fatores representam oportunidades que ainda não estão totalmente refletidas nas avaliações das empresas.

3- M&A e expansão do saneamento

O Goldman vê espaço para novas operações de fusões e aquisições (M&A) tanto nos segmentos de distribuição de energia quanto de saneamento.

Um dos principais destaques é o projeto UniversalizaSP, que prevê a ampliação das concessões de saneamento no estado de São Paulo e pode beneficiar diretamente a Sabesp.

Na avaliação do banco, esse projeto sozinho pode acrescentar aproximadamente 10% ao valor justo das ações da companhia.

4- Revisão regulatória favorece distribuidoras

Outro catalisador relevante é a agenda regulatória para o setor de distribuição de energia. O Goldman espera avanços positivos nas discussões regulatórias já no curto prazo, com potencial de elevar em cerca de 8% o valor justo das ações de Equatorial e Energisa.

Segundo o banco, eventuais mudanças podem melhorar a remuneração das distribuidoras e reforçar a geração de caixa dessas companhias.

5- Energia mais cara beneficia geradoras

O banco também acredita que o mercado ainda não precificou integralmente o cenário de preços mais elevados para a energia elétrica. A principal beneficiada seria a Axia Energia, cuja carteira possui elevada exposição ao mercado livre.

O Goldman estima que o mercado trabalha com um preço implícito de aproximadamente R$ 230 por MWh no longo prazo, enquanto sua projeção é de R$ 270 por MWh.

Segundo os analistas, cada aumento de R$ 10 por MWh pode elevar entre 5% e 6% o valor justo das ações da companhia.

Além disso, a expectativa de aumento significativo na distribuição de dividendos, com dividend yield entre 10% e 14% ao ano entre 2026 e 2028, somado à recompra de ações, pode levar a uma reprecificação positiva dos papéis.

6- El Niño pode impulsionar resultados

Outro fator apontado pelo Goldman é a elevada probabilidade de ocorrência de um forte fenômeno El Niño no curto prazo.

Na avaliação do banco, esse cenário tende a favorecer tanto geradoras quanto distribuidoras de energia, ao elevar a demanda por eletricidade, pressionar os preços da energia e melhorar os efeitos de modulação da geração.

7- Correção recente tornou o setor novamente atrativo

O Goldman ressalta que, embora o setor não esteja tão descontado quanto no fim de 2024 e início de 2025, a queda de aproximadamente 16% desde os picos registrados em abril criou um novo ponto de entrada para investidores.

Hoje, as utilities negociam com um prêmio médio de aproximadamente 4 pontos percentuais sobre os títulos públicos indexados à inflação, patamar considerado compatível com a média histórica.

Para o banco, esse nível de valuation oferece uma relação risco-retorno atrativa em um ambiente ainda marcado por incertezas macroeconômicas.

Axia Energia (AXIA3)

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Axia Energia e preço-alvo de R$ 67 por ação, com base na avaliação por soma das partes. O principal risco para a tese é uma queda dos preços da energia em razão de um cenário de excesso de oferta no médio prazo.

Confira recomendação do setor por ação

Copel (CPLE3)

O banco reitera recomendação de compra para a Copel, com preço-alvo de R$ 18,50. Entre os principais riscos estão o aumento do escrutínio regulatório e do governo federal sobre a qualidade dos serviços das distribuidoras, maior interferência governamental, abertura do mercado de distribuição, aumento dos encargos setoriais para consumidores regulados, avanço da geração distribuída solar, excesso de oferta de energia no médio prazo e exposição à energia descontratada nos próximos cinco anos.

Eneva (ENEV3)

Para a Eneva, o Goldman também recomenda compra e estabelece preço-alvo de R$ 31 por ação. Os principais riscos incluem avanços tecnológicos mais rápidos do que o esperado em sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), déficits de modulação e cortes de geração superiores ao previsto, mudanças regulatórias e maior intervenção do governo no setor elétrico.

Equatorial (EQTL3)

A Equatorial segue com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 47. O Goldman aponta como riscos um ambiente regulatório mais rigoroso, maior interferência do governo federal, abertura do mercado de distribuição, aumento dos encargos setoriais, crescimento da geração distribuída, recuperação mais lenta das concessões recentemente adquiridas e excesso de oferta de energia no médio prazo.

Energisa (ENGI11)

O Goldman mantém recomendação de compra para a Energisa, com preço-alvo de R$ 58. Os riscos para a tese incluem maior fiscalização regulatória, interferência governamental, abertura do mercado de distribuição, crescimento da geração distribuída, excesso de oferta de energia e atrasos ou custos acima do esperado nos projetos de transmissão.

Sabesp (SBSP3)

Para a Sabesp, o banco tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 34. Os principais riscos apontados são dificuldades na execução do plano de investimentos de mais de R$ 70 bilhões previsto para o período entre 2024 e 2029 para atingir as metas de universalização, atrasos na captura de ganhos de eficiência e eventual interferência do poder público.

CPFL Energia (CPFE3)

O Goldman atribui recomendação neutra à CPFL Energia e preço-alvo de R$ 51. Como potenciais fatores positivos, o banco destaca a expansão de data centers voltados à inteligência artificial na região de Campinas e no estado de São Paulo, além de uma possível decisão favorável no processo envolvendo a CPFL Piratininga. Entre os riscos estão aquisições que não gerem valor, maior pressão regulatória, crescimento da geração distribuída, aumento dos subsídios pagos pelos consumidores cativos, pior desempenho dos ativos eólicos e manutenção dos cortes de geração renovável.

Auren (AURE3)

A Auren também possui recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 14,10. O Goldman vê como potenciais catalisadores positivos o início do pagamento das indenizações relativas aos ativos não amortizados das usinas hidrelétricas de Jupiá, Ilha Solteira, Jaguari e Paraibuna, além de uma solução para as discussões sobre indenizações por cortes de geração. Entre os riscos estão preços de energia abaixo do esperado, pior desempenho dos ativos eólicos, crescimento da geração distribuída, excesso de oferta de energia, riscos hidrológicos, mudanças regulatórias e maior intervenção governamental.

Cemig (CMIG4)

O Goldman mantém recomendação de venda para a Cemig, com preço-alvo de R$ 9,60. Apesar da visão negativa, o banco destaca que uma eventual privatização da companhia, crescimento econômico acima do esperado, melhora operacional e um cenário macroeconômico mais favorável, com queda dos juros, poderiam representar riscos positivos para a tese.

Engie Brasil (EGIE3)

A Engie Brasil também possui recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 33. Segundo o Goldman, os principais fatores que poderiam melhorar a perspectiva para a ação incluem um aumento na distribuição de dividendos após o atual ciclo de investimentos, a partir de 2028, caso não ocorram novas aquisições, além de preços mais elevados da energia e redução dos cortes de geração nos ativos renováveis.

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