A Suíça, um dos países mais ricos do mundo e historicamente aberta à imigração e ao investimento estrangeiro, vota neste domingo (14) um referendo que pode impor um limite ao crescimento populacional e endurecer as regras de imigração.
A consulta ocorre após a população suíça crescer cerca de 10% na última década e ultrapassar 9,1 milhões de habitantes no fim de 2025. Pela primeira vez, o país passou a ter mais pessoas com mais de 65 anos do que jovens com menos de 20. As informações são da CNBC.

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Pela proposta, o governo seria obrigado a adotar medidas para conter o crescimento populacional até 2050. Se a população superar 9,5 milhões de habitantes nesse período, as regras para imigração seriam endurecidas, com restrições iniciais aos programas de asilo e de reunificação familiar. Caso o número de moradores ultrapasse 10 milhões, a iniciativa prevê até mesmo o fim do acordo de livre circulação de pessoas entre a Suíça e a União Europeia.
Atualmente, cerca de 41% da população suíça tem origem migratória, enquanto um terço dos residentes permanentes nasceu no exterior. Estima-se que 1,4 milhão de cidadãos da União Europeia viva na Suíça, além de outros 340 mil trabalhadores que cruzam diariamente a fronteira para trabalhar no país.
Pesquisas de opinião indicam um cenário dividido. Levantamento recente mostrou que 52% dos entrevistados pretendem rejeitar a proposta, enquanto 45% apoiam a criação do limite populacional.
O partido de direita SVP, principal defensor da iniciativa, afirma que o rápido crescimento populacional pressiona os serviços públicos, eleva o preço dos aluguéis e dificulta o acesso ao mercado de trabalho.
Já empresas e entidades empresariais alertam para os riscos econômicos da medida. A associação Economiesuisse, que reúne grandes companhias como Amazon Web Services, Roche, Google e Johnson & Johnson, afirma que a prosperidade suíça depende da abertura econômica e do acesso à mão de obra qualificada da Europa.
Executivos de grandes empresas também demonstraram preocupação. O CEO da Nestlé, Philipp Navratil, afirmou que a atratividade da Suíça para investimentos está diretamente ligada à estabilidade regulatória e à disponibilidade de talentos. Já o presidente do UBS, Sergio Ermotti, disse que limitar a imigração não resolveria os desafios enfrentados pelo país.
Economistas alertam ainda que um eventual fim da livre circulação com a União Europeia poderia gerar escassez de trabalhadores, elevar custos para as empresas e comprometer a competitividade da economia suíça. Também existe o temor de que a medida afete os acordos bilaterais que garantem às empresas do país acesso privilegiado ao mercado europeu.
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