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Tesouro IPCA+ com maior juro da década: em quanto tempo o dinheiro pode dobrar?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Tesouro IPCA+ com maior juro da década: em quanto tempo o dinheiro pode dobrar?

O Tesouro IPCA+ voltou a pagar juro real acima de 8% ao ano no vencimento mais curto, um patamar visto poucas vezes desde a criação dos títulos. Para quem aplica agora e leva o papel até o vencimento, a conta do juro composto mostra o tamanho da oportunidade.

Segundo estudo da XP, taxas nesse patamar estiveram presentes em menos de 10% da série histórica, algo que faz a casa descrever o momento como “uma janela pouco frequente para alocação em ativos indexados à inflação”.

Os títulos apresentaram alívio nos últimos dias, mesmo após um IPCA de maio acima do esperado, na esteira do otimismo com o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã. Mesmo assim, o juro real seguiu elevado, com o IPCA+ 2032 ainda na casa de 8% ao ano.

Em quanto tempo o dinheiro dobra

A oportunidade do carrego aparece em uma simulação na calculadora do Tesouro Direto. Com base no fechamento de sexta-feira (12) e inflação estimada em 5% ao ano, o IPCA+ 2032, que paga IPCA mais 8,06%, transforma R$ 1.000 em R$ 1.980,74 líquidos no vencimento, já descontados o imposto de renda de 15% e a taxa de custódia da B3.

O retorno líquido é de 11,74% ao ano, o que faz a aplicação dobrar a cada pouco mais de seis anos, e o efeito se multiplica nos prazos mais longos.

No IPCA+ 2040, com IPCA mais 7,31%, os mesmos R$ 1.000 viram R$ 4.651,48 líquidos, cerca de 4,6 vezes o valor aplicado em pouco mais de 14 anos.

No IPCA+ 2050, com IPCA mais 7,05%, chegam a R$ 13.940,60, cerca de 14 vezes o inicial em pouco mais de 24 anos.

TítuloVencimentoTaxa contratadaR$ 1.000 viram (líquido)Retorno líquido (a.a.)Multiplica cerca de
Tesouro IPCA+ 203215/08/2032IPCA + 8,06%R$ 1.980,7411,74%2 vezes
Tesouro IPCA+ 204015/08/2040IPCA + 7,31%R$ 4.651,4811,49%4,6 vezes
Tesouro IPCA+ 205015/08/2050IPCA + 7,05%R$ 13.940,6011,56%14 vezes
Fonte: Simulador do Tesouro Direto. Taxas de fechamento de 12/06/2026, com aplicação na mesma data e IPCA estimado em 5% ao ano. Valores nominais, já líquidos de imposto de renda (15%) e da taxa de custódia da B3

Os valores são nominais e partem da premissa de IPCA fixo em 5% ao ano, ou seja, não descontam a perda de poder de compra. Como o título paga a inflação somada a um juro real fixo, uma inflação acima dos 5% amplia o retorno nominal. A XP projeta IPCA de 5,5% em 2026 e, em cenário com juro real de 7,5% ao ano, estima retorno acumulado de cerca de 120% até 2032 e de 210% até 2035.

É um bom momento para travar a taxa?

Para a XP, o nível atual configura uma assimetria favorável, já que o investidor trava um prêmio real elevado e ainda pode ganhar com a marcação a mercado caso os juros voltem a cair.

Ainda não se sabe até quando a janela estará aberta, mas poucos veem perspectiva de queda dessa remuneração no curto prazo: ou seja, é mais seguro comprar disposto a levar até o vencimento, já que sair antes penalizaria o investidor em caso de queda forte das taxas do mercado.

“Como não temos nenhum cenário positivo para a NTN-B (Tesouro IPCA+), devemos continuar com IPCA+8% até o final de 2026, até termos maior clareza nas eleições”, projeta Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital.

Leia também: Para Kapitalo, juro real “elevadíssimo” é aposta que resiste à eleição

A XP alerta que os vencimentos mais longos são mais sensíveis ao juro real e podem gerar oscilações relevantes com risco de perda se o investidor decidir vender antes do vencimento. O retorno contratado, lembra a casa, só vale para quem segura o título até o fim.

A volatilidade do papel é um preço a pagar pela proteção para o longo prazo, defende o economista Danilo Coelho. “O IPCA+ protege melhor contra o risco de cauda, que é a hiperinflação, enquanto o prefixado trava uma taxa fixa e deixa o investidor descoberto se isso ocorrer”, compara.

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